Usina solar garantirá descarbonização da energia em Noronha até 2027

O projeto da Usina Solar Noronha Verde, que tem o objetivo de descarbonizar a geração de energia elétrica no arquipélago de Fernando de Noronha até 2027, foi lançado neste sábado (8) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e o grupo Neoenergia. A estrutura prevê o abastecimento completo da ilha de energia elétrica por fonte solar. A parceria tem também a participação do governo de Pernambuco.

Com investimento de R$ 350 milhões da Neoenergia, o empreendimento prevê a instalação de mais de 30 mil painéis solares fotovoltaicos integrados a sistemas de armazenamento por baterias. Os painéis serão instalados em 24,63 hectares, o que equivale a 1,5% da área de Fernando de Noronha. Essas áreas foram cedidas pela Aeronáutica e pela administração da ilha, que é feita pelo governo pernambucano.

Notícias relacionadas:

A implantação será realizada em duas fases, sendo a primeira prevista para entrar em operação até maio de 2026 e a segunda, no primeiro semestre de 2027. Com isso, Noronha será a primeira ilha oceânica habitada da América Latina a alcançar esse patamar de descarbonização. O anúncio do projeto ocorreu às vésperas da COP30, que será, este ano, no Brasil.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que, com o Noronha Verde, o país dá exemplo, no âmbito da COP30, em relação à transição de matriz energética.

São Paulo – 08/11/2025- O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), e o grupo Neoenergia lançaram, neste sábado (8), o projeto da Usina Solar Noronha Verde. Foto: divulgação Neoenergia – divulgação Neoenergia

“Nós avançamos nessa nova economia, que é a economia verde. [A mudança da matriz energética], que começou sob o pilar da sustentabilidade, hoje gera emprego e renda. Não há solução fora dessa nova economia. Fernando de Noronha dá exemplo para o mundo. O Brasil dá exemplo dentro da COP, da sua mudança da matriz energética”, disse Silveira.

Para Ignacio Galán, presidente da Iberdola, que é a controladora da Neoenergia, o projeto celebrado hoje é um exemplo de como a cooperação e uma visão compartilhada podem transformar realidades, além de deixar um legado para as gerações futuras.

“Nada disso seria possível sem uma política energética clara, a visão promovida pelo presidente Lula e pelo ministro Silveira e a estabilidade regulatória do país tornaram o Brasil uma referência mundial no setor elétrico”, disse Galán.

A nova planta solar fotovoltaica, integrada ao sistema de baterias, terá capacidade de geração de 22 MWp, com 49 MWh de sistema BESS, o equivalente ao consumo de 9 mil residências no continente, informou a empresa.

“Reforço ainda que os benefícios do projeto vão além da energia limpa e sustentável, o projeto também contribuirá para o sistema elétrico brasileiro ao reduzir em até 10% o custo da geração da ilha. Portanto, energia mais limpa, sustentável e mais barata”, disse o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui.

Ele explicou que, durante o dia, a usina solar fornecerá a energia necessária para o consumo instantâneo da ilha e para carregar as baterias, enquanto durante a noite as baterias, previamente carregadas, fornecerão a energia para o consumo noturno. “Tudo isso com segurança no fornecimento e emissões zero.”

A professora Edileuza Maria dos Santos, moradora de Fernando de Noronha, participou do evento e falou em nome da comunidade.

“Queríamos ver nossa ilha crescer sem perder a essência da natureza que tanto amamos. E agora, com essa usina solar, isso será possível. Nos orgulhamos em saber que teremos energia limpa e um futuro feliz para nossos filhos, nossos netos e nossa comunidade”, disse.

Em seu discurso, a governadora de Pernambuco Raquel Lyra saudou a professora Edileuza. “Muito bom ouvir sua fala porque, na verdade, tudo isso importa se fizer sentido pra vocês. Se não fosse pra trazer repercussão de verdade, para modificar a vida de quem vive aqui, pra gente não faria sentido algum, então obrigada pela confiança”, disse. Ela acrescentou que “um lugar só é bom para visitar quando ele é bom pra viver”.

 

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, afirmou que tirar o diesel da geração de energia de Noronha é um novo começo para a ilha. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Arquivo Agência Brasil

Segundo Lyra, por muito tempo a ilha não recebeu investimentos. “A gente hoje lança uma pedra fundamental. Tirar o diesel daqui significa um novo começo para Fernando de Noronha. Tirar combustível fóssil da ilha, [significa] permitir que a gente possa começar uma nova janela de oportunidade, de investimentos em turismo e desenvolvimento sustentável”.

Energia gerada por diesel

Atualmente, a energia consumida em Fernando de Noronha é gerada pela Usina Tubarão, à base de diesel – um combustível fóssil -, que atende 95% da demanda. Os outros 5% são atendidos por três pequenas usinas solares que operam na ilha. Após a transição completa, Tubarão ficará disponível apenas como backup, em caso de alguma necessidade.

Considerando a logística desse combustível, em média 200 mil litros de diesel chegam por meio de navios oriundos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. São utilizados na usina cerca de 30 mil litros de combustível por dia para o abastecimento energético na ilha. Segundo a empresa, em 2024, a operação da Usina Tubarão resultou na emissão de 21 toneladas de CO².

A Neoenergia informou que o projeto da usina solar foi licenciado pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), com anuência do ICMBio, gestor das Unidades de Conservação Federal. “Será um legado para o país em um momento em que recebemos o mais importante evento com foco na agenda climática global, a COP”, disse Capelastegui.

*A repórter viajou a convite da Neoenergia

Brasil cai nos pênaltis para o México e fecha em 4º no Mundial Sub-17

Por muito pouco a seleção brasileira de futebol feminino sub-17 não terminou o Mundial da categoria no pódio. Neste sábado (8), na disputa do terceiro lugar, a equipe vencia o México até os acréscimos, quando Evelin marcou contra e levou a decisão da colocação final para os pênaltis. Após o empate por 1 a 1 no tempo normal, as mexicanas fizeram 3 a 1 nas cobranças das penalidades e ficaram com o terceiro posto.

A quarta colocação é o melhor resultado do Brasil na história da competição. A final acontece neste sábado, entre Holanda e Coreia do Norte. O Mundial é disputado no Marrocos.

Notícias relacionadas:

Após um primeiro tempo equilibrado, o Brasil abriu o placar na reta final da partida. Aos 33 da segunda etapa, Maria fez boa jogada pela esquerda, foi até a linha de fundo e tocou para o meio. Kaylane completou de primeira para o fundo das redes.

A arbitragem sinalizou oito minutos de acréscimos e o México se beneficiou do tempo prolongado e de uma infelicidade brasileira para empatar. Aos 50, após falta cobrada na área, Evelin desviou de cabeça e acabou pegando a goleira Ana Morganti no contra pé, marcando contra. A atacante, autora do gol, ficou visivelmente abalada, chegando a chorar.

Nas cobranças de pênaltis, o Brasil começou bem, marcando com Gaby e vendo Ana Morganti defender a primeira cobrança adversária. No entanto, na sequência, os papéis se inverteram, com a seleção brasileira desperdiçando três cobranças, com Dulce Maria, Kaylane e Dany, enquanto o México converteu as três seguintes, encerrando a disputa em 3 a 1.

Tornados são fenômenos rápidos, mas difíceis de prever

Tornados, como o que atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, são fenômenos localizados, de curta duração e difíceis de prever. Como explica o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Danilo Siden, eles se formam dentro de nuvens de tempestade, e causam estragos quando atingem o solo.

“Com a formação do ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, a gente teve também a formação de uma frente fria na parte mais norte desse ciclone, ou seja, no Paraná. Dentro dessa frente fria, nós temos vários fenômenos, como chuvas intensas, tempestades de raios, queda de granizo, e há a possibilidade de uma dessas nuvens formar um tornado”, informou o meteorologista do Inmet.

Notícias relacionadas:

“É um fenômeno bem intenso, mas de curta duração, que a gente sabe que pode ocorrer dentro de uma frente fria, mas a gente não tem como fazer previsão porque ele é bem localizado”, acrescenta Danilo.

No caso de Rio Bonito do Iguaçu, a nuvem que deu origem ao tornado foi chamada de “supercélula” pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Como os ventos ultrapassaram 250 quilômetros por hora (km/h), o tornado foi classificado como F3, na escala Fujita, que vai de 0 a 5. Isso representa danos severos.

