Orquestra de Sopros da UFRJ faz concerto gratuito nesta segunda

O Projeto Sistema Pedagógico de Apoio às Bandas retorna nesta segunda-feira (3), às 19h, ao Salão Leopoldo Miguez, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em mais um concerto gratuito com a Orquestra de Sopros da instituição, sob a regência de Gabriel Dellatorre. O Salão Leopoldo Miguez está localizado na Rua do Passeio, 98, na região central do Rio.

Preparado especialmente para o projeto, o repertório traz novas edições de obras de Pixinguinha, Alberto Nepomuceno, César Guerra-Peixe e José Urcisino da Silva (Maestro Duda), que serão gravadas e incluídas na série de publicações Música Brasileira para Banda. O solista será o trompetista Aquiles Moraes, que já se apresentou e gravou com inúmeros artistas, entre eles Maurício Carrilho, Nailor Proveta, Maria Bethânia, Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Zé Renato, Lisa Ono, Luciana Rabello, Cristovão Bastos, Bibi Ferreira, Ney Matogrosso, Monica Salmaso, Mario Adnet e Hamilton de Holanda.

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A iniciativa tem apoio do Sistema Nacional de Orquestras Sociais (Sinos), lançado em julho de 2020 e formado por uma rede de profissionais de música que atuam em cursos, oficinas, concertos e festivais. Da mesma forma que o Projeto Bandas, o Sinos faz parte do programa Arte de Toda Gente, parceria da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a UFRJ.

Orquestra

A Orquestra de Sopros da UFRJ é formada por alunos de graduação em instrumentos de sopros e de percussão da Escola de Música, inscritos na disciplina de Prática de Orquestra. Ela atua diretamente no suporte ao bacharelado em Regência de Banda, oferecido pela escola desde 2011. Os objetivos são proporcionar o desenvolvimento da prática de conjunto a partir dos conceitos orquestrais, bem como difundir a literatura brasileira e internacional para a formação de banda sinfônica, orquestra de sopros e sopros orquestrais.

Desde novembro de 2017, quando teve sua primeira estrutura organizacional, a orquestra mantém ininterrupta sua temporada de concertos, tendo sido responsável por dezenas de primeiras audições de obras de compositores brasileiros e estrangeiros.

Projeto 

O Projeto Bandas tem por objetivo dar suporte pedagógico à produção de novas obras para banda de música, oferecendo padrões artísticos e referências de interpretação para conjuntos de todas as partes do país, principalmente as localizadas em cidades do interior. A proposta é que as apresentações sejam disponibilizadas em audiovisual, bem como as partituras, em formato PDF. O projeto atua igualmente na publicação de artigos, textos e manuais para o maestro da banda e, também, como suporte para a produção de cursos a distância.

Ministra recebe manifestações de apoio ao abrir Conferência de Saúde 

Em meio a disputas políticas por seu cargo, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, recebeu diferentes manifestações de apoio por parte de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e de movimentos sociais. Ela foi aplaudida durante a abertura da 17ª Conferência Nacional de Saúde, na noite deste domingo (2), em Brasília. 

O governo nega que tenha intenção de mexer na Saúde. A ideia de substituição da titular da pasta, no entanto, circula em meio a negociações por votações importantes no Congresso, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para ampliar sua base de apoio. 

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Nísia tem se declarado tranquila em relação às pressões políticas e defende sua atuação técnica à frente da Saúde, ressaltando o currículo como presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a trajetória como servidora do SUS.
Ministra da Saúde, Nísia Trindade, durante abertura, no dia 26 de junho, do Seminário Internacional de Atenção Especializada à Saúde, na sede da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante a solenidade de abertura da Conferência Nacional de Saúde deste ano, a ministra foi interrompida por aplausos e gritos de apoio a seu nome. Um grupo de trabalhadores do SUS subiu no palco com uma faixa de suporte à ministra. Nísia falou rapidamente apenas para declarar abertos os trabalhos. 

As ministras Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Marina Silva, do Meio Ambiente, foram à cerimônia. Em viagem à Bahia, Lula não retornou a Brasília para participar do evento, como esperavam os organizadores da conferência. Ele segue no estado para a cerimônia, nesta segunda-feira (3) de retomada das obras do trecho de uma ferrovia que fica entre a cidade de Ilhéus, no litoral, e Caetité (BA), no sertão. O governador baiano, Jerônimo Rodrigues, que esteve com o presidente pela manhã, compareceu à cerimônia. 

A 17ª Conferência Nacional de Saúde, iniciada neste domingo (2), em Brasília, tem como tema Garantir Direitos e Defender o SUS, a Vida e a Democracia – Amanhã vai ser outro dia. O evento segue até a próxima quarta-feira (5), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB).  

Programação 

A conferência é organizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) e reúne mais de 4 mil delegados que foram eleitos em conferências regionais. Eles debatem, na capital federal, os caminhos da saúde no país.

Segundo os organizadores, devem ser discutidas e deliberadas cerca de 1,5 mil propostas e diretrizes sobre o acesso da população à Saúde e o fortalecimento do SUS. As medidas aprovadas na conferência devem servir de subsídio para a elaboração do Plano Nacional de Saúde e Plano Plurianual de 2024-2027. 

A programação inclui um espaço para práticas integrativas e complementares em saúde e também um espaço cultural, onde haverá apresentações como literatura em cordel, teatro, poesia, sarau e performance em formato de cortejo. 

A primeira Conferência Nacional de Saúde foi realizada em 1941. Desde então, tornou-se o principal espaço nacional para discussão de políticas públicas e planejamento na área de saúde pública. Na 8ª edição, por exemplo, de 1985, foram discutidas e lançadas as diretrizes para a criação do SUS.
 

Bragantino deixa Corinthians perto da zona de rebaixamento da Série A

O Red Bull Bragantino frustrou os mais de 42 mil torcedores do Corinthians que foram à Neo Química Arena, em São Paulo. Neste domingo (2), o Massa Bruta venceu o Timão por 1 a 0, pela 13ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro de futebol.

O clube do interior paulista chegou a quatro triunfos consecutivos na temporada, sendo o terceiro pelo Brasileirão. A equipe do técnico português Pedro Caixinha foi a 23 pontos e fica provisoriamente em quarto lugar, mas pode ser ultrapassada pelo Palmeiras ainda neste domingo, se o Verdão pontuar contra o Athletico Paranaense, em duelo que iniciou às 16h (horário de Brasília), na Arena da Baixada, em Curitiba.

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O Corinthians, por sua vez, sofreu a segunda derrota seguida na competição e segue perto da zona de rebaixamento. O Timão, dirigido por Vanderlei Luxemburgo, tem 12 pontos e está na 15ª posição. O clube pode terminar a rodada entre os quatro últimos times do campeonato, se o Cuiabá pontuar contra o Santos neste domingo, às 18h30, na Arena Pantanal; e se o Goiás vencer o lanterna Coritiba na segunda-feira (3), às 20h, no Estádio da Serrinha, em Goiânia.

O gol da vitória bragantina saiu aos 16 minutos do primeiro tempo, em jogada trabalhada. O lateral Juninho Capixaba, da intermediária, lançou para o atacante Thiago Borbas na área. O uruguaio ajeitou de peito, na esquerda, para o meia Eric Ramires bater cruzado. O atacante Eduardo Sasha apareceu na pequena área e concluiu.

No sábado

A 13ª rodada do Brasileirão começou na tarde de sábado, com a vitória do São Paulo, por 1 a 0, sobre o Fluminense, no Morumbi. À noite, mais três jogos movimentaram a competição. No Beira-Rio, em Porto Alegre, Internacional e Cruzeiro empataram sem gols. No Rio de Janeiro, o Flamengo fez a festa da torcida no Maracanã ao derrotar o Fortaleza por 2 a 0. Em Salvador, na Fonte Nova, o Grêmio superou o Bahia por 2 a 1.

O Grêmio segue na vice-liderança, com 26 pontos, com o Flamengo logo atrás, com 25. O São Paulo foi aos mesmos 21 pontos do Inter, ficando à frente, em sétimo, pelo saldo de gols. O Fortaleza, com 20 pontos, aparece em nono.

Paulistas, gaúchos e cearenses, no entanto, podem ser ultrapassados neste domingo, caso o Athletico-PR bata o Palmeiras e o Atlético-MG vença o América-MG às 16h, no Mineirão, em Belo Horizonte. O Cruzeiro está em 12º, com 18 pontos. O Bahia, com 12 pontos, é o 14º.
 

Brasil de Pelotas derrota Caxias em duelo gaúcho pela Série D

Em um jogo bastante movimentado, que contou com transmissão da TV Brasil, o Brasil de Pelotas derrotou o Caxias por 2 a 1 na tarde deste domingo (2), no Estádio Bento Freitas, em Pelotas. Após 11 jogos, a equipe da casa soma 14 pontos. Embora não tenha ganhado posições (permanece em sexto), o Brasil se aproximou do Camboriú, que hoje é o quarto e último time no grupo 8 em posição para se classificar à próxima fase da Série D, com 15 pontos. O Caxias segue em segundo, com 17. Os gols que garantiram a vitória foram marcados por Mário Henrique e Da Silva, enquanto Eron descontou.

O primeiro tempo em Pelotas foi de gols e confusão. Aos 15 minutos, Mário Henrique tabelou com Rafael Costa pela esquerda e chutou forte, cruzado, para abrir o placar. Foi o quinto gol dele no campeonato. O lateral-esquerdo é o artilheiro do Xavante na competição.

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Porém, aos 35 minutos, o jogador se envolveu em confusão que custou caro ao time. Após falta marcada para o Brasil de Pelotas, Mário Henrique e Dirceu, zagueiro do Caxias, trocaram farpas. Depois de vários minutos de desentendimento entre as duas equipes, dois jogadores foram expulsos: Mário Henrique e Adriel, do Caxias.

No final do primeiro tempo, os visitantes igualaram o placar. Após cobrança de escanteio pela esquerda, Eron completou de cabeça e marcou o oitavo gol dele na Série D. Ele é o vice-artilheiro da competição.

No segundo tempo, outro lance capital acabou por definir o destino da partida. Aos sete minutos, Fernando Fonseca fez falta na entrada da área, recebendo o segundo cartão amarelo e sendo expulso também. Na cobrança, Wellington rolou e Da Silva encheu o pé, acertando o canto esquerdo de André Lucas para desempatar.

Com a vantagem no placar e um jogador a mais em campo, o Brasil teve chances para ampliar, mas acabou confirmando o triunfo pela diferença mínima: 2 a 1.

Restam três rodadas para a definição dos quatro classificados do grupo 8. No próximo fim de semana, o Caxias recebe o Aimoré no sábado (8), no Estádio Centenário. No dia seguinte, o Brasil será novamente o mandante diante do Novo Hamburgo, lanterna da chave.
 

Censo 2022: o que explica a queda populacional em diferentes capitais

A divulgação dos primeiros dados do Censo 2022 nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que as cidades de Salvador, Natal, Belém e Porto Alegre tiveram reduções populacionais acima de 5% nos últimos 12 anos. Embora com percentuais menores, o número de moradores em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Rio de Janeiro também encolheu no período. Ao mesmo tempo, foram registrados aumentos tímidos, abaixo de 2%, em São Paulo e Curitiba, sinalizando uma redução no ritmo do crescimento populacional.

Segundo Ricardo Ojima, pesquisador do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), não só no Brasil como em todo o mundo, se observa um movimento demográfico caracterizado pela reacomodação da população nas cidades do entorno das grandes metrópoles. Ele cita o exemplo de Salvador, que teve uma perda de 9,6% no número de moradores, a redução mais expressiva entre todas as capitais. Ricardo Ojima observa que os censos anteriores já vinham mostrando um salto populacional bastante intenso nos municípios do entorno da metrópole baiana.

Cidades mais populosas censo 2022 – Arte/Agência Brasil

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Na nova edição, foram detectados aumentos nas populações de cidades como Lauro de Freitas e Camaçari. Quando se considera Salvador em conjunto com os municípios do seu entorno, a perda total do número de moradores cai para 4,7%, bem inferior ao índice de 9,6% registrado de forma isolada pela capital baiana.

“Essa desconcentração da população é uma tendência geral de várias capitais. Esse movimento é observado no país como um todo, sobretudo no Sul e no Sudeste, mas também em outras regiões. Como explicar que Natal diminuiu a população, mas os municípios do entorno tiveram crescimento? A atração da região metropolitana não mais se direciona para sede. Não é só um movimento de população saindo da capital da sede para o seu entorno. Isso também ocorre. Mas as pessoas de cidades menores e de outras localidades que antes migravam para uma região metropolitana procurando a sede, hoje migram se fixando no entorno”, observa.

Fatores

Vizinhos a Natal, São Gonçalo do Amarante e Parnamirim chegaram a registrar crescimentos populacionais superiores a 20% nos últimos 12 anos. Em Belo Horizonte, o fenômeno se repete. A população da capital mineira encolheu 2,5%. Mas quando se considera Belo Horizonte e todas as cidades do seu entorno, o número de moradores cresceu 4,4%. Para o pesquisador, diferentes fatores explicam esse fenômeno.

“Um deles é a questão do custo de vida na sede metropolitana, que é mais elevado. O preço do solo é mais elevado. Como tem mais infraestrutura, há um impacto nos preços do mercado imobiliário. Então tem o tradicional movimento de periferização, com a população de baixa renda buscando localidades com menor custo, com habitação de valores mais baixos. Mas também tem um movimento das camadas de média e alta renda que estão se deslocando em busca de condomínios horizontais fechados nas áreas periféricas. E esses condomínios se expandem nas cidades do entorno porque as capitais não têm disponibilidade de terrenos que comportem esses empreendimentos”.

Esse movimento citado por Ricardo Ojima foi destacado, em 2020, em um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Baseado em dados da Receita Federal, os pesquisadores envolvidos mapearam as cidades com maior renda média por habitante. No topo do ranking estava Nova Lima (MG), município que experimentou na última década um crescimento intenso no número de condomínios de luxo junto ao limite com Belo Horizonte. Em segundo lugar, apareceu Santana do Parnaíba (SP) que possui característica parecida e está a cerca de 40 minutos do centro de São Paulo. Não por acaso, conforme os resultados do Censo 2022, essas duas cidades registraram alto crescimento populacional. Em Santana do Parnaíba, o aumento foi de 41,6%.

Com base nos dados, os pesquisadores analisaram estilos de vida dos mais ricos e observaram que sua presença como moradores de uma cidade contribui para impulsionar atividades econômicas locais. “Pessoas de maior poder aquisitivo escolhem lugares com melhor qualidade de vida e não seguem apenas critérios econômicos. Até porque onde moram pessoas de alta renda há mercado de trabalho para médicos, advogados ou profissionais liberais em geral”, escreveram.

O desenvolvimento de atividades econômicas e serviços nos municípios do entorno das capitais também é destacado por Ricardo Ojima como um outro fator de atração populacional.

“É algo que também está relacionado a uma mudança naquele modelo padrão de cidades-dormitório. Antes, os municípios do entorno serviam basicamente como local de residência e quem morava lá se deslocava diariamente para trabalhar ou estudar nas áreas centrais. Hoje você tem uma complementaridade. Há um desenvolvimento de atividades econômicas e serviços nos municípios do entorno das capitais. Então há novos perfis de moradores para além daqueles que trabalham ou estudam na sede metropolitana”.

Envelhecimento

Na visão do economista e pesquisador da FGV, Marcelo Neri, a fuga das capitais também está associada ao envelhecimento da população. Segundo os dados do Censo 2022, desde a última operação censitária realizada em 2010, a população brasileira teve salto de 12,3 milhões, alcançando o total de 203 milhões. O resultado ficou bem abaixo das estimativas. O ritmo de crescimento populacional, calculado em 0,52% ao ano, desacelerou antes do que indicavam as projeções do próprio IBGE.

“O principal fator por trás desses dados é a redução da taxa de fecundidade. Em 1970, cada mulher tinha 5,8 filhos e hoje tem menos de dois. Por outro lado, está havendo um envelhecimento da população e um aumento da expectativa de vida. Essa população idosa ainda vai crescer. Isso acaba gerando uma pirâmide demográfica mais concentrada na população mais idosa”, explica Neri. Segundo ele, quando a população envelhece, há um aumento da procura por lugares considerados mais agradáveis de se morar. Ele cita Balneário Camboriú, que viu seu número de moradores subir 4,28% desde 2010. Na cidade vizinha Camboriú, o salto foi de 65,3%.

“Se observamos os dados, vemos que o maior crescimento populacional ocorre em áreas da fronteira agrícola do país e também em lugares mais tradicionais como se vê em Santa Catarina, em localidades de alta prosperidade aonde já existe uma riqueza. Não há uma riqueza nova sendo gerada. Balneário Camboriú é um exemplo. É uma cidade que se tornou um polo de atração de população, o que mostra que muitas vezes o crescimento não é motivado só pela atividade produtiva, mas também pela qualidade de vida. É um elemento importante nesse cenário de envelhecimento populacional”.

Movimento inverso

Nem todas as capitais registraram queda ou aumento tímido no volume de moradores. Em um movimento inverso, Manaus teve um crescimento populacional de 14,5% nos últimos 12 anos. Houve um incremento de 261.533 moradores, a maior variação do país em números absolutos. Taxas robustas de crescimento, acima de 9%, também foram observados por exemplo em Brasília, João Pessoa e Boa Vista. No Centro-Oeste, verificou-se um aumento superior a 10% em Goiânia, Campo Grande e Cuiabá. É a única região do país onde todas as capitais estaduais tiveram aumento populacional.

“Essas cidades do Centro-Oeste ainda têm espaço para uma margem de crescimento acontecer. O avanço do agronegócio é um dos impulsionadores desse desenvolvimento da região e acaba atraindo também a mão de obra de outros tipos de serviços. Mas é importante pontuar que os avanços do agronegócio não são necessariamente nas capitais. Então esse crescimento também se deve a outros fatores. Mas muito provavelmente, num futuro não muito distante, vai acontecer lá o que está acontecendo em outras capitais do país. A população também vai começar a se dirigir para os municípios do entorno”, avalia Ricardo Ojima.

Ele também chama atenção para a questão territorial. “Manaus é um exemplo. Pela sua extensão, é capaz de acomodar novas populações. Diferentemente de outras capitais que já tem um território limitado pelos municípios do entorno. É o caso de Salvador. Não tem muito mais para onde a população ir nas áreas mais periféricas da capital baiana e assim a população vai transbordando para as cidades vizinhas. Em Belém, é a mesma coisa. A capital paraense está comprimida e há esse transbordamento para os municípios do entorno. E aí há um crescimento expressivo, por exemplo, de Ananindeua”.

Região macrocéfala

O geógrafo Marcos Castro de Lima, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), chama atenção para aspectos particulares do crescimento da capital amazonense que lhe conferem um alto poder de atração. “É a metrópole mais ocidental do Brasil. Se nós fomos olhar no mapa, é a metrópole mais distante de qualquer outra metrópole. Isso faz com que ela tenha um comando de toda a rede urbana na Amazônia ocidental, o que envolve outros estados da região. Para se ter uma ideia, Manaus supera 2 milhões de habitantes enquanto a segunda cidade no Amazonas ultrapassa um pouco mais de 100 mil. Então você tem o que nós chamamos na geografia urbana de região macrocéfala: uma grande metrópole comanda as ações em cidades menores”.

Ele compara a situação de Manaus com a de Belém, que registrou uma queda de 6,5% em sua população. “O estado do Pará tem uma população menos concentrada e mais distribuída: tem a região metropolitana de Belém, tem a região do complexo ferrífero de Carajás e tem a região do Tapajós referenciada na cidade de Santarém. São diferentes cidades que representam importantes eixos de dinâmicas urbanas. E isso repercute nesse processo. Houve primeiro uma estagnação do crescimento populacional em Belém e agora uma diminuição. Enquanto Manaus só vai crescendo. Até 1980, Belém era a principal metrópole e mais populosa da Amazônia. Mas desde o Censo de 1991, Manaus vem se distanciando cada vez mais”.

Segundo o geógrafo, duas variáveis explicam o crescimento de Manaus. Uma delas é a natalidade acima da média do restante do país. A outra é a migração.

“Manaus é uma metrópole que tem um alto volume migratório, em grande medida pelo seu parque industrial onde um volume muito grande de empresas está instalado. A cidade tem uma população bastante cosmopolita, pois atrai não só pessoas do interior do Amazonas, como também pessoas que vieram de outros estados e de outros países”.

Para o pesquisador, o crescimento populacional não é influenciado pelo desmatamento e pela exploração da Floresta Amazônica. Segundo ele, o Amazonas ainda tem uma ocupação e uma urbanização ainda muito influenciada pelos rios, o que freia a chegada de empreendimentos que devastam o meio ambiente. “Nós não temos uma rede de estrada muito desenvolvida. A única estrada que nós temos em relação ao restante do Brasil é a BR-319, cujo trecho do meio é um tanto precário e não permite uma circulação contínua. Então eu avalio que não há uma relação com o desmatamento. O que contribui de fato pro crescimento populacional é o Polo Industrial de Manaus. O desmatamento no Amazonas ocorre, tem chegado um pouco pelo sul do estado, mas não é tão expressivo como na Amazônia oriental”.

* colaborou Tâmara Freire, repórter da Rádio Nacional do Rio de Janeiro

Bragantino vence Fluminense na final do Brasileirão Feminino A2

O Bragantino deu um grande passo para o título do Campeonato Brasileiro Feminino A2 ao derrotar o Fluminense neste domingo (2), fora de casa, por 3 a 0. O revés representou a primeira derrota do Tricolor na competição em 12 jogos e deu vantagem à equipe paulista. Ela pode ser derrotada por até dois gols de diferença no jogo de volta da decisão, no dia 10, em Bragança Paulista, que mesmo assim se sagrará campeã da segunda divisão do futebol feminino brasileiro em 2023. Os gols do triunfo foram marcados por Leticia Monteiro, duas vezes, e Luana.

As visitantes resolveram o jogo no primeiro tempo, mais especificamente nos 15 minutos finais da etapa inicial. A torcida tricolor – que teve entrada gratuita no Estádio Luso Brasileiro – viu o Bragantino abrir o placar aos 35 minutos. Brenda Pinheiro recebeu pela direita e chutou cruzado. A goleira Amanda Coimbra desviou de leve e Luana completou para o gol vazio. O lance ainda foi checado pelo VAR e validado.

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Aos 42 minutos, após bola roubada no campo adversário, Leticia Monteiro acertou belo chute colocado de fora da área e ampliou.

Seis minutos depois, a mesma Leticia Monteiro fez o terceiro gol, após contra-ataque, recebendo na entrada na área e tocando na saída de Amanda Coimbra.

No segundo tