Moraes diz que plataformas continuarão no Brasil se respeitarem a lei

Um dia após o magnata Mark Zuckerberg – dono do grupo Meta, que controla o WhatsApp, o Instagram e o Facebook – anunciar que vai abolir a checagem de conteúdo e quer tornar mais permissiva a moderação de postagens dos usuários, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que a corte “não vai permitir que as big techs, as redes sociais, continuem sendo instrumentalizadas, dolosa ou culposamente, ou ainda somente visando lucro, instrumentalizadas para ampliar discursos de ódio, nazismo, fascismo, misoginia, homofobia e discursos antidemocráticos”.

Segundo o ministro, “a nossa justiça eleitoral e o nosso Supremo Tribunal Federal já demonstraram que aqui é uma terra que tem lei. As redes sociais não são terras sem lei. No Brasil só continuarão a operar se respeitarem a legislação brasileira, independentemente de bravatas de dirigentes irresponsáveis das big techs.”

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Em outubro, a rede social X, do bilionário Elon Musk, pagou R$ 28,6 milhões de multa após a sua plataforma ficar fora do ar no Brasil por dois meses devido ao descumprimento da ordem do próprio Moraes de bloquear algumas contas.

O empresário Elon Musk se aproximou do presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump durante a campanha eleitoral do ano passado. Ao anunciar o relaxamento de controle e moderação de suas plataformas, Mark Zuckerberg também sinalizou para Trump.

Como registrado pela Agência Brasil, Zuckerberg informou que vai “trabalhar com o presidente Trump para pressionar os governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas e pressionando para censurar mais.” O dono da Meta ainda afirmou que países latino-americanos têm “tribunais secretos que podem ordenar que empresas retirem coisas discretamente.”

Na avaliação do ministro Moraes, que é relator dos inquéritos sobre notícias falsas, milícias digitais e golpe de Estado, o país tem como desafio “não permitir que esses gigantes conglomerados, que são as big techs, com seus dirigentes irresponsáveis, por achar que por terem dinheiro podem mandar no mundo, o desafio de regulamentar, responsabilizar.”

8 de janeiro 

Para o magistrado a “grande causa” de atos violentos e antidemocráticos como o 8 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes foi a disseminação de mentiras e a mobilização de massa promovida pelas redes sociais.

“Tudo isso surgiu a partir do momento que no mundo, não só no Brasil, a partir do momento que no mundo extremistas, e principalmente extremistas de direita, radicais de direita, se apoderaram das redes sociais para nelas ou com elas instrumentalizarem as pessoas no sentido de corroer a democracia por dentro. O que esse novo populismo extremista digital faz é corroer a democracia por dentro.”

As declarações de Alexandre de Moraes foram feitas durante a “roda de conversa” realizada no STF para tratar da importância da democracia no início da tarde desta quarta-feira. Também presente no evento, o ministro Gilmar Mendes afirmou que “naquele 8 de janeiro, o extremismo e a intolerância atingiram seu ápice, quando uma turba insana invadiu as sedes dos Três Poderes em Brasília, incitada por ampla mobilização nas redes sociais.”

Gilmar defendeu o que chama de “constitucionalismo digital”, princípio legal que “consagra a proteção dos direitos fundamentais na esfera digital e impõe às redes sociais um dever de cuidado quanto à disseminação de conteúdos ilícitos.” Para ele, “essa trajetória normativa jamais poderá ser confundida com censura. Não é censura.”

O ministro acredita que o constitucionalismo digital “representa não apenas uma evolução jurídica, mas constitui a pedra angular sobre a qual se erige uma esfera digital democrática e pluralista, capaz de harmonizar a liberdade de expressão com a responsabilidade social no ambiente virtual.”

Reino Unido começa a cobrar por autorização de viagem para brasileiros

A partir desta quarta-feira (8), brasileiros e viajantes de dezenas de outras nacionalidades que quiserem ingressar no Reino Unido terão que pagar 10 libras esterlinas, o equivalente a cerca de R$ 77 no câmbio atual, pela chamada Autorização de Viagem Eletrônica (ETA, na sigla em inglês).

A medida aplica-se a portadores de todos os tipos de passaportes (comum, oficial ou diplomático) sem nacionalidade britânica ou irlandesa que desejarem visitar um dos quatro países que integram o Reino Unido (Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales), incluindo bebês e crianças.

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Segundo o governo britânico, o ETA não será exigido de quem já possui visto ou permissão para viver, trabalhar ou estudar no Reino Unido.

Com a autorização, será possível permanecer em território britânico por até seis meses. O ETA, contudo, não possibilita ao viajante realizar qualquer tipo de trabalho remunerado ou não remunerado, exceção a quem tiver o chamado visto Creative Worker.

A autorização pode ser obtida por meio de aplicativo para iPhone e do site do próprio governo britânico.

Para solicitar a ETA, o requerente precisará enviar uma cópia digitalizada do passaporte original; uma foto do seu rosto e informar o número de um cartão de crédito ou débito. Cada viajante deve fazer sua requisição individualmente. Em nota divulgada na primeira quinzena de dezembro, o Itamaraty informou que, segundo as autoridades britânicas, as solicitações serão respondidas em até 3 dias úteis, em média.

Outras orientações estão disponíveis no site do Ministério das Relações Exteriores.

SP: Promotoria denuncia policiais que mataram estudante de medicina

Os policiais militares (PMs) que mataram o estudante de medicina Marco Aurelio Cárdenas Acosta, de 22 anos, com um tiro à queima-roupa, em um hotel na Vila Mariana, em São Paulo, foram denunciados nesta quarta-feira (8) pela Promotoria de Justiça do IV Tribunal do Júri da capital. Em novembro do ano passado, durante uma ação de patrulhamento, os PMs Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado atiraram no rapaz, que estava desarmado.

A denúncia foi apresentada pelos promotores Estefano Kummer, Antonio Folgado e Enzo Boncompagni, que destacaram o motivo torpe e a impossibilidade de defesa da vítima no crime. Assim, os acusados responderão por homicídio qualificado.

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No documento da Promotoria, consta que, enquanto um dos policiais causou a morte do jovem ao atirar contra ele, o outro prestou auxílio moral e material para o crime.

O crime ocorreu na madrugada de 20 de novembro, quando os policiais militares patrulhavam as ruas do bairro. Conforme imagens de câmeras de vídeo do comércio local, o universitário deu um tapa no retrovisor da viatura e correu. Na perseguição, ele entrou no hotel onde estava hospedado com uma amiga.

No saguão do hotel, um PM tentou segurar a vítima pelo braço. O outro policial encurralou o rapaz, que chegou a deferir um chute no agente de segurança. Na briga, o estudante foi atingido por um tiro no abdômen.

“É certo que os policiais agiram impelidos por motivo torpe, em retaliação ao tapa desferido pela vítima no retrovisor da viatura, empregando força letal contra pessoa que estava nitidamente alterada e desarmada, com evidente abuso de autoridade e inobservância dos procedimentos operacionais padrão. Além disso, o homicídio foi cometido com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, haja vista que os policiais estavam armados, em superioridade numérica e realizaram a abordagem de forma violenta, iniciando o confronto corporal com o suspeito”, diz o texto da denúncia.

Na sexta-feira (3), a Polícia Civil pediu a prisão preventiva dos dois PMs. O PM Guilherme Augusto Macedo foi indiciado no inquérito policial-miliar (IPM) por homicídio doloso, mesma situação do colega Bruno Carvalho do Prado. Ambos estão afastados das atividades.

“Ainda estamos aqui por memória e justiça”, diz Amelinha

No dia em que o Brasil relembra o ato golpista de 8 de janeiro de 2023, e novos atos na capital do país celebram a democracia, quem sobreviveu ao regime autoritário da ditadura vê com esperança o momento atual e comemora o sucesso do filme Ainda Estou Aqui.

Nesta quarta-feira (8), Mara Régia entrevistou a jornalista Amélia Teles, conhecida como Amelinha, que foi perseguida e presa na ditadura militar, no programa Viva Maria, da Rádio Nacional. O foco da entrevista foi o Globo de Ouro conquistado pela atriz Fernanda Torres pela atuação no filme.

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“Esse prêmio da Fernanda Torres, eu acho que retoma um momento de esperança, sabe? Rompe com essas barreiras negacionistas que ainda querem iludir a sociedade de que não houve uma ditadura, de que não houve tortura, de que não houve prisões arbitrárias, sequestros, inclusive não só de militantes políticos, mas também de todas as famílias, de crianças, né? Como no meu caso, meus dois filhos, de 5 e 4 anos foram sequestrados pelo DOI-Codi aqui de São Paulo”, diz Amelinha.

O filme Ainda Estou Aqui conta a história da família Paiva, que em 1971, com o endurecimento da ditadura militar, precisa enfrentar o desaparecimento e assassinato de Rubens Paiva, engenheiro civil e político brasileiro. A história é contada do ponto de vista de quem fica, a esposa Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres.

“É a arte a serviço da história do Brasil, dignificando a história do Brasil, porque isso não é uma página virada. O que aconteceu há mais de 60 anos, o bloco militar de 1964 não pode ser jamais esquecido. Temos que revisitar essa história, trazer essa memória, para que a gente se fortifique enquanto sociedade, para defender de forma bem cabal a justiça, a democracia”, defende, Amelinha, na entrevista.

A ditadura militar se estendeu de 1964 a 1985. O período em que o país foi controlado por militares é marcado por repressão, censura à imprensa, restrição aos direitos políticos e perseguição aos opositores do regime. A Comissão Nacional da Verdade reconheceu 434 mortes e desaparecimentos durante a ditadura.

A Comissão Camponesa da Verdade também reconheceu o impacto do período para os povos do campo e apresentou, em 2015, um relatório que lista 1.196 camponeses e apoiadores mortos ou desaparecidos entre 1961 e 1988. 

Para Amelinha, o filme mostra que a luta de familiares, amigos e mesmo de quem sobreviveu à ditadura ainda persiste. “Eu fiquei muito feliz de ver. E o tema? Ainda estou aqui, ainda estamos aqui nessa luta eu acho que essa premiação retoma esse processo de esperança de que valeu e vale a pena a luta”, diz, e ressalta: “Viva a democracia e ainda estamos aqui por memória, verdade e justiça”.

Consideradas extintas, antas são vistas no Rio após 100 anos

Pela primeira vez em 100 anos, antas (Tapirus terrestris) foram flagradas em vida livre no território do estado do Rio de Janeiro pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O animal, que é o maior mamífero da América do Sul, até então considerado extinto na natureza fluminense, era encontrado somente em instituições de proteção à fauna e em pontos de introdução na natureza com indivíduos nascidos em instalações assistidas.

O flagrante foi feito por meio de armadilhas fotográficas disponibilizadas pela Vale ao Inea, por meio de parceria firmada em 2020, na qual se desenvolvem ações de proteção ecossistêmica aliadas à conservação da biodiversidade nas áreas de abrangência do Parque Estadual Cunhambebe.

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Os 108 registros, feitos pelas dez câmeras instaladas em uma unidade de conservação administrada na Costa Verde, flagraram grupos com até três indivíduos em uma única captura, além de uma fêmea com filhote – o que sugere uma população bem estabelecida da espécie na região. A redescoberta é resultado do trabalho de conservação da biodiversidade da Mata Atlântica, que oferece um habitat preservado para a anta e outras espécies-chave, como a onça-parda (Puma concolor).

“É a primeira vez, em dez décadas, que são flagrados, registrados e monitorados no Rio de Janeiro tais animais em total vida livre, ou seja, indivíduos que não dependeram de ação humana direta ou projetos de reintrodução de fauna,” diz o Inea.

Segundo o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, as unidades de conservação estaduais são responsáveis pela proteção direta de quase meio milhão de hectares de Mata Atlântica no território fluminense. “Em episódios como esse, nos certificamos de que estamos no caminho certo. Essa redescoberta é um marco não só para o Rio de Janeiro, mas para a ciência”, afirmou Rossi.

A anta-brasileira é um mamífero terrestre, que pode pesar até 250 quilos e se destaca por sua adaptabilidade e importância ecológica, pois potencialmente age como dispersora e predadora de sementes, o que contribui com a manutenção de seu habitat natural e, consequentemente, desempenha papel vital no ecossistema.

Sua capacidade de se movimentar com facilidade em diferentes tipos de terreno, incluindo áreas alagadas e encostas íngremes, aliada à sua habilidade como nadadora, a torna bem adaptada a evitar predadores.

O último registro do animal no estado do Rio tinha sido feito em 1914, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sendo consideradas as principais causas para seu desaparecimento a perda de habitat, a caça e exploração desenfreadas e a urbanização. Atualmente, a espécie encontra-se incluída na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas como vulnerável.

“Apresentar esses registros da anta, após mais de 100 anos classificada como extinta no estado do Rio de Janeiro, é um momento histórico e significativo. A partir do material capturado pelas armadilhas fotográficas, é possível promover estratégias eficazes de conservação e conscientizar a sociedade sobre a importância da biodiversidade e do fortalecimento dos ecossistemas locais”, afirmou o presidente do Inea, Renato Jordão.

Parque Cunhambebe

Segundo maior parque do estado, o Cunhambebe abrange quase 40 mil hectares de áreas naturais protegidas.

Além das ações de proteção ambiental, o parque se destaca por suas iniciativas consistentes em educação ambiental, promovendo uma aproximação efetiva com as comunidades do entorno e incentivando a pesquisa científica. Essas ações não apenas fortalecem a conservação da biodiversidade, mas também engajam a sociedade na valorização e preservação dos recursos naturais.

CNPU: começa hoje reembolso da taxa de inscrição

Os candidatos do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) que solicitaram a devolução da taxa de inscrição começaram a receber o valor nesta segunda-feira, 8. De acordo com o Ministério de Gestão e Inovação, mais de 29 mil pessoas já foram reembolsadas de um total de mais de 31 mil.

O prazo para solicitação de reembolso ocorreu de 5 a 7 de julho de 2024. A taxa de inscrição do concurso foi de R$ 90 para os cargos de nível superior e de R$ 60 para os de nível médio.

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Para o procedimento de devolução, a Fundação Cesgranrio, banca responsável pela seleção, orientou os solicitantes por e-mail a criar uma chave PIX do tipo CPF — o mesmo informado na inscrição — no sistema bancário de sua preferência. Essa medida visa a facilitar o pagamento pelo Banco do Brasil.

O processo de devolução por este meio será realizado durante 30 dias corridos, a contar do dia 6 de janeiro. Nos casos em que não foi possível registrar a chave PIX, o reembolso será feito por outros meios, em um prazo maior.

O ministério informou que 31.050 candidatos solicitaram devolução da taxa de inscrição do CPNU e, com isso, a participação deles no processo seletivo foi cancelada. O pedido de reembolso foi permitido a todos os candidatos inscritos no país.

Ouça na Radioagência:


Lula: “Democracia venceu e ainda estamos aqui”

“Hoje é dia de dizermos em alto e bom som: ainda estamos aqui. Estamos aqui para dizer que estamos vivos e que a democracia está viva, ao contrário do que planejavam os golpistas de 8 de janeiro de 2023”. Com essas palavras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu discurso em ato no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira (8), para marcar os dois anos da tentativa frustrada de golpe de Estado em 2023.

A frase inicial faz uma referência ao filme “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres – ganhadora do Globo de Ouro  – sobre a trajetória de Eunice Paiva durante a ditadura militar, após ter o marido, Rubens Paiva, preso e assassinado pelo regime. A cerimônia no Planalto contou com a presença de ministros, parlamentares, governadores e representantes dos Três Poderes, além dos comandantes das Forças Armadas, a quem o presidente fez questão de agradecer pela participação.

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“Estamos aqui para lembrar que, se estamos aqui, é porque a democracia venceu. Caso contrário, muitos de nós talvez estivéssemos presos, exilados ou mortos, como aconteceu no passado. E não permitiremos que aconteça outra vez”, prosseguiu Lula.

Em uma cerimônia anterior, o presidente recebeu de volta 21 obras de arte e peças do acervo cultural do Palácio do Planalto, que haviam sido vandalizadas pelos invasores no dia 8 de janeiro de 2023, entre elas, um relógio suíço do século 18 que pertenceu a Dom João VI e a icônica pintura As Mulatas, de Di Cavalcanti.

Após a cerimônia no Salão Nobre do Planalto, Lula e as autoridades desceram a rampa do palácio para um ato na Praça dos Três Poderes, batizado de Abraço da Democracia, com a presença de populares e movimentos sociais.
 

Brasília (DF) – Ato marca os dois anos da tentativa frustrada de golpe de Estado em 2023. Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Obra em construção

Ainda em seu discurso em defesa da democracia, Lula falou que esse regime é uma obra em construção, e precisa ser uma realidade para todas as pessoas, além do discurso.

“Democracia para poucos não é democracia plena. Por isso, a democracia será sempre uma obra em construção. A democracia será plena quando todas e todos os brasileiros, sem exceção, tiverem acesso à alimentação de qualidade, saúde, educação, segurança, cultura e lazer”, observou.

Lula seguiu destacando a necessidade de construir um país mais justo, especialmente para as minorias sociais oprimidas do país.

“A democracia será plena quando todos e todas sejam, de fato, iguais perante à lei, e a pele negra não seja mais alvo da truculência dos agentes do Estado. Quando os povos indígenas tiverem direito às suas terras, suas culturas e suas crenças. Quando as mulheres conquistarem igualdade de direitos, e o direito de estar onde quiser estar, sem serem julgadas, agredidas ou assassinadas”, afirmou.
 

Cerimônia contou com a presença de ministros, parlamentares, governadores e representantes dos Três Poderes. Foto Lula Marques/ Agência Brasil


Investigação e punição

Sobre a tentativa de golpe de Estado e as investigações que apontam uma trama para assassiná-lo, assassinar o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o presidente Lula voltou a cobrar punição e pregar direito de defesa.

“Os responsáveis pelo 8 de janeiro estão sendo investigados e punidos. Ninguém foi ou será preso injustamente. Todos pagarão pelos crimes que cometeram, inclusive os que planejaram os assassinatos do presidente, do vice-presidente da República e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral”.


 

Fonseca e Monteiro estão a uma vitória de alcançar Aberto da Austrália

Os brasileiros João Fonseca e Thiago Monteiro cravaram a segunda vitória no qualifying (qualificatório) do Aberto da Austrália na madrugada desta quarta-feira (8) e ficaram à apenas uma vitória de alcançarem a chave principal do Grand Slam, o primeiro do ano. Ambos disputam a terceira e última rodada do quali, em Melbourne, a partir de meia-noite – 0h de quinta (9), no horário de Brasília.

Atual número 113 do mundo, João Fonseca atropelou Coleman Wong (172º no ranking), de Hong Kong – com direito a pneu (6/0) no primeiro set, e 6/3 na parcial seguinte – em apenas 53 minutos de partida. Foi a 12ª vitória consecutiva do tenista carioca, de 18 anos, recém-campeão do no Next Gen ATP Finals e no Challenger de Camberra. Embalado, João Fonseca enfrentará no último jogo do quali o argentino Thiago Augustin Tirante (115º), de 23 anos. Eles já duelaram duas vezes, com uma vitória cada um.

Quem também vai com tudo em busca de sua sexta participação em Grand Slam é o cearense Thiago Monteiro (106º), cabeça de chave 6, que eliminou nesta madrugada o francês Valentin Royer por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (1) e 6/3). Na última rodada do quali, prevista para começar á 1h30 (horário de Brasília) de quinta (9), Monteiro competirá com o belga Kimmer Coppejans (361º).

Já a paulista Laura Pigossi (141ª no ranking) deu adeus ao quali ao ser superada pela suíça Viktorija Golubic (90ª) na segunda rodada.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Até o momento, o Brasil já tem assegurados dois representante na chave principal do Aberto da Austrália:  a paulista Beatriz Haddad Maia e o paranaense Thiago Wild. Ambos se credenciaram ao Grand Slam pelo posicionamento no ranking mundial. Bia ocupa a 16ª posição na lista da WTA (Women’s Tennis Association/Associação de Tênis Feminino) e Thiago a 76ª colocação no ranking da ATP ( Association of Tennis Professionals). 

Novos blocos de carnaval de rua em SP têm até sexta para se inscrever

Novos blocos de carnaval que pretendem fazer seu desfile de estreia nas ruas da capital paulista, este ano, deverão se inscrever pela internet até a próxima sexta-feira (10). O prazo é válido também para blocos que queiram registrar mudanças no trajeto.

A etapa para inscrições em geral, para os blocos não iniciantes, foi encerrada no dia 23 de dezembro. Nesta segunda etapa de inscrições, os blocos devem acessar o portal do Carnaval de Rua.

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O pré-carnaval de rua ocorre nos dias 22 e 23 de fevereiro, o carnaval no período de 1º a 4 de março e os desfiles pós-carnaval nos dias 8 e 9 de março. Todos os blocos precisam de autorização da Prefeitura Municipal de São Paulo e devem respeitar todas as regras estabelecidas pelo poder público.

O carnaval de São Paulo é o maior do país, em número de participantes e de impacto econômico. Esta edição deve reunir 15 milhões de foliões e será organizada pela Ambev (empresa brasileira fabricante de bebidas), que venceu o processo de licitação com uma proposta de R$ 27,8 milhões.

Personagem de Fernanda Torres inspira debate no Viva Maria

O reconhecimento internacional de Fernanda Torres pelo Globo de Ouro, graças ao filme “Ainda Estou Aqui”, foi tema do programa Viva Maria, apresentado por Mara Régia. A obra, dirigida por Walter Salles, retrata o período da ditadura militar no Brasil e recebeu elogios de Amélia Teles, ex-presa política, que ressalta a importância de não se esquecer as graves violações ocorridas nos anos de chumbo.

No programa, Amélia lembrou que muitos negam esse capítulo sombrio da história, e enfatizou a necessidade de defender a democracia. A conquista de Fernanda Torres, interpretando Eunice Paiva, reflete o êxito de um filme que já ultrapassou três milhões de espectadores em todo o país, com papel pedagógico na conscientização sobre tortura e repressão política.

Segundo Amélia, celebrar o sucesso de “Ainda Estou Aqui” deve fortalecer a memória das vítimas, destacando o quanto o cinema nacional pode contribuir para o entendimento crítico do passado. Dessa forma, Viva Maria reafirmou que essa vitória se torna uma esperança para enfrentar quem insiste em negar ou minimizar a vi

IA foi usada para planejar explosão junto a Hotel Trump em Las Vegas

O militar que supostamente explodiu um Tesla Cybertruck em frente ao Hotel Trump, em Las Vegas, nos Estados Unidos, usou ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT.

A informação é da polícia que, há quase uma semana, analisa o computador portátil, o celular e o relógio de Matthew Livelsberger.

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As autoridades descobriram que o militar procurou no ChatGPT informações sobre explosivos, a velocidade de munições específicas e também se fogos-de-artifício são legais no Arizona.

Nas diversas anotações que a polícia descobriu, Livelsberger escreveu que os EUA estavam “em estado terminal e a caminho do colapso”. Ele criticou políticas, problemas sociais e temas internacionais, incluindo a guerra na Ucrânia.

A investigação concluiu que o ex-militar do exército não era um opositor de Trump e deixou escrito que os Estados Unidos têm que “se unir” ao presidente eleito e a Elon Musk, o dono da Tesla.

Matthew Livelsberger serviu no Afeganistão em duas ocasiões e, nas anotações que escreveu no celular, explicava que a explosão era um “alerta” para os problemas do país.

A polícia encontrou também textos em que dizia que precisava “limpar” a cabeça para esquecer os “irmãos que perdi e me libertar da culpa pelas vidas que tirei”.

Matthew Livelsberger, de 37 anos, suicidou-se pouco antes de o veículo da Tesla explodir. A explosão causou ferimentos leves em sete pessoas e aconteceu no mesmo dia do ataque em Nova Orleans que matou 14 pessoas e foi planejado a partir de vídeos feitos por óculos de sol equipados com câmara.

As autoridades investigaram eventuais ligações entre os dois ataques, mas descobriram que não estão relacionados.

Casa usada em gravações de “Ainda Estou Aqui” atrai fãs e curiosos

Desde a conquista do Globo de Ouro pela atriz Fernanda Torres, na madrugada de segunda-feira (6), a casa locada para as gravações do longa “Ainda Estou Aqui” passou a atrair a atenção de fãs e curiosos. Localizada na esquina da Avenida João Luiz Alves com a Rua Roquete Pinto, no bairro da Urca, zona sul do Rio, a residência se destaca entre as demais. Agora, as calçadas próximas reúnem turistas em busca de fotos.

A paulista Nicole Alves veio a turismo para o Rio junto com a família e aproveitou o passeio pela Urca para conhecer a casa. A analista de planejamento comercial gostou do prêmio recebido por Fernanda Torres. “É bom e a gente ganha bastante visibilidade  É o nosso  país e a nossa arte nacional para o mundo inteiro”, contou à reportagem da Agência Brasil na calçada em frente à casa.

“A gente acaba se sentindo dentro do filme de alguma forma. Eu ainda não assisti, mas tenho certeza que quando assistir vou poder visualizar melhor por ter estado aqui”, concluiu.

A musicista Lívia Savini, de 22 anos, que morou com a família na casa entre setembro de 2019 e dezembro de 2022, considera a transformação em ponto turístico algo inusitado e engraçado. “É muito legal que as pessoas se identifiquem com esta casa e com os vídeos que a gente postou com a família. Acho muito especial ver tantas pessoas que também se apaixonaram pela casa e que falem sobre isso e mais ainda sobre esse filme que é importante; um grande filme que merece todos os prêmios que puder”, afirmou, incluindo neles a campanha a favor do Oscar para a produção e para Fernanda Torres.

O filme “Ainda Estou Aqui” mexeu com as memórias de Lívia. Ela conta que ao ver o longa as lembranças se misturaram trazendo novas sensações e um grande impacto. “Foi gigante por várias coisas. Primeiro, um filme maravilhoso desse feito na nossa casa. Eu e minha família somos fãs do Walter Salles [diretor], da Fernanda Torres, do Selton Mello. Um filme com essas pessoas já era uma coisa que a gente ficou com muita expectativa, mas o impacto da história tão importante para o Brasil, tão importante para a memória política do Brasil.´É muito importante. Pareciam as nossas memórias retratadas na tela, porque parecia uma tradução literal. Os momentos da família ali dentro, pareciam os momentos que a gente viveu lá. O impacto foi triplicado”, disse à Agência Brasil.

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“Tenho memórias maravilhosas da casa. A gente viveu bons momentos lá. É uma casa muito boa de se morar, muito acolhedora”, completou.
 
Rio de Janeiro – A analista de planejamento comercial, Nicole Alves, posa em frente à casa que serviu de locação para o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil 


Pandemia

A vida familiar naquele local ficou mais intensa no período da pandemia. Por causa do lockdown, ficavam 24 horas juntos, todos os dias. “Aquela era a melhor casa na época da pandemia porque é espaçosa”, revelou, acrescentando que neste período também tiveram a tristeza da perda do avô com covid-19.

A casa é simbólica para a jovem musicista. É o local onde compôs as primeiras músicas. Lívia, que já participou de bandas, agora, está focada em um trabalho autoral a ser lançado nas plataformas digitais no meio deste ano.

“É muito irônico, porque o nome do trabalho é “Ruínas” e fala exatamente dessa relação entre o amor e as construções do amor.  Sobre quais construções permanecem por causa do amor e como o amor eterniza memórias em construções. Como fiz essas composições na casa, que teve esse filme com o qual todo mundo se conectou, de uma certa forma, eternizou a memória da minha família, eternizou a memória da Eunice Paiva e dessa família. Para mim está tudo conectado. Cada vez mais percebo como o cinema, a música, a arte e a história estão todos conectados”, pontuou.

Foi ali também, onde morava com o pai Ricardo, a madrasta Juliana, e uma irmã Ornela, que nasceu Cecília, a sua irmã mais nova, que completará cinco anos em fevereiro. “Eu fiz um vídeo que viralizou e em muitas dessas memórias está a minha irmãzinha bebê, crescendo. Foi muito bom poder curtir com ela”, destacou, informando que os vídeos da família atingiram 1 milhão de visualizações no TikTok e 400 mil no Instagram.

“Viralizou. Foi outra loucura e todo mundo comentando sobre a casa, dizendo ‘casa maravilhosa, quero morar lá, amei esse filme. Como foi para vocês?’. Foi muito grande o choque para a gente”.

Quando soube que a casa seria usada para uma produção cinematográfica, o que foi uma surpresa, Lívia já tinha se mudado de lá com a família para o bairro de Ipanema, também na zona sul. Não chegou a assistir às filmagens, mas antes das gravações começarem pôde notar mudanças na parte externa do imóvel. A pintura foi envelhecida, as varandas fechadas, o portão elétrico foi retirado. Isso até revoltou os ex-moradores até que souberam por uma atriz amiga da irmã que as mudanças eram para o imóvel abrigar cenas de um filme que ela faria parte do elenco, mas sem contar qual era.

Venda

A casa agora está à venda a partir de R$ 13,9 milhões. O corretor Marcelo Dias disse que estão analisando duas propostas. “Hoje ela está totalmente modernizada e os proprietários estão concluindo as melhorias e totalmente diferente das filmagens. Eles a adaptaram para a década de 1970. Internamente, continua linda, e externamente mais ainda”, completou à Agência Brasil no jardim da casa, informando que o imóvel foi locado por um ano e meio para a produção.

“Achei fantástico. Eu a conheci antes, durante e depois. Achei belíssima a produção, de bom gosto e originalidade. Foi muito legal. Agora virou ponto turístico. No momento é a casa mais visitada, entre aspas, do Brasil e do mundo, porque as pessoas quando vão para Hollywood, por exemplo, querem visitar a casa de famosos. Então, hoje aqui temos uma casa famosa”, contou o corretor. 

 

 

O que o Globo de Ouro de Fernanda Torres mostra sobre atos golpistas

O Globo de Ouro, da atriz Fernanda Torres, chamou novamente a atenção para o filme que vem batendo recordes de bilheteria e fazendo sucesso tanto no Brasil quando fora do país. A premiação por melhor atriz em Ainda Estou Aqui ocorre na semana em que os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 completam dois anos. Se por um lado a aceitação do filme mostra o interesse da população pelo que ocorreu na ditadura e a importância da preservação da memória e da reparação às vítimas e às famílias pelos crimes cometidos no período, os atos recentes são, segundo especialistas entrevistados pela Agência Brasil, a prova de que o Brasil ainda vive uma democracia frágil.

Para a historiadora Gabrielle Abreu, o filme traz a oportunidade de a sociedade brasileira discutir a ditadura por meio da arte. “Acho que a gente está vivendo uma oportunidade muito especial de sermos confrontados coletivamente, enquanto sociedade, com essa temática e por meio da arte, da cultura, de uma personalidade como a Fernanda Torres, o que facilita muito que o tema seja debatido e disseminado”, diz Abreu que é mestre em história comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou no Arquivo Nacional e é a atual gestora de Memória no Instituto Marielle Franco.

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Ainda Estou Aqui conta a história da família Paiva, que em 1971, com o endurecimento da ditadura militar, precisa enfrentar o desaparecimento e assassinato de Rubens Paiva, engenheiro civil e político brasileiro. A história é contada do ponto de vista de quem fica, a esposa Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres.
Rio de Janeiro – A diretora do Arquivo Nacional, Gabrielle Abreu, durante entrevista – Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Para Gabrielle Abreu, o filme tem função importante: “Ele tem essa função social, esse papel social de nos teletransportar àquela época e fazer com que as pessoas rechacem esse período, o conheçam, entendam um pouco porque hoje a gente enfrenta esses ataques sucessivos à democracia e passem a repelir o período, a ideia de uma ditadura, de autoritarismo, de censura, de limitação de direitos e, naturalmente, que isso inspire em nós, na sociedade brasileira, uma sensação de apreço à democracia”, defende.

Negação da ditadura 

Os desafios, no entanto, ainda são muitos. Segundo a historiadora Renata Melo, que é diretora-geral da Seção Regional da Associação Nacional de História (ANPUH) no Distrito Federal e vice-coordenadora do NEAB – Núcleo de Estudos Afro Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), os impactos da ditadura vêm sendo negados por parcela da população que chega a enaltecê-la. O ato antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 foi uma das materializações desse pensamento.  

Brasília – Historiadora Renata Melo fala sobre o que o Globo de Ouro de Fernanda Torres mostra sobre os atos golpistas – Foto Luan Gramacho/Divulgação

“Nos últimos anos, vivenciamos uma reiterada negação de fatos históricos que aconteceram no Brasil, o que traz resultados negativos para boa parte da sociedade, mesmo para os que não compreenderam, não vivenciaram aquele momento histórico, que foi a ditadura e os impactos que ocasionaram na sociedade”, diz.

De acordo com Melo, o filme “traz à tona uma memória e uma parte da sociedade que ainda luta para que ela não seja lembrada e, inclusive, que seja negada. Negar que a ditadura aconteceu, negar os impactos negativos dessa ditadura para várias famílias, negar, inclusive, entre aspas, os vistos como subversivos, como aconteceu com aquela família, com o desaparecimento e tudo que impactou na sua trajetória”.

Abreu complementa: “A gente vive num país que lida com certa dificuldade em relação a memórias recentes e mais distantes, do ponto de vista temporal, cronológico. Então, por mais que a gente ainda esteja muito próximo do período da ditadura militar, são poucas décadas desde o fim formal do regime, a gente ainda vive numa sociedade com resquícios, com várias heranças desse passado ditatorial. E todas elas muito nocivas, muito negativas e que dificultam o avançar da nossa democracia, a saúde da nossa democracia, haja visto os ataques recentes a ela, que tiveram seu ápice no 8 de janeiro”.

Memória, verdade e justiça

A ditadura militar se estendeu de 1964 a 1985. O período em que o país foi controlado por militares é marcado por repressão, censura à imprensa, restrição aos direitos políticos e perseguição aos opositores do regime. A Comissão Nacional da Verdade reconheceu 434 mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar. A Comissão Camponesa da Verdade também reconheceu o impacto da ditadura para os povos do campo e apresentou, em 2015, um relatório que lista 1.196 camponeses e apoiadores mortos ou desaparecidos entre 1961 e 1988. 

Segundo o integrante do coletivo Filhos e Netos Memória Verdade e Justiça, Leo Alves, que compõe a direção executiva da Coalizão Brasil Memória Verdade Justiça Reparação e Democracia, ainda falta ao Brasil a chamada justiça de transição. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), justiça de transição é o conjunto de processos e mecanismos relacionados com os esforços de uma sociedade para superar um legado de graves violações de direitos humanos cometidos em larga escala no passado, a fim de assegurar responsabilização, administração da justiça e reconciliação.

“Talvez a mais fundamental medida reparatória seja a justiça, é a condenação dos graves violadores de direitos humanos agentes de Estado, inclusive da repressão da época da ditadura e muitos civis também”, defende. “Não temos condenação de torturadores e isso é muito ruim para qualquer país. É isso, memória, verdade, justiça”.

Brasília – Léo Alves, do coletivo Filhos e Netos Memória Verdade e Justiça – Foto Aline Deluna/Divulgação

Alves é neto de Mário Alves de Souza Vieira, que foi jornalista e dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário um dos desaparecidos pela ditadura em 1970. Alves cresceu ao lado de mulheres como a própria mãe e a avó, que lutavam e seguem lutando, como fez Eunice em Ainda Estou Aqui, por reparação. “É isso que o filme busca, de certa forma, retratar com a Eunice. A Eunice é isso, essa mulherada aí que lutava pela anistia [aos presos e perseguidos políticos] nos anos 70 e que mobilizou toda uma sociedade”.

Ele está otimista com a repercussão do filme. “O meu desejo para 2025, a partir de agora, é que esse filme abra as portas para a construção adequada da memória da ditadura militar no Brasil”.

Arte e sentimentos

Para o historiador e integrante do Coletivo RJ por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia Paulo Cesar Azevedo Ribeiro, a preservação da memória é importante para que crimes como os cometidos na ditadura não se repitam. Segundo ele, o ato golpista de 8 de janeiro mostra que a democracia ainda é frágil no país e precisa ser cuidada. “Nós não temos aqui exatamente uma democracia real e justa socialmente e economicamente”, diz. “Estamos muito preocupados com a manutenção da democracia e com o alargamento e aprofundamento dela para uma democracia real em que se combata a fome, as desigualdades sociais e todos tenhamos direito a uma vida digna”, acrescenta.

Brasília – O historiador Paulo Cesar Azevedo Ribeiro – Foto Paulo Cesar/Arquivo Pessoal

De acordo com Ribeiro, pela arte, o filme fez a história da família Paiva e a discussão sobre a ditadura chegar onde trabalhos acadêmicos não chegam. “O papel do cinema, da literatura, da poesia, da música, do teatro é muito importante. Nós, que somos pesquisadores, historiadores, cientistas sociais, produzimos monografias, dissertações, teses. Mas temos uma linguagem fria, nós traduzimos em quantidades e qualidades, fazemos análises, hipótese de trabalho, tentamos comprovar com documentos, entrevistas, depoimentos. Os artistas conseguem muito mais, conseguem comover as pessoas por meio dos sentimentos”.  

Para Gilmar Mendes, destruição do STF no 8/1 resultou de manipulação

O ministro Gilmar Mendes, 69 anos, é o membro mais antigo da atual composição do Supremo Tribunal Federal. Está no STF desde junho de 2002, após indicação do então presidente Fernando Henrique Cardoso e aprovação no Senado Federal com 57 votos para substituir o ministro José Néri da Silveira, nomeado em 1981 pelo ditador João Figueiredo, o último presidente do regime militar.

No STF, antiguidade é posto. O ministro com mais tempo de Casa goza do status de “decano”. Alguém que atua como ponto de interlocução e de diálogo com demais ministros, como o próprio Gilmar Mendes define.

Brasília (DF), 17/03/2024 – O ministro do STF, Gilmar Mendes, durante entrevista exclusiva. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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Articulado, lida com políticos e dirigentes de todos os espectros partidários; e ainda atende solicitamente jornalistas no seu gabinete, decorado com quadros que emolduram entrevistas e charges nas quais é personagem. Nas sessões do tribunal, sai em defesa da própria Corte e dos demais ministros quando avalia necessário.

Habituado à conciliação e também a embates conhecidos nacionalmente, o ministro se abateu com a destruição do plenário do Supremo em 8 de janeiro de 2023.

“Uma boa parte da minha vida está associada ao Supremo. É como se uma fotografia ou um filme da minha vida tivesse sido rasgado”, comparou.

Para ele, ver parte do prédio do STF destruído provocou emoções que ainda não havia experimentado no longevo cargo, e gerou “um misto de revolta, de vergonha, e um sentimento de [ter sofrido] uma agressão”, como expressa em entrevista para o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, com participação da Agência Brasil.

Lágrimas e vandalismo

 “E vocês vão se lembrar de imagens que têm. Quando cheguei em Brasília, vim diretamente para o gabinete e, em seguida, fui visitar o plenário, que estava sem luzes, estava ainda muito molhado. E eu, quando fui dar uma entrevista, fui às lágrimas”, lembra o ministro.

Conforme o relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, o prédio do STF foi o mais afetado pelo vandalismo da manifestação.

Os danos ao local, incluindo a recuperação e aquisição de equipamentos, mobiliário, obras de arte, relíquias e outros objetos, custaram R$ 11,41 milhões aos cofres públicos– bem acima do verificado no Senado Federal (R$ 3,5 milhões), na Câmara dos Deputados (R$ 3,55 milhões) e no Palácio do Planalto (R$ 4,3 milhões).

Para Gilmar Mendes, a destruição do prédio foi colérica e resultou de manipulação.

“A gente percebe, pelas cadeiras arrancadas, pelos danos que causaram, que havia uma raiva intrínseca que foi, de alguma forma, manifestada nessas agressões. Isso talvez seja fruto deste envenenamento da opinião das pessoas. Todo esse discurso de que o problema do Brasil estava no Supremo Tribunal Federal.”

Atuação na pandemia

Na avaliação do decano, o desengano de parte da opinião pública foi alimentado, por exemplo, quando o STF decidiu em 2020 que a vacinação compulsória contra a covid-19 era constitucional.

“Muitos defendiam [que] o Supremo impediu a política pública de Jair Bolsonaro de ser implementada. Isso parece uma ironia. Que política pública Bolsonaro estava a defender? A chamada imunidade de rebanho. Vacina foi comprada graças à determinação do Supremo Tribunal Federal”, registra.

Para ele, o que a Corte determinou “foi a aplicação de normas racionais sobre a pandemia, [e] repudiar o negacionismo, reforçar a posição de governadores que queriam aplicar um tratamento científico e evitar o uso de placebo, o uso de cloroquina ou ivermectina. Em suma, o Tribunal teve um papel importante. Muito provavelmente, pessoas e famílias que foram salvas graças à ação do tribunal, se colocaram contra o tribunal.”

“São intervenções absolutamente legítimas, evitando que houvesse abusos aqui que agravassem ainda mais a situação da saúde na pandemia, reforçando o papel do SUS. Acho que o tribunal agiu bem. Veja que nós tivemos mais de 700 mil mortos graças a covid. Poderia ter sido maior se o tribunal tivesse sido omisso nesse contexto”, avalia.

Agência Brasil enviou mensagem ao advogado Paulo Bueno, defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro, para manifestação, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto.

Lula agradece Catar por sediar Cúpula da Aliança Global contra a Fome

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta terça-feira (7), por telefone, com o Emir do Catar, o xeique Tamim Bin Hamad Al Thani. Na chamada, segundo o Palácio do Planalto, os líderes trocaram impressões sobre a relação bilateral entre os dois países, que esse ano completa 50 anos.

Lula também acertou a vinda do Emir ao Brasil este ano, retribuindo a visita que o presidente havia feito ao país em novembro de 2023. O xeique Tamim Bin Hamad Al Thani esteve no Rio de Janeiro, em novembro passado, para a Cúpula do G20, organizada pelo governo brasileiro.

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Lula aproveitou a ligação para cumprimentar o Catar pelo apoio à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e pela decisão de sediar a primeira Cúpula da Aliança, que será em novembro deste ano, em paralelo à Cúpula Mundial de Desenvolvimento Social da Organização das Nações Unidas, em Doha, capital do país árabe.

Lançada justamente na Cúpula do G20, por iniciativa do governo do Brasil, a Aliança conta com a adesão formal de 82 países, dois grandes blocos regionais, que são a União Europeia e a União Africana, 24 organizações internacionais, nove instituições financeiras e 31 organizações filantrópicas e não governamentais.

A adesão, que começou em julho e segue aberta, é formalizada por meio de uma declaração, que define compromissos gerais e específicos, os quais são alinhados com prioridades e condições específicas de cada signatário.

Entre as ações estão os “Sprints 2030”, que são uma tentativa de erradicar a fome e a pobreza extrema por meio de políticas e programas em grande escala.

A Aliança Global espera alcançar 500 milhões de pessoas com programas de transferência de renda em países de baixa e média-baixa renda até 2030, expandir as refeições escolares de qualidade para mais 150 milhões de crianças em países com pobreza infantil e fome endêmicas e arrecadar bilhões em crédito e doações por meio de bancos multilaterais de desenvolvimento para implementar esses e outros programas.

A Aliança terá governança própria vinculada ao G20, mas que não será restrita às nações que integram o grupo.

A administração ficará a cargo de um Conselho de Campeões e pelo Mecanismo de Apoio. O sistema de governança deverá estar operacional até meados de 2025. Até lá, o Brasil dará o suporte temporário para funções essenciais.

BNDES tem edital focado em minerais estratégicos para descarbonização

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conjuntamente com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), lançaram nesta terça-feira (7) uma chamada pública voltada para o fomento de planos de negócios que visem a transformação de minerais considerados estratégicos para a transição energética e para a descarbonização. Propostas poderão ser submetidas entre os dias 13 de janeiro e 30 de abril. Os resultados serão divulgados em 12 de junho. O objetivo é desenvolver cadeias de minerais como lítio, terras raras, níquel, grafite e silício, além de mobilizar investimentos para a fabricação de células de baterias, células fotovoltaicas e imãs permanentes, entre outros componentes.

Com o orçamento de R$ 5 bilhões, o BNDES e o Finep vão investir tanto em capacidade produtiva como em pesquisa e inovação. A iniciativa envolve linhas de crédito, participação acionária em empresas e recursos não reembolsáveis. O apoio vai abranger plantas em escala industrial e, também, plantas-piloto ou de demonstração que integrem estudos em curso com vistas à viabilização de novas capacidades industriais. “A presente chamada poderá alavancar nos próximos anos investimentos em um volume de cinco a dez vezes o orçamento disponibilizado”, registra comunicado divulgado pelo BNDES.

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A exploração de minerais estratégicos é considerada necessária para assegurar a transição energética, já que são essenciais para a fabricação de peças e equipamentos associados à ideia de energia verde. Por exemplo, há demanda por silício para os painéis fotovoltaicos usados na geração de energia solar e por níquel e lítio para produção de baterias. Eles também são chamados de minerais críticos, tendo em vista que sua disponibilidade atual é limitada, embora a exploração venha crescendo gradualmente.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em manifestação citada no comunicado da instituição, afirmou que haverá acesso às melhores opções de financiamento disponíveis para as indústrias no Brasil. “A chamada representa importante avanço no âmbito do setor mineral para a consecução dos objetivos do governo brasileiro de expandir a capacidade produtiva da indústria no contexto de desenvolvimento sustentável e tecnológico da nova política industrial e do plano de transformação ecológica”, acrescentou.

Condições favoráveis

O Brasil tem sido apontado como um dos países que podem alavancar a produção internacional. No território brasileiro está a maior reserva de nióbio, a segunda maior de grafite natural e a terceira maior de níquel. O país já é, altualmente, responsável pela quinta maior produção de lítio e terceira maior produção de silício. Esse cenário, além de colocar o Brasil na posição de exportador, lhe dá condições favoráveis para desenvolver suas capacidades de geração eólica e solar e seu mercado automotivo, já envolvido em um processo de eletrificação que demandará cada vez mais células de baterias e outros componentes.

A exploração desses minerais, no entanto, tem sido atrelada a criação de novas áreas de conflito segundo um estudo divulgado no ano passado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (Poemas), ao qual são vinculados pesquisadores de diferentes instituições científicas, como as universidades federais de Juiz de Fora (UFJF), Fluminense (UFF) e de Viçosa (UFV). Eles identificaram 348 ocorrências de violações de direitos em 249 localidades, no período de 2020 a 2023.

Ao menos, 101 mil pessoas teriam sido afetadas. Segundo o estudo, os pequenos proprietários rurais são 23,9% das vítimas de violações de direitos. Trabalhadores representam 12,1% e indígenas 9,8%. Os pesquisadores do Poemas defendem que a transição energética não pode ser compreendida como uma simples substituição de bases tecnológicas e fontes de energia. Para eles, são necessárias medidas para se coibir a ampliação dos conflitos ambientais.

 

Governo brasileiro cumprimenta Zimbábue por abolição da pena de morte

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu nota nesta terça-feira (7) para saudar a abolição da pena de morte no Zimbábue, país de 16 milhões de habitantes que fica no sul do continente africano. A medida é fruto de uma lei aprovada pelo Parlamento zimbabuano e sancionada pelo presidente Emmerson Mnangagwa, que comutou a pena de 62 pessoas que estavam no corredor da morte pela de prisão perpétua. A discussão sobre a medida se estendia desde 2023.  

“Com a decisão, o país africano junta-se à maioria dos Estados que já aboliram a pena de morte e reafirma seu compromisso com o sistema multilateral e com os direitos humanos, em particular, com o direito de todo indivíduo de não ser submetido a tratamento cruel, desumano ou degradante. A abolição é, também, um marco para o continente africano, onde mais de 20 países já aboliram totalmente a pena capital, e onde o movimento abolicionista tem avançado de maneira acelerada”, disse o MRE, em nota. A última execução no Zimbábue ocorreu há quase duas décadas, em 2005.

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O Brasil integra a Força-Tarefa Inter-Regional sobre a moratória do uso da pena de morte (IRTF). Trata-se de uma articulação que estimula os países a aplicarem moratória à pena capital, por meio de resolução apresentada a cada dois anos à Assembleia Geral das Nações Unidas. Em 2024, segundo o Itamaraty, a resolução contou com apoio recorde, mobilizando mais de dois terços dos Estados membros da ONU.

Dólar cai para R$ 6,10 e fecha no menor valor desde dezembro

Num dia de bom humor externo, o dólar caiu pela segunda vez seguida e acumula queda de mais de 1% em 2025. A bolsa de valores subiu quase 1% e recuperou os 121 mil pontos.

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (7) vendido a R$ 6,104, com recuo de R$ 0,007 (-0,12%). A cotação operou em forte queda durante quase todo o dia, chegando a R$ 6,05 por volta das 13h. À tarde, voltou a rondar a estabilidade, até fechar em pequena baixa.

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A cotação chegou ao menor valor de fechamento desde 21 de dezembro. A moeda norte-americana acumula queda de 1,23% em 2025.

O mercado de ações teve mais um dia de recuperação. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 121.163 pontos, com alta de 0,95%. O indicador chegou a subir 1,41% às 12h30, mas desacelerou durante a tarde, seguindo o mercado internacional.

Pela manhã, o dólar continuou a cair na expectativa de que o governo do presidente eleito Donald Trump poderá moderar o tarifaço a produtos de outros países, medida prometida durante a campanha eleitoral. No entanto, o mau-humor voltou ao mercado externo durante a tarde, após Trump conceder uma entrevista em que reafirmou as intenções de anexar a Groenlândia e o Canal do Panamá.

No mercado interno, os investidores aproveitaram a queda acentuada do dólar durante a manhã para comprar moeda norte-americana durante a tarde. Isso contribuiu para que a divisa voltasse à estabilidade perto do fim da sessão.

* com informações da Reuters

SP: governo recomenda que banhistas evitem mar por 24 horas após chuva

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforçou nesta terça-feira (7) orientações à população para evitar o contágio com gastroenterocolite aguda. O aumento de casos da doença, que ocorre principalmente na Baixada Santista, no litoral paulista, está sendo monitorado pelas autoridades de saúde.

Além de redobrar os cuidados com a higiene pessoal e observar as condições sanitárias de bares e restaurantes, a recomendação à população também é evitar tomar banho de mar nas 24 horas seguintes à ocorrência de chuva.

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“Não é recomendado tomar banho de mar nas 24 horas após períodos de chuva. Além disso, a lavagem das mãos deve ser intensificada e o consumo de água deve ser limitado àquela de procedência confiável, preferencialmente mineral ou filtrada”, destacou a diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria de Estado da Saúde, Alessandra Lucchesi.

Segundo a diretora, em caso de sintomas como diarreia, mal-estar, dor abdominal, náuseas e vômito, é essencial reforçar a hidratação. Se os sintomas piorarem, é necessário procurar atendimento médico.

Os banhistas devem ficar atentos às sinalizações sobre a qualidade da água do mar. Os locais com bandeira verde são considerados próprios para banho, já os com bandeira vermelha devem ser evitados.

Na Baixada Santista, das 72 praias monitoradas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), 22 estão impróprias para banho: as sete praias monitoradas de Santos estão impróprias; todas as praias de Bertioga estão adequadas para banho; Guarujá tem 2 impróprias para banhistas; Itanhaém, 2 impróprias; Mongaguá, 3 impróprias; Peruíbe tem as 6 praias adequadas para banho; Praia Grande, 6 impróprias; São Vicente, 2 impróprias; e Cubatão, 1 praia apropriada para banhistas. A situação das praias paulistas pode ser consultada no site da Cetesb.

Gastroenterocolite aguda

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de SP, as principais características da gastroenterocolite aguda e das doenças de transmissão alimentar (DTA) são diarreia aquosa, com muco ou sangue, mal-estar geral, dor abdominal, náusea, vômito e febre.

As orientações para evitar contaminação são: não entrar na água da praia se ela estiver classificada como imprópria pela Cetesb; evitar banhos de mar 24 horas após as chuvas; evitar alimentos mal cozidos; manter os alimentos bem refrigerados, com atenção especial às temperaturas dos refrigeradores e geladeiras dos supermercados onde os alimentos ficam acondicionados.

Também é recomendado levar lanches feitos em casa para passeios e mantê-los corretamente armazenados; observar bem a higiene de lanchonetes e quiosques; lavar as mãos antes de se alimentar ou preparar alimentos; beber água filtrada; e, em caso de diarreia, intensificar a hidratação e, se necessário, buscar atendimento médico.

Em busca de 12º título da Copinha, Corinthians bate o Rio Branco

Em busca de seu 12º título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Corinthians derrotou o Rio Branco-AC por 3 a 0, nesta terça-feira (7) no estádio Bruno José Daniel, em Santo André, para garantir a classificação antecipada para a segunda fase da principal competição de futebol de base do mundo.

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Maior campeão da Copinha, o Timão contou com gols de Luiz Fernando, Denner e Dieguinho para triunfar nesta terça. Agora, para fechar a primeira fase da Copa São Paulo com a liderança do Grupo 27, os Filhos do Terrão precisam ao menos empatar com o Santo André, em partida que será disputada a partir das 17h (horário de Brasília) da próxima sexta-feira (10).

A equipe comandada pelo técnico Orlando Ribeiro começou a construir a vitória aos 10 minutos do primeiro tempo, quando Luiz Fernando aproveitou rebote dado pelo goleiro Jaderson para apenas escorar para o fundo do gol.

O 2 a 0 saiu apenas aos 5 minutos da etapa final, com Denner batendo de primeira após cruzamento de Caipira. Aos 29 minutos Dieguinho deu números finais ao marcador com um belo gol.

Outros resultados desta terça:

Nacional 0 x 1 XV de Piracicaba
Santa Fé 1 x 6 Ponte Preta
Votoraty 0 x 0 Novorizontino
Taubaté 1 x 0 Inter de Minas
União Suzano 2 x 0 União Aragainense
Sfera 1 x 0 Piauí
Aster Itaqua-SP 0 x 2 Falcon-SE
Barra-SC 1 x 0 Internacional
Ibrachina 7 x 1 Araguacema
Santo André-SP 2 x 0 Porto-Velho-RO
Canaã-DF 0 x 0 Vasco
Iape-MA 1 x 1 Cuiabá
Genus 0 x 3 ABC
Marcílio Dias-SC 2 x 3 Goiás
Bragantino 4 x 3 Avaí
Estrela de Março 0 x 3 América-MG
Dourados 0 x 2 Vila Nova
Flamengo 2 x 0 América-SE
Monte Roraima 1 x 2 Náutico
XV de Jaú 1 x 0 Serra Branca-PB
Itapirense 0 x 4 Portuguesa
Picos-PI 0 x 7 São Paulo
América 1 x 0 Atlético-GO
Capivariano 1 x 1 Sergipe-SE

Após chuva forte e granizo, 250 mil imóveis continuam sem luz em SP

Oito horas após um temporal atingir a região metropolitana de São Paulo, cerca de 250 mil imóveis permanecem sem luz. A maior parte está na capital, 216 mil. O município de São Caetano do Sul, no ABC, ainda tem quase 18 mil domicílios no escuro, 20% do total, conforme dados divulgados pela concessionária Enel. 

São Caetano foi o mais afetado pelo temporal, com problemas generalizados na rede de distribuição, afetando seis em dez usuários durante o dia. A Defesa Civil registrou 50 quedas de árvores e 12 moradores ficaram desalojados, sendo abrigados na casa de parentes. Os bairros mais afetados foram Oswaldo Cruz, Barcelona, Cerâmica, Santo Antônio e Jardim São Caetano. No centro da cidade, dez veículos foram atingidos pela queda da cobertura de um estacionamento. Não houve feridos.

Granizo

A capital chegou a registrar ventos de até 78 km/h, com precipitação de granizo em bairros das zonas leste e oeste. Um córrego transbordou na zona leste, região mais atingida da cidade.

Em Ferraz de Vasconcelos, uma casa desabitada desabou.

No litoral norte, apesar de alerta emitido pela Defesa Civil para Ubatuba, não houve registro de situações de maior perigo, apenas alguns pontos de alagamento em avenidas.

O leste paulista, os demais estados do Sudeste, todo o Centro-oeste e as porções continentais das regiões Norte e Nordeste têm alertas de chuvas fortes, enchentes e deslizamentos para hoje e quarta-feira (8). 

Arquivo Público do Rio vai fechar por risco de incêndio e desabamento

O governo do Estado do Rio anunciou em comunicado oficial nesta segunda-feira (6) que o Arquivo Público do Rio de Janeiro (Aperj) vai fechar por tempo indeterminado, devido ao risco iminente de incêndio e condições estruturais obsoletas. O prédio está com sistema elétrico antigo e, além disso, não possui alvará de funcionamento emitido pelo Corpo de Bombeiros. Tais condições expõem funcionários, colaboradores e pesquisadores a sérios riscos.

O diretor da instituição, Victor Travanca disse que, apesar das dificuldades, a equipe do Arquivo Público já está trabalhando para viabilizar as reformas necessárias. Ele afirmou que, em breve, o Arquivo retornará às suas atividades, mas não mencionou data.

A direção também informou que todas as irregularidades encontradas serão encaminhadas ao Ministério Público e à Justiça, para que as responsabilidades sejam apuradas e as medidas cabíveis sejam tomadas.

O Arquivo Público do Estado do Rio e Janeiro é uma das instituições responsáveis pela preservação da memória histórica do estado. Localizado na Praia de Botafogo, zona sul do Rio, possui um arquivo com mais de 30 mil peças históricas. Com mais de 93 anos de fundação, se dedica à conservação de documentos que datam desde o século 18.

Acervo

O acervo é formado por documentos de diversos gêneros e suportes, como textuais, audiovisuais, cartográficos, bibliográficos, eletrônicos, além de objetos, relevantes para o estudo da história e da sociedade fluminense, a partir da segunda metade do século XVIII.

Os documentos mais procurados para pesquisa são os produzidos pelas Polícias Políticas do Rio de Janeiro, (POL), como o acervo do antigo  Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara (Dops), que atuou diretamente na repressão na época da ditadura militar, iniciada em 1964, trabalhando em conjunto com as forças militares de repressão.