Formação de tornados

De acordo com o meteorologista, algumas características podem favorecer a formação de tornados, como a presença de ar mais quente próximo ao solo, e a mudança rápida na direção ou velocidade do vento, mas mesmo em locais que têm sistema de alertas só conseguem prevê-los com cerca de 15 minutos de antecedência.

No Brasil, os tornados parecem raros, mas não são. A engenheira ambiental e pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Instituto Serrapilheira, Celina Rodrigues, explica que a Região Sul do país é um dos locais com maior incidência da América do Sul, ao lado da Argentina e do Paraguai.

“Esse fenômeno é relativamente frequente, mas suas consequências ficam mais evidentes quando atingem áreas povoadas. É mais comum no período de transição entre a primavera e o verão”, disse Celina.

Apesar de ter ocorrido após a formação de um ciclone extratropical, a engenheira ambiental revelou também que os dois fenômenos não são iguais, e nem sempre ocorrem juntos.

“Os tornados são fenômenos de pequena extensão, que variam de dezenas a centenas de metros, podendo atingir poucos quilômetros, e têm uma duração que vai de segundos a minutos. Por outro lado, os ciclones atmosféricos são fenômenos de grande escala, que afetam grandes áreas. Sua duração geralmente é de alguns dias, cobrindo de centenas a milhares de quilômetros.”

O ciclone que ainda atua na costa das regiões Sul e Sudeste do país é chamado de extratropical por ser formado por massas de ar quente e fria. Além de causar ventos fortes, ele provocou o deslocamento de uma frente fria, levando chuvas intensas para diversos pontos dessas duas regiões.

Projeto mapeia locais com vulnerabilidade climática e sugere soluções

Com a ajuda da inteligência artificial (IA), entre outras ferramentas, o projeto da Universidade Federal Fluminense (UFF) Riskclima identifica as áreas do Brasil mais vulneráveis aos extremos climáticos e os problemas sociais causados por eles. Com essas informações, são propostas soluções específicas para cada localidade para melhorar a qualidade de vida da população.

Por vezes, as soluções são simples, como um lembrete constante para a população beber água. “Isso pode salvar vidas”. Em áreas de ondas de calor intensas, é comum as pessoas infartarem, principalmente idosos, e a desidratação está entre os fatores negativos.

Notícias relacionadas:

Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto Riskclima foi criado em 2022 e tem duração prevista até 2026. Os pesquisadores vêm observando o que está ocorrendo com o clima nas últimas seis décadas e fazendo projeções climáticas.

“A ideia é criar um relatório executivo e, de alguma maneira, tentar fazer com que ele possa contribuir para criação de políticas públicas”, diz o coordenador do projeto Riskclima, Márcio Cataldi, professor do Laboratório de Monitoramento e Modelagem do Sistema Climático (Lammoc) da UFF.

Como funciona o projeto

Os pesquisadores do Riskclima investigam quais são os fenômenos extremos mais frequentes e mais intensos que podem, de acordo com a vulnerabilidade, ocasionar algum tipo de risco. A partir da avaliação dos perigos prevalecentes em cada zona do país analisada, é realizado um levantamento das ações cabíveis para mitigar o impacto climático em cada área.

Uma das ferramentas utilizadas no projeto, é a IA, usada para adequar os modelos climáticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para uma realidade brasileira atual. O IPCC conta com modelos utilizados pelo mundo todo, que vão indicar a mudança climática daqui a 20 anos.

A IA é utilizada para selecionar os modelos mais eficazes de previsão do clima presente. Por exemplo, se um modelo faz uma simulação satisfatória, mas subestima a chuva, a IA aprenderá e aplicará esse conhecimento num próximo cenário.

Resultados encontrados

Na Região Norte, por exemplo, onde vai ocorrer, na próxima semana, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, a pesquisa tem observado ondas de calor intenso. “A gente tem observado o aumento das ondas de calor e desenvolveu durante o projeto um índice de onda de calor, que tinha aplicado na Europa. Quando a gente aplica esse índice para o Brasil, para nossa surpresa, a região onde as ondas de calor estão mais intensas nos últimos dez anos foi a Região Norte. Elas aumentaram em todo o país, mas na Região Norte foi onde elas mais aumentaram. Então, isso foi um resultado que a gente não tinha conhecimento. Foi um pouco assustador, porque é a região onde você tem menos capacidade de adaptação”, explicou Cataldi nesta sexta-feira (7) à Agência Brasil.

Cataldi defende que a Região Norte tem que ser discutida por vários níveis de conhecimento. As populações mais ribeirinhas, mais tradicionais, não querem, por exemplo, ações muito invasivas. De acordo com o professor da UFF, essas populações estão acostumadas a lidar com a variabilidade natural do clima.

“Então, não dá para você chegar com ventilador, um gerador elétrico para elas. Você tem que tentar trabalhar com soluções que elas aceitem. Mas, para isso, é preciso primeiro trabalhar com essas populações a nível de uma educação ambiental, mostrar que a variabilidade natural do clima que elas estão acostumados a lidar não existe mais. Todos os antepassados deles sempre lidaram com as oscilações do clima, mas a forma como o clima está oscilando hoje é diferente. Então, eles precisam sim de adaptações tecnológicas ou adaptações que sejam criativas, mas são adaptações diferentes. Esse é o primeiro desafio. São essas populações muito tradicionais”, apontou o professor.

Enchentes no Sul

Já na Região Sul, as chuvas são a maior preocupação. Ali, o projeto Riskclima analisa o aumento dos bloqueios atmosféricos. “Isso significa que quando a gente tem um bloqueio na Região Sudeste, as frentes frias não conseguem avançar para o Sudeste. Elas ficam paradas no Sul, como aconteceu em abril e início de maio do ano passado”. O pesquisador se refere às enchentes que deixaram 184 mortes no Rio Grande do Sul em 2024.

Márcio Cataldi lembrou que, este ano, o fenômeno aconteceu também, mas com menos intensidade. “O problema todo é que esse parece ser o padrão normal a partir de agora”. O pesquisador avaliou que precisa ser feito um levantamento, por exemplo, de áreas de inundação.

Em Porto Alegre, por exemplo, grande parte das áreas inundadas são superfícies favoráveis a inundações normalmente, em razão da posição geográfica em que se encontram. Márcio Cataldi a tragédia fna cidade foi agravada pela falta de manutenção e inoperância das comportas comportas na capital gaúcha.

Cataldi indicou que é necessário lidar com esses problemas de forma séria, criar políticas e trabalhar com a legislação para que essas políticas sejam continuadas. “Não pode ser uma coisa de um governo porque aí chega outro e diz que isso aqui não me interessa. Não pode ser”.

Seca

No Sudeste e no Centro-Oeste, a seca prevalece devido à ausência de chuva. Artigo publicado pelos pesquisadores do Riskclima na Revista Nature mostra que o primeiro passo mais grave da seca é que a umidade do solo vai diminuindo. Isso acontece porque durante anos consecutivos vem chovendo menos do que a média. Foram usados sensores de satélites da NASA para mostrar isso.

Cataldi destacou que Sudeste e o Centro-Oeste constituem a região mais populosa do país, a região de maior agricultura, onde estão os grandes reservatórios de energia. Por isso, o pesquisador destaca a necessidade de ciência e tomadores de decisão pensarem em forma de colocar a água como prioridade nacional. “Cada setor exige uma solução específica”.

Por exemplo, é preciso otimizar a irrigação, a geração de água dos aquíferos, otimizar as gerações de energias alternativas, renováveis, como a eólica e a solar, e preservar a geração hídrica. “Porque ela tem que ser usada quando você não tiver outras fontes de geração na base, porque os reservatórios, há muito tempo, não conseguem atingir níveis muito altos. Tem uma série de soluções que têm que ser pensadas para cada setor. Porque a gente está falando de abastecimento de água humana e para animais, agricultura, ou seja, tudo demanda energia. É necessidade básica da população brasileira”. Por isso, a questão da seca e do agravamento da seca é um ponto muito importante para ser tratado com urgência, sinalizou Cataldi.

Também no Nordeste, na região da Caatinga, do sertão, no semiárido, o principal problema é o agravamento da seca caminhando para um processo de desertificação, que se encontra já avançando. “É uma região que era seca, mas que está ficando mais seca”.

Saúde pública

Todos esses problemas climáticos acarretam impactos também na saúde pública, variando entre as regiões. Os bloqueios atmosféricos, por exemplo, estão mais frequentes na Região Sudeste. A pesquisa da UFF está estudando o quanto esses bloqueios atmosféricos afetam a qualidade do ar, porque eles aprisionam os poluentes próximo da superfície.

“Um ponto que a gente vai ver é uma piora da qualidade do ar, com o aumento desses bloqueios. Outro ponto importante é a questão de calor. Quando você tem uma perda de água muito grande, durante um episódio de onda de calor, o sangue fica mais viscoso; é como se ele ficasse mais fácil de embolar e, aí, isso facilita a coagulação, resulta em trombose e ataque cardíaco”. Essa desidratação abrupta acaba gerando ataques cardíacos.

O professor disse que o número de mortes por desidratação na Europa é absurdo. Na última onda de calor, registrada em 2023, ocorreram 70 mil mortes, informou. “A gente tem que tomar cuidado, porque por mais que o Brasil esteja acostumado com as ondas de calor, é preciso trabalhar para essa hidratação, principalmente com os idosos”.

Márcio Cataldi salientou que também os cuidadores e responsáveis pelos idosos devem estar informados da necessidade de todos se hidratarem. Esse é um grande desafio, admitiu. São coisas do cotidiano para os quais a gente precisa ficar mais alerta.

Próximos passos

Antes do encerramento do projeto, previsto para 2026, será apresentado às autoridades do Brasil um relatório executivo com propostas de soluções, visando a tomada de providências e a elaboração de políticas públicas que ajudem a sanar esses diferentes problemas climáticos.

“O importante é sentar com as autoridades, mostrar a urgência de implementação dessas políticas e nos colocar à disposição, como universidade pública, para ajudar a começar a mitigar os problemas climáticos”, afirmou Cataldi. “Não dá pra esperar”, ressaltou.

Cataldi argumentou que não se deve esperar 2050, porque os perigos climáticos já estão acontecendo agora. O objetivo, enfatizou, é trabalhar com o nível de conhecimento que se tem, para que essas soluções sejam adaptadas e comecem a fazer efeito, isto é, comecem a melhorar todos os problemas climáticos, até começar a mitigar.

O pesquisador esclareceu ainda que mesmo se os países deixassem de emitir hoje os gases de efeito estufa, o clima não voltaria ao que era antes. “Ainda demoraria duas décadas para retornar o equilíbrio. Então, o que a gente quer fazer é tentar mostrar onde as ações de mitigação deveriam ser prioritárias”.

Ciclone causa danos em dez municípios gaúchos e 200 mil ficam sem luz

O ciclone extratropical que atingiu a região Sul do Brasil nessa sexta-feira (7) causou estragos em, pelo menos, dez municípios gaúchos com chuvas de até 177 milímetros (mm) e ventos de até 95 quilômetros por hora (km/h), segundo boletim da Defesa Civil do estado publicado na manhã deste sábado (8).

A tempestade também deixou pelo menos 200 mil residências sem energia elétrica, segundo a CEEE Energia, empresa responsável por um terço da energia no estado. A companhia informou que trabalha para restabelecer os serviços, dando prioridade a hospitais e unidades de abastecimento de água.

Notícias relacionadas:

Apesar dos estragos menores que no Paraná, no Rio Grande do Sul o fenômeno causou a obstrução de vias, queda de árvores, destelhamento de residências e prédios comerciais, além de rompimento de cabos de energia elétrica.

Reportaram estragos os municípios de Anta Gorda, Bom Retiro do Sul, Cidreira, Erechim e Relvado, entre outros. Em Frederico Westphalen, houve o destelhamento de um pavilhão industrial e um depósito de madeireira.

O governador do estado, Eduardo Leite, informou que as equipes estão em campo tentando desobstruir as vias e auxiliando prefeituras e companhias de energia e saneamento para o restabelecimento dos serviços interrompidos.

“Houve uma linha de instabilidade que passou pelo estado, já gerando muitos ventos e chuva intensa. Trouxeram naturalmente muitos transtornos, quedas de árvores. que acabam fazendo cair energia elétrica”, comentou em rede social, acrescentando que os planos de contingência foram acionados.

As regiões mais atingidas foram o Norte do RS e a Grande Porto Alegre. As maiores chuvas foram registradas em Ilópolis, Anta Gorda, Dois Lajeadores e Arvorezinha. Já os ventos mais fortes foram registrados nos municípios de Planalto, Canguçu, Passo Fundo e Tramandaí. Em Porto Alegre, o vendaval chegou a 77 km/h e as chuvas ficaram em 28 mm.  

Paraná

Na cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu, seis pessoas morreram com a passagem do tornado. Cerca de 90% das residências e comerciais da cidade de 14 mil habitantes foram atingidos e pelo menos 750 pessoas ficaram feridas. O estado decretou calamidade pública.

Stefani e Babos perdem na decisão e ficam com o vice no WTA Finals

A melhor colocação de uma atleta brasileira em um torneio WTA Finals na história já está definida. Neste sábado (8), a parceria formada por Luisa Stefani e a húngara Timea Babos acabou derrotada por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (4) e 6/1, pela dupla formada pela belga Elise Mertens e pela russa Veronika Kudermetova, na decisão da competição em Riad, na Arábia Saudita.

O vice-campeonato é o melhor resultado de uma mulher do Brasil no torneio que reúne as melhores tenistas da temporada. Na versão masculina, o ATP Finals, o Brasil tem um título de simples com Gustavo Kuerten, em 2000 e dois vices com Marcelo Melo na chave de duplas, em 2014 e 2017.

Notícias relacionadas:

Com o resultado, Stefani vai encerrar a temporada na 14ª colocação no ranking de duplas da WTA (Associação Mundial de Tênis feminino). A melhor colocação da brasileira na história foi em 2021, quando chegou a ocupar o nono lugar. Naquele ano, ela conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, junto com Laura Pigossi.

Esta foi a primeira temporada da parceria entre Stefani e Babos. Em fevereiro, elas foram campeãs do WTA 500 de Linz, na Áustria. Foram outros três títulos: no WTA 500 de Estrasburgo, na França, no SP Open e no WTA 500 de Tóquio.

Paraná decreta calamidade pública após tornado destruir cidade

O governo do Paraná decretou neste sábado (8) estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do estado, após tornado ter atingido cerca de 90% das residências e prédios comerciais da área urbana do município de cerca de 14 mil habitantes. Seis pessoas morreram e 432 ficaram feridas.

“Decretei o estado de calamidade pública, que nos permite dar mais celeridade aos atendimentos e à liberação de recursos. Já determinei que a Cohapar estude estratégias para a reconstrução das moradias e estamos preparando alojamentos para garantir o amparo às famílias”, afirmou o governador Ratinho Junior.

Notícias relacionadas:

Diferentemente da situação de emergência, decretada quando o município ainda consegue atuar, o estado de calamidade pública é a resposta administrativa nos casos em que o impacto do desastre é tão grave que a capacidade de resposta da administração pública fica severamente comprometida, exigindo medidas mais amplas e urgentes.

O decreto de calamidade pública permite que o governo estadual adote procedimentos emergenciais, como a dispensa de licitações, a mobilização imediata de recursos e o pedido de apoio federal.

Com a medida, a prefeitura pode solicitar, além de recursos federais, recursos do Fundo Estadual de Calamidade Pública e firmar convênios emergenciais.

Equipes do governo federal foram enviadas a Rio Bonito do Iguaçu para auxiliar no apoio às vítimas e para estudar a reconstrução das áreas atingidas. Houve colapsos estruturais, danos à malha viária e à rede elétrica, o que deixou parte da população sem energia.

A tempestade foi classificada como tornado de categoria F3 com ventos que chegaram a até 250 quilômetros por hora, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Licença-paternidade é avanço, mas ainda é desigual no cuidado infantil

O Projeto de Lei 3935/2008 que aumenta de maneira gradual a licença paternidade para até 20 dias, apesar de representar um avanço na legislação, é tardia e não traz mudanças significativas para a condição das mulheres como principais – ou únicas – cuidadoras de bebês e crianças. A avaliação é da socióloga e psicanalista Marta Bergamin, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados, na terça-feira (4). 

“No Brasil, a gente tem muito estabelecido ainda papéis masculinos e femininos muito marcados. Eles estão marcados na sociabilidade geral, mas também estão marcados especialmente no mercado de trabalho. As mulheres cuidam das crianças, dos bebês, e os homens estariam mais voltados a atividades públicas, como o mundo do trabalho e a política”, explica Bergamin.

Notícias relacionadas:

Ela afirma ainda que é preciso ampliar o envolvimento dos pais como cuidadores de forma a valorizar o cuidado e o desenvolvimento de bebês e crianças.

“No Brasil, a gente se ocupa muito pouco de pensar sobre as crianças, o lugar das crianças na sociedade, que elas são as futuras gerações e que a gente precisa pensar na educação, nos cuidados iniciais do bebê e na formação do vínculo”, disse.

“Esses 20 dias já mudam um pouco, mas não nessa divisão da dupla jornada de trabalho [das mulheres], em que elas são vistas nesse papel do cuidado das crianças. As mulheres são vistas nessas tarefas de cuidado, na sociabilidade familiar, especialmente”, acrescentou.

Segundo Bergamin, no Brasil, as características patriarcal e machista da sociedade são obstáculos para o avanço de pautas como essa.

A socióloga aponta que, em outros países, há licenças parentais mais extensas e que podem ser divididas entre os responsáveis pelo bebê.

“São licenças maiores e muitas vezes podem ser compartilhadas. [Então] um casal pode escolher, de acordo com os momentos profissionais e vontades, quem vai ficar [de licença], e podem compartilhar também esse tempo.”

Licença-parental

O sociólogo e professor Rafael da Costa, que vai ser pai em breve, comemora a aprovação da lei, mas com ressalvas. “Acho que a licença é um avanço que chega relativamente tarde no Brasil. Na Europa, essa discussão já é feita há muito tempo. Estamos atrasados, mas temos que comemorar os avanços independentemente da conjuntura”.

Costa cita o caso da Alemanha, onde já existe a licença parental, que é dada tanto ao pai quanto para a mãe e tem a duração de três anos. Nesse caso, os pais combinam entre si como usar esse período de tempo.

“Acho que aqui no Brasil poderíamos experimentar modelos mais avançados como referência”.

Ele também levanta o receio de que a licença-paternidade estendida possa, eventualmente, não funcionar perfeitamente por se tratar de um benefício concedido a quem tem emprego formal. “A lei é para quem é CLT. Quem está fora deste vínculo, ela não se aplica na prática. Num país de elevada informalidade, essa lei pode não ter o efeito desejado. Esse é um ponto importante de atenção”, afirma.

Impacto positivo

Além da importância social, a licença-paternidade de 20 dias também tem uma relevância econômica, diz o economista Euzébio Sousa.

“Ela tem um impacto mais relevante e positivo sobre o mercado de trabalho. A desigualdade de acesso ao trabalho ainda penaliza fortemente as mulheres, que recebem salários menores, enfrentam maiores barreiras de progressão e são mais expostas a vínculos precários, como o emprego em tempo parcial ou a informalidade.”

Segundo o economista, isso acontece porque são elas que assumem a maior parte dos trabalhos de cuidado e das atividades domésticas. “No momento em que incluímos os pais nas atividades de cuidado dos primeiros dias, e idealmente dos primeiros meses, de vida do bebê, sinalizamos para o mercado de trabalho que tanto homens quanto mulheres estão igualmente sujeitos a se afastar do trabalho por responsabilidades familiares”, diz.

Sousa conclui reafirmando a importância da medida aprovada em Brasília nesta semana, que combina justiça social e economia. “A ampliação da licença-paternidade combina justiça social e estratégia de desenvolvimento econômico. Ao permitir que os pais compartilhem o cuidado com os filhos, ela reduz desigualdades de gênero, favorece o aumento da produtividade e sinaliza para o mercado que o trabalho e o cuidado são responsabilidades coletivas, não apenas femininas”.

Bancários

Ainda no campo da economia e do trabalho, a categoria dos bancários de São Paulo, Osasco e região está bem à frente de muitos outros neste tema da licença-paternidade estendida de 20 dias.

Este direito foi conquistado por esses profissionais há quase dez anos, na campanha nacional de 2016 e, desde então, é garantida pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

“A ampliação da licença-paternidade foi uma grande conquista do movimento sindical bancário. Ela é benéfica para os pais e para as crianças, que passam a contar com mais tempo de interação e cuidado. Além disso, ela contribui com uma melhor divisão entre homens e mulheres nas obrigações parentais”, disse, em nota, Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Tornado destrói 90% de cidade no Paraná e causa seis mortes

Imagens aéreas da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, mostram bairros inteiros destruídos pelo tornado que passou pela região Centro-Sul do estado na noite desta sexta-feira (7).

Dados da Defesa Civil apontam que 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu sofreram algum estrago na infraestrutura, seis pessoas morreram, duas estão desaparecidas e 432 estão feridas.

Notícias relacionadas:

A tempestade foi classificada como tornado de categoria F3 com ventos que chegaram a até 250 quilômetros por hora, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

O governador do estado, Ratinho Junior, informou que estuda decretar estado de emergência para facilitar a reconstrução dos locais atingidos pela tempestade.

“Em Rio Bonito do Iguaçu, praticamente, as pessoas hoje não têm onde dormir mais. Nós já estamos preparando desde ontem à noite alojamentos”, disse.

De acordo com Ratinho Junior, o Simepar ainda estuda o grau de força do fenômeno que atingiu Rio Bonito destruindo grande parte da cidade.

“Nos últimos 30, 40 anos não tinha se visto um tornado com essa força. Difícil realmente que alguma casa, até mesmo algum prédio comercial, tenha ficado de pé. Nós vimos silos gigantescos indo ao chão, postos de gasolina. Foi uma catástrofe sem muito precedente na história do estado do Paraná”, afirmou o governador.

Equipes do governo federal foram enviadas ao local para auxiliar no apoio às vítimas e estudar a reconstrução das áreas atingidas. Houve colapsos estruturais, danos à malha viária e à rede elétrica, o que deixou parte da população sem energia.

O hospital de Laranjeiras do Sul, próximo à Rio Bonito do Iguaçu, ficou lotado e atendeu mais de 200 pessoas. Ao todo, nove pessoas estão com ferimentos graves.

Expansão das facções aumenta a criminalidade nas cidades do interior

A desconcentração da violência letal nas grandes cidades, com a interiorização do crime e o avanço das facções para médias e pequenas cidades do país é destacada pelo Atlas da Violência 2025 – Retrato dos municípios brasileiros e dinâmica regional do crime organizado, divulgado nesta sexta-feira (7). O levantamento foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O relatório evidencia dois motivos para esse fenômeno. “Em primeiro lugar, as cidades que eram mais violentas há 10 anos conseguiram reduzir a letalidade. Por outro aspecto, em face da interiorização do crime, muitas cidades menores passaram a vivenciar em maior número a violência letal”.

Notícias relacionadas:

De acordo com o Atlas, as capitais como Fortaleza, São Luís, Goiânia, Cuiabá e o Distrito Federal registraram “reduções superiores a 60% nas taxas de homicídios entre 2013 e 2023”. Fato que contrasta com “o avanço da criminalidade e das disputas entre facções em municípios médios e interiores, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que passaram a concentrar episódios de violência antes restritos às metrópoles”.

Diminuição dos homicídios

Mesmo com a ampliação territorial das facções criminosas, o levantamento mostra uma continuada redução dos homicídios no país, tendência que se observa desde 2018.

“Em alguns estados, o processo começou muito antes, como é o caso de São Paulo, estado onde as mortes por causas violentas vêm diminuindo de forma contínua há mais de duas décadas”.

Expansão das facções

O relatório indica também que as facções criminosas estão presentes em todas as unidades da Federação, mas de maneira desigual. “Em alguns estados, a presença de vários grupos alimenta disputas territoriais intensas e letais, como ocorre na Bahia, onde atuam o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em aliança com facções locais, como o Bonde do Maluco e o Comando da Paz”.

A mesma disputa por território ocorre também em Pernambuco, o estado abriga pelo menos 12 facções em conflito. Elas são responsáveis por impulsionar as altas taxas de homicídios no estado.

“No Amazonas e no Amapá, as guerras entre CV, PCC e organizações regionais, como a Família Terror do Amapá e o Cartel do Norte, têm provocado escaladas de violência em cidades médias e portuárias estratégicas”, aponta o Atlas.

Já em outras regiões, os conflitos por domínio de territórios são de baixa intensidade, revelando uma convivência relativamente estável entre grupos rivais. “É o caso de São Paulo, onde prevalece uma espécie de pacificação, resultante do domínio de mercados ilegais por uma única e poderosa organização criminosa, o PCC”.

O mesmo acontece também em Minas Gerais. O estado também “abriga diversas facções fragmentadas, mas com menor grau de conflito aberto, e Santa Catarina, cuja atuação do Primeiro Grupo Catarinense (PGC) ocorre em um cenário de violência mais controlada e pontual”.

Diversidades de estratégias

O Atlas da Violência 2025 também destaca para o que chama de “diversidade de estratégias entre os grupos criminosos”.  Segundo o documento, os grupos criminosos com “estruturas mais estáveis e voltadas ao lucro tendem a conter o uso da violência ostensiva, enquanto organizações menores e fragmentadas recorrem com mais frequência a confrontos armados para afirmar poder e manter o controle territorial”.

Infiltração em atividades lícitas

O levantamento alerta para o fato do crime organizado se infiltrar em atividades produtivas lícitas e na gestão pública. Esse fenômeno, segundo o Atlas, “ameaça o Estado Democrático de Direito, com expansões na política, nas atividades produtivas lícitas e na gestão e contratos das administrações públicas. Essa expansão econômica e institucional das facções, segundo os autores, representa uma das faces mais perigosas do crime organizado contemporâneo”.

No caminho contrário dessa expansão do crime organizado, o relatório identifica avanços em políticas públicas qualificadas de segurança, que os do documento chamam de “revolução invisível na segurança pública”. “A partir da década de 2010, essa transformação tem englobado cada vez mais estados e municípios, combinando ações preventivas, qualificação policial e o uso de inteligência integrada”.

Dados de homicídios

Enquanto os municípios grandes (mais de 500 mil habitantes) tiveram, em 2023, taxa média de 23,6 homicídios por 100 mil habitantes, as cidades médias (entre 100 mil e 500 mil habitantes) apresentaram taxa média de 24,2 por 100 mil e as pequenas (até 100 mil habitantes) de 20 homicídios por 100 mil habitantes.

Os números mostram que os 20 municípios mais violentos do país possuíam, em média, população de 330 mil habitantes e uma média das taxas de homicídio estimadas de 65,4, o que é quase três vezes da média nacional. Por outro lado, a média das taxas de homicídio estimadas no grupo dos 20 municípios com menor letalidade era de 3,8. Portanto, comparando os 20 municípios mais e menos violentos do país, a prevalência de homicídio no primeiro grupo foi 17 vezes maior do que no último grupo – uma diferença maior do que aquela entre a taxa de homicídio do Brasil e da Europa, em que essa relação é de 10,4 vezes.

Em 1.548 (29,6%) dos 5.237 municípios classificados como pequenos não houve nenhum homicídio estimado (registrado ou oculto). Entre os de tamanho médio, foram encontrados 10 com taxas acima de 60 homicídios por 100 mil habitantes. No outro extremo, 51 municípios médios apresentaram taxas menores de 10 homicídios estimados por cem mil habitantes. Já entre os 46 classificados como grandes, oito apresentaram taxas abaixo de 10.

Operação Contenção

Rio de Janeiro (RJ), 31/10/2025 – Moradores, familiares e representantes da sociedade civil se reúnem na comunidade da Vila Cruzeiro para manifestação de repúdio à Operação Contenção que deixou 121 mortos. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Atlas da Violência 2025 traz crítica ao governo do Rio, por causa da Operação Contenção realizada no dia 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão. A conclusão do relatório descreve que “muitos governos continuam a oferecer à sociedade como suposta solução para o enfrentamento ao crime organizado, ações que contribuem negativamente para a segurança pública, como o espetáculo midiático da Operação no Complexo do Alemão”, alerta.

“Há pelo menos 40 anos, essas ações policiais baseadas na brutalidade e no entra e sai nas comunidades se reptem sem qualquer sinal de efetividade no sentido de reduzir o poder do CV, muito pelo contrário. Como resultado da operação 121 pessoas foram mortas, 118 armas foram apreendidas e 113 pessoas foram presas, dos quais 54 possuíam alguma anotação criminal”.

O levantamento trata ainda do custo social da operação que vai muito além da perda de vidas humanas, incluindo a de quatro policiais.

“Além dos danos materiais e destruição de valores econômicos, com a perda no comércio, transporte, escolas, postos de saúde – e no limite o Rio de Janeiro praticamente parado – as cenas de guerra certamente fizeram aumentar a sensação de insegurança, o que trará reflexos adversos futuros”.

Cita também que entre os mortos, 39 eram oriundos de outros estados e possivelmente integrantes do CV. Fato esse que chama a atenção para dois pontos:

“Em primeiro lugar, o ‘trabalho’ remoto e a integração nacional das maiores redes criminais nos remetem à necessidade urgente de uma ampla integração e interoperabilidade entre as agências do sistema de segurança pública no país. Em segundo, as autoridades devem estar atentas à repercussão que essas mortes podem gerar sobre o mercado criminal e eventuais disputas, sobretudo no Pará, Amazonas, na Bahia, no Ceará e Goiás”.

Sesc promove circuito de esportes em SP com atletas consagrados

O Serviço Social do Comércio (Sesc) promove, desde a última quinta-feira (6) até o dia 14 de dezembro, a primeira edição do Circuito Sesc de Esportes, um projeto que visa incentivar a prática esportiva em 36 cidades do estado de São Paulo em que não há unidades do serviço social.

Com entrada gratuita, o evento conta com a presença de diversos atletas e técnicos, como Fofão, do vôlei feminino, Júlia Soares, da ginástica artística, e Gabi Mazetto, do skate.

Notícias relacionadas:

>> Confira a programação completa

Cada cidade receberá um atleta e atividades relacionadas à modalidade esportiva que ele representa. Com o tema ‘Movimento que Aproxima’, o objetivo é despertar o interesse dos jovens nas práticas esportivas, através do contato com ícones de diversas gerações. Entre as atividades presentes estão o atletismo, judô, basquete, vôlei, futsal, natação, skate, tênis de mesa, ginástica rítmica, ginástica artística, além de suas versões paralímpicas.

“A estratégia é levar o atleta ao que chamamos de encantamento. Você ver alguém praticar qualquer modalidade esportiva em alta performance é muito bonito. É até forma de entretenimento. É fundamental para nós também não trazer somente ícones dos jovens, mas também das pessoas mais velhas, que viram, por exemplo, a Fofão jogar”, apontou o técnico da Gerência de Esportes do Sesc, Leonardo Calix Soares.

Ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira e campeã olímpica, Fofão, estará na região de Araraquara, e conversará com os jovens para ensinar o básico do esporte. Para ela, além de ensinar sobre o esporte e dar dicas, são interessantes a interação e a convivência.

“Nós conversamos um pouco, e eles sempre têm muita curiosidade. Depois fazemos a parte prática, onde eu mostro para eles como é feito o movimento. Não somos treinadores deles. Temos pouco tempo, então, tentamos mostrar que eles podem melhorar e evoluir”, explicou a atleta.

Fofão contou que quando era criança tinha problemas com anemia e se sentia sempre muito desanimada, o que a desmotivava bastante. O incentivo da professora na escola foi essencial para que ela se tornasse atleta.

“Quando eu fazia as aulas de educação física, eu me sentia muito bem. E minha professora me incentivou muito, tanto que me levou para fazer o teste no Centro Olímpico”, disse.

Outros atletas estão confirmados no evento: Fabiana Claudino (vôlei); Janeth (basquete); Pâmela Rosa (skate); Antônio Tenório (judô paralímpico); Luizão (futebol); Bruna Alexandre (tênis de mesa); Barbara Domingos (ginástica rítmica); Petrúcio Ferreira (atletismo paralímpico); Alison (vôlei de areia); Rosana Augusto (futebol feminino), entre outros.

*Estagiário sob a supervisão de Odair Braz Junior.

Parapan de jovens: Brasil conquista 12 medalhas em dia de recorde

Com direito a uma quebra de recorde mundial, o Brasil somou, nesta sexta-feira (7), mais 12 medalhas no penúltimo dia de disputados dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens disputados em Santiago (Chile). Desta forma a delegação brasileira chegou ao total de 68 conquistas (42 de ouro, 18 de prata e oito de bronze), mantendo a primeira posição na classificação geral.

O destaque desta sexta foi o mineiro Charles Eduardo Santos, que, aos 16 anos de idade, quebrou o recorde mundial júnior (sub-18) da categoria até 49 quilos de halterofilismo. O atleta levantou 116 quilos em sua terceira tentativa e superou a antiga marca de 115 quilos.

Notícias relacionadas:

Também no halterofilismo, o Brasil somou nesta sexta mais três ouros, com a mineira Natália Gonçalves (categoria até 50 quilos), com a fluminense Meyriellen Brandt (até 55 quilos) e com o potiguar Paulo Roberto Severo (até 49 quilos next gen, para atletas com mais de 18 anos), e uma prata, com o paulista Clayton Costa, na categoria até 59 quilos.

Outra modalidade na qual a equipe brasileira alcançou importantes conquistas foi na bocha. O brasiliense Eduardo Vasconcelos garantiu o ouro na classe BC2 (para atletas que não podem receber assistência) após vencer o mexicano José Ángel Rodríguez por 9 a 1 na final. Além dele, o potiguar José Antônio Santos venceu a final e levou o ouro na classe BC4 (deficiências severas, mas que não recebem assistência) contra o canadense André John Woodrow, com placar de 8 a 2. Já pela classe BC3 (deficiências muito severas), o paulista Gabriel Serafim derrotou o peruano Alejandro Hinostroza por 6 a 2 e também conquistou uma medalha de ouro.

Além disso, o Brasil garantiu uma prata na classe BC1 (opção de auxílio de ajudantes), com a rondoniense Gabrielly Alves e o carioca Samuel da Silva, enquanto a paraense Joice Lira e a cearense Clarice Sobreira garantiram bronzes, respectivamente, nas classes BC4 e BC2.

Derrite como relator do PL Antifacção contamina debate, diz Gleisi   

A decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos – PB), de indicar o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) para a relatoria do projeto de lei Antifacção foi criticada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

“A opção pelo Secretário de Segurança do governador Tarcísio de Freitas contamina o debate com os objetivos eleitoreiros de seu campo político”, escreveu a ministra em postagem no X. 

Notícias relacionadas:

Ela frisou, na mensagem, que a indicação da relatoria é uma prerrogativa do presidente da Câmara. O projeto é de autoria do Executivo e foi encaminhado ao Congresso na sexta-feira passada (31). 

Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a proposta é uma prioridade do governo ao trazer mais força ao Estado para reprimir as organizações criminosas que exercem controle de territórios e atividades econômicas.

>> Confira os principais pontos do projeto

“Seguirá trabalhando”

“O governo do presidente Lula enviou ao Legislativo o Projeto de Lei Antifacção Criminosa na expectativa de um debate consequente sobre o combate ao crime organizado, como exige a sociedade brasileira”, apontou Gleisi. 

Ao fim da mensagem, a ministra ponderou que o governo seguirá trabalhando no Congresso “para que prevaleça o interesse público e seja resguardada a soberania nacional”.

Segundo o projeto, os condenados pelo crime de “organização criminosa qualificada”, que passaria a ser um novo tipo penal, poderão receber a pena de 30 anos de prisão.

“Diálogo entre bancadas”

O deputado Guilherme Derrite ocupava até quarta-feira (5)  o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo. Ele reassumiu o mandato parlamentar para relatar o texto no plenário.

Segundo Motta, a escolha do parlamentar da oposição para relatar um projeto do governo busca garantir uma tramitação técnica e ampla, com diálogo entre bancadas.

Brasil reafirma compromisso de reduzir uso de amálgama com mercúrio

O Ministério da Saúde reafirmou na 6ª Conferência das Partes da Convenção de Minamata (COP 6) o compromisso do país de reduzir gradualmente o uso de amálgamas dentário contendo mercúrio. A pasta manifestou ainda que apoia a eliminação total do uso da liga.  

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil está em condições de apoiar a eliminação do uso de amálgama dentário, mas defendeu uma transição “gradual e segura”, de modo a não comprometer o acesso da população aos tratamentos odontológicos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Notícias relacionadas:

“O posicionamento brasileiro destaca a saúde pública, a proteção ambiental e o cumprimento das metas da Convenção de Minamata, que visa reduzir os impactos do mercúrio na saúde humana e no meio ambiente. Além de incentivar práticas restauradoras baseadas no princípio da mínima intervenção”, explica o coordenador-geral de Saúde Bucal do ministério, Edson Hilan.

Segundo o ministério, desde 2017 o Brasil utiliza exclusivamente amálgama encapsulado, que garante o manuseio seguro e minimizando à exposição ocupacional e ambiental ao mercúrio.

Entre 2019 e 2024, o uso de amálgama no Brasil caiu de cerca de 5% para 2% de todos os procedimentos odontológicos restauradores, resultado da substituição por materiais alternativos, como resinas compostas e ionômero de vidro.

Marina Silva é convidada da estreia de Brasil no Mundo, na TV Brasil

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, é a primeira convidada do programa Brasil no Mundo que estreia neste domingo (9) na TV Brasil. A entrevista ocorre em Belém onde tem início no dia seguinte a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

O novo programa, que irá tratar de política internacional, será exibido sempre às 19h30 de domingo, com os jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, além de um convidado. Por uma hora, o programa vai debater temas em destaque no cenário internacional durante a semana. 

Notícias relacionadas:

A ministra Marina Silva acompanha as negociações da COP30 e trará informações sobre as expectativas do Brasil para as negociações que ocorrem dos dias 10 a 21 de novembro.

O programa terá três apresentadores fixos que conversarão com um convidado. Cristina Serra atua como jornalista há cerca de 40 anos, tendo atuado na Globo por 26 anos, como correspondente em Nova York entre outras funções. O jornalista Jamil Chade trabalha há 20 anos como correspondente de diversos veículos no escritório da ONU em Genebra, período em que contribuiu com BBC, CNN, Guardian e veículos brasileiros. Já Yan Boechat cobre conflitos internacionais há 20 anos para diversos veículos, como Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Já fez reportagens in loco na África, Oriente Médio, Rússia e América Latina. 

Bolsa volta a bater recorde e alcança marca de 154 mil pontos

Após um dia de oscilações, a bolsa de valores voltou a bater recorde e atingiu a marca inédita de 154 mil pontos. O dólar recuou pela terceira vez seguida e fechou no menor valor em um mês.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta sexta-feira (7) aos 154.063 pontos, com alta de 0,47%. O indicador chegou a cair 0,6% às 11h32, mas reagiu durante à tarde, amparado pelas ações da Petrobras, as mais negociadas.

Notícias relacionadas:

Essa foi a 13ª alta seguida do Ibovespa e o 10º recorde consecutivo da bolsa brasileira. O Ibovespa acumula ganhos de 3,02% na semana e 28,08% em 2025. A sequência atual de altas só está atrás das 15 valorizações seguidas registradas em maio e junho de 1994, pouco antes do Plano Real.

Em relação à Petrobras, os investidores reagiram bem à divulgação do lucro de R$ 32,7 bilhões no terceiro trimestre e ao anúncio da distribuição de R$ 12,16 bilhões em dividendos.

As ações ordinárias da estatal, com direito a voto em assembleia de acionistas, valorizaram 4,83% nesta sexta-feira. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) subiram 3,77%.

Câmbio

O mercado de câmbio também teve um dia de alívio. O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,336, com queda de R$ 0,012 (0,22%). A cotação chegou a subir para R$ 5,36 por volta das 10h, mas caiu nas horas seguintes, até fechar próxima da mínima da sessão.

No menor valor desde 6 de outubro, a moeda estadunidense caiu 0,83% na semana. A divisa acumula queda de 0,82% em novembro e de 13,66% em 2025.

Sem grandes notícias externas, o câmbio acompanhou o movimento internacional, com o dólar caindo perante as principais moedas.

* Com informações da Reuters

Combate à fome deve ser meta climática, diz cúpula em Belém

Um grupo de 43 países e a União Europeia aprovaram a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas. O documento visa colocar populações mais vulneráveis no centro das políticas climáticas globais.

O texto foi aprovado ao final da Cúpula do Clima, que terminou nesta sexta-feira (7), na capital paraense. O evento reuniu líderes de diferentes países e antecedeu a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, também na cidade de Belém. O objetivo é atualizar e reforçar os compromissos multilaterais para lidar com a urgência da crise climática.

Notícias relacionadas:

A declaração sobre combate à fome e à pobreza propõe uma mudança na forma como a comunidade internacional enfrenta a crise climática. O documento reconhece que, embora as mudanças climáticas afetem a todos, os impactos recaem de forma desproporcional sobre as populações mais vulneráveis.

“Quase metade da população mundial não tem acesso à proteção social, e muitos dos excluídos estão justamente entre os mais expostos aos impactos das mudanças climáticas. Os sistemas de proteção social são mais frágeis justamente onde deveriam ser mais robustos: nas comunidades afetadas pela pobreza, fome e alta vulnerabilidade climática”, diz um trecho da declaração.

O texto também defende que o financiamento climático apoie meios de subsistência sustentáveis para agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos da floresta, garantindo que a ação climática gere empregos dignos e oportunidades econômicas para aqueles que estão na linha de frente da crise.

Entre os países signatários estão Brasil, Chile, China, Cuba, Alemanha, Indonésia, Malásia, México, Noruega, República do Congo, Ruanda, Espanha, Sudão, Reino Unido, Zimbábue, França, Dinamarca, entre outros, além da União Europeia.

Racismo ambiental

Outro documento aprovado nesta sexta-feira, durante a Cúpula do Clima, foi a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, que busca fomentar o diálogo internacional sobre a interseção entre igualdade racial, meio ambiente e clima. O texto reconhece que a crise ecológica global é também uma crise de justiça racial e propõe a construção de uma agenda cooperativa em defesa de maior equidade e solidariedade entre as nações e da superação de desigualdades históricas que afetam o acesso a recursos, oportunidades e benefícios ambientais.

O texto, que ficará aberto para adesões durante a COP, já conta com endossos de países da América Latina, da África, da Ásia e da Oceania.

Combustíveis e mercado de carbono

A Cúpula do Clima em Belém ainda divulgou a aprovação de outros dois documentos. Um deles é a Declaração sobre a Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono.

O outro é o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis, que pretende somar esforços para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035.

BNDES, Marinha e Cemaden fecham acordo para resposta a desastres

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) firmaram nesta sexta -feira (7), em Belém, um protocolo de intenções para cooperação em prevenção, monitoramento e resposta a desastres naturais.

A assinatura ocorreu no navio Atlântico, ancorado no porto da capital paraense, que funcionará como base operacional das Forças Armadas durante a COP30.

Notícias relacionadas:

A parceria nasce diante do aumento da frequência e intensidade de eventos extremos no país, agravados pela mudança do clima. O documento prevê a integração de capacidades técnicas, científicas e financeiras das instituições para fortalecer a resposta nacional a riscos e emergências.

Segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou que o acordo visa “salvar vidas diante dessa ameaça que vivemos no mundo e no Brasil, das mudanças climáticas”.

“Temos o propósito comum de prevenir desastres e responder da melhor forma aos eventos extremos. Vemos que as chuvas são mais intensas, assim como as enchentes, as secas, as ondas de calor que impactam principalmente as comunidades mais carentes. Esses eventos tendem a se se intensificar e a gente precisa, portanto, agir de maneira integrada baseada em ciência e tecnologia”, complementou.

BNDES

Belém (PA) 07/11/2025 Marinha, BNDES e Cemaden assinam protocolo de intenções para prevenção de desastres naturais em Belém (PA). Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

O BNDES apoiará com estrutura técnica e financeira. O protocolo também se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e reforça o compromisso do Brasil com o Marco de Sendai, de 2015, que orienta a redução de riscos de desastres no mundo.

“Nós estamos nos comprometendo em colocar R$ 30 milhões nesse processo. E estamos comprometidos a fazer um programa de orçamento de R$ 50 milhões, com apoio de outros parceiros colocando mais R$ 20 milhões, para estudar com profundidade, primeiro, as respostas que estão no plano de urgência e de inteligência. E as forças navais poderão ajudar muito, porque são a única tropa 100% profissional, estão presentes nos casos mais graves, com militares há muito tempo engajados”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Segundo Mercadante, a ideia é chamar outros bancos, como Banco do Brasil e Caixa, para integrar o projeto, bem como empresas privadas. 

Marinha

A Marinha aportará sua expertise como braço operacional do Estado, com Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil.

“O protocolo constitui marco expressivo na consolidação de um modelo integrado de prevenção, monitoramento e resposta a desastres ambientais. Diante da crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, o documento reafirma o compromisso do país com o fortalecimento da resiliência nacional”,  disse o comandante da Marinha, almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.

“A união de capacidades operacionais, científicas e de desenvolvimento traz esforço coordenado de defesa, ciência e fomento, e simboliza a convergência dos propósitos em favor da salvaguarda da vida, do desenvolvimento sustentável e da reafirmação do dever permanente do Estado em servir a população”, acrescentou.

Cemaden

O Cemaden, ligado ao MCTI, contribuirá com monitoramento e modelagem preditiva (técnica que usa estatísticas e algoritmos para fazer previsões).

“Nós fomos capazes de alertar um desastre em São Sebastião com 72 horas de antecedência, as inundações do Rio Grande do Sul com seis dias de antecedência, mas ainda precisamos fazer mais, precisamos avançar. Então, com uma força tão importante como a Marinha poderemos melhorar as respostas aos desastres do nosso país. E, com o apoio do BNDES, poderemos avançar em desenvolvimento tecnológico, em pesquisas, em novas tecnologias”, disse a diretora do Cemaden, Regina Alvalá.

Amazônia e militar Pedro Teixeira

A cerimônia do acordo homenageou o militar português Pedro Teixeira, cuja expedição pelo Rio Amazonas no século 17 foi decisiva para a incorporação da Amazônia ao território que viria a ser o Brasil.

Uma placa do BNDES foi entregue ao Comando da Marinha. O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, anunciou a criação de uma comissão para aprofundar estudos sobre Teixeira.

Final da Copa do Brasil Feminina será disputada no dia 20 de novembro

A decisão da Copa do Brasil Feminina, entre Ferroviária e Palmeiras, será disputada no dia 20 de novembro, a partir das 15h30 (horário de Brasília), na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara (SP). A informação foi dada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) nesta sexta-feira (7).

O mando de campo da decisão foi definido por sorteio, em evento realizado pela CBF na última quinta-feira (6).

Notícias relacionadas:

As Guerreiras Grenás garantiram a vaga na final após derrotarem o Bahia, pelo placar de 2 a 0, na última terça-feira (4) na Fonte Luminosa, em Araraquara (SP). A Ferroviária busca o bicampeonato da competição, após ficar com o título de 2014.

Já as Palestrinas avançaram para a decisão depois de golearem o São Paulo por 4 a 0. O triunfo do Verdão foi alcançado com gols de Ingryd, Brena, Andressinha e Pati Maldaner. As Palestrinas tentam levantar o troféu da competição pela primeira vez.

Rio de Janeiro tem previsão de ventos fortes e ressaca até domingo

O Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro (COR-Rio) informa que o deslocamento de um sistema de baixa pressão próximo à costa da Região Sudeste e a passagem de uma frente fria vão intensificar os ventos na capital fluminense entre esta sexta-feira (7) e o domingo (9). Nesta sexta, a previsão é de ventos moderados a pontualmente fortes a partir da noite. Já no sábado (8), há previsão de rajadas de vento moderadas a fortes, principalmente durante a tarde. Na madrugada de domingo, ainda poderão ocorrer rajadas de vento moderadas a ocasionalmente fortes.

Nesse período, as rajadas de vento poderão atingir intensidade entre 50 quilômetros por hora (km/h) e 100 km/h. O aviso meteorológico tem validade até as 6h de domingo.

Notícias relacionadas:

A Marinha do Brasil informou que a chegada de um ciclone extratropical que ser aproxima do litoral do Rio vai impactar as condições do mar e emitiu um aviso de ressaca para a orla da cidade. O fenômeno terá início na tarde deste sábado e tem previsão de término na noite de domingo. As ondas podem atingir 3,5 metros de altura. Os banhistas e as embarcações de pequeno porte devem evitar o mar, devido à altura das ondas.

Sobreaviso

Diante das condições meteorológicas previstas, a Secretaria de Estado de Defesa Civil está de sobreaviso, a partir desta noite, com o Gabinete Integrado de Gestão de Risco mobilizado. A medida foi adotada por meio do Centro Estadual de Gerenciamento de Desastres, com o objetivo de reforçar o monitoramento e a pronta resposta a possíveis ocorrências em diferentes regiões do estado.

O Gabinete de Gestão de Risco atua de forma integrada, reunindo setores estaduais de emergência e permitindo uma atuação coordenada em situações de risco. Durante o período de ativação, as equipes permanecem em estado de atenção e prontidão, garantindo suporte às ações municipais de Defesa Civil e fortalecendo a capacidade de resposta em casos de desastres naturais.

A iniciativa também fortalece o trabalho do Grupo de Emergência de Apoio a Desastres (Gead), responsável por apoiar as operações em campo e pela articulação entre os órgãos envolvidos. O objetivo é ampliar a eficiência do sistema estadual de gestão de risco e assegurar que as medidas preventivas sejam implementadas de forma antecipada.

O monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas é realizado em parceria com o Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ). As equipes seguem em acompanhamento contínuo, a fim de garantir a proteção da população e minimizar os impactos de possíveis eventos adversos.

Recomendações

Em casa:

  • Feche as janelas, basculantes e portas de armários para evitar canalizações de ventos no interior de casa;
  • Persianas, cortinas ou blecautes também devem estar fechados para evitar que estilhaços se espalhem, no caso de alguma janela quebrar;
  • Aparelhos elétricos e registro de gás devem estar fechados. Dessa forma, não há agravamento em caso de queda de árvore;
  • Evite deixar objetos que possam cair em locais altos;
  • Mantenha as árvores do jardim ou do quintal sempre podadas e bem cuidadas;
  • Fique atento: se houver falta de luz, cuidado com o uso de velas para evitar incêndios.

Na rua:

  • Não se abrigue debaixo de árvores ou de coberturas metálicas;
  • Evite a prática de esportes ao ar livre, especialmente, no mar;
  • Evite ficar próximo a precipícios, encostas ou lugares altos sem proteção;
  • Evite passar sob cabos elétricos, outdoors, andaimes, escadas;
  • Não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda;
  • Não queime lixo, não ateie fogo em terrenos para remover vegetação, não acenda fogueiras ou jogue bitucas de cigarros em estradas ou terrenos com mata;
  • Fique atento: caso haja queda de árvore, é possível que a rede de energia tenha sido rompida. Nessa situação, há risco de acidentes causados por raios.

Motta anuncia Derrite como relator do projeto antifacção

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou nesta sexta-feira (7) o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto de lei antifacção, apresentado pelo governo federal após a operação que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro. A proposta deve ser transformada em um Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.

Derrite, que até quarta-feira (5) ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, reassumiu o mandato parlamentar para relatar o texto no plenário. Segundo Motta, a escolha do parlamentar da oposição para relatar um projeto do governo busca garantir uma tramitação técnica e ampla, com diálogo entre bancadas.

Notícias relacionadas:

O projeto apresentado pelo governo tem caráter de urgência e propõe endurecimento das penas para integrantes de facções criminosas, além de ampliar as ferramentas de investigação. O texto cria a figura da “organização criminosa qualificada”, com penas de 8 a 15 anos de prisão para quem exercer controle territorial ou econômico mediante violência ou intimidação. Em casos de homicídio praticado em nome da facção, a pena pode chegar a 30 anos.

Também há previsão de agravantes, como o envolvimento de menores, uso de armas de fogo de uso restrito, infiltração de agentes públicos e ligações com organizações transnacionais. O projeto autoriza ainda o acesso a dados de geolocalização e transações financeiras de investigados e prevê a criação de um Banco Nacional de Facções Criminosas.

Substitutivo

Após ser confirmado relator, Derrite anunciou que apresentará um substitutivo ao texto original, incorporando pontos enviados pelo governo, mas com mudanças consideradas “essenciais” para fortalecer o combate ao crime organizado. Entre as alterações, estão:

  • aumento da pena para 20 a 40 anos em casos de domínio de cidades, ataques a presídios ou uso de explosivos;
  • obrigatoriedade de cumprimento de pena em presídios de segurança máxima para líderes de facções;
  • proibição de anistia, graça, indulto, liberdade condicional e corte do auxílio-reclusão para familiares de condenados por esses crimes;
  • aumento da progressão de regime de 40% para 70% do cumprimento da pena.

A expectativa é que o texto de Derrite não inclua a equiparação entre facções criminosas e terrorismo, tema tratado em outro projeto. Essa proposta criou polêmica, por abrir brechas para intervenções estrangeiras no Brasil.

Desrespeito

O anúncio gerou reação de parlamentares da base governista. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), classificou a escolha de Derrite como um “desrespeito” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em postagem nas redes sociais, Farias afirmou que o projeto é prioridade do governo e que entregá-lo a um aliado do governador paulista Tarcísio de Freitas “beira a provocação”.

Motta é próximo de Derrite e de Tarcísio, ambos aliados em pautas de segurança pública. Nas redes sociais, o presidente da Câmara não justificou a escolha de Derrite, apenas anunciou a decisão. Na quinta-feira (6), ele se reuniu com o presidente Lula, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir a tramitação de propostas relacionadas ao tema.

Votação remota

A Câmara deverá analisar o projeto em regime semipresencial, modalidade que permite votação remota pelos deputados, autorizada devido à realização da COP 30, em Belém.

A previsão é que o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado seja votado ainda neste ano pelos deputados e senadores.

Stefani garante Brasil pela 1ª vez em decisão feminina do WTA Finals

Estreante no WTA Finals, torneio com as oito melhores duplistas da temporada, a tenista brasileira Luisa Stefani garantiu a classificação à decisão do título da competição, disputada em Riad (Arábia Saudita). Ela é a primeira tenista mulher na história do país a chegar à final. Ao lado da húngara Timea Babos, a paulista derrotou nesta sexta-feira (7) a parceria da letâ Jelena Ostapenko com a taiwanesa Su-wei-Hisieh, única dupla até então invicta na competição. Stefani e Babos avançaram com placar de 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 7/6 (7-5).

A final será neste sábado (8), a partir das 10h (horário de Brasília. As adversárias de Stefani e Babos serão as vencedoras do confronto desta sexta (7), às 15h35, entre a dupla da belga Elise Mertens e a russa Veronika Kudermetova contra a parceria da norte-americana Taylor Townsend com a tcheca Katerina Siniaková.

Notícias relacionadas:

“Estou muito orgulhosa de nós, foi uma partida muito dura, de muita luta no placar, um tipo de jogo diferente do que estávamos jogando nos últimos dias, um time diferente, elas têm ritmos e estilos distintos, mas nos mantivemos perto no placar, nos puxamos como um time no torneio todo até aqui, estou muito orgulhosa por ter avançado”, afirmou Stefani, que sonha com seu primeiro título na competição, uma das cinco maiores do mundo.

Se vencer a final, Stefani vai superar a melhor campanha do Brasil no torneio de duplas do WTA Finals protagonizada pelo mineiro Marcelo Melo em duas oportunidades: em 2014 ele foi vice-campeão ao lado do croata Ivan Dodig e, três anos depois, ele voltou a ser vice jogando junto com o polonês Lukasz Kubot.

Stefani e Babos conquistaram quatro títulos em 2025 e garantiram a sétima vaga entre as oito melhores duplas que competem em Riad. Nesta temporada elas foram campeãs do WTA 250 SP Open, na capital paulista, e de outros três WTA 500 – Linz (Áustria), Estrasburgo (França) e Tóquio (Japão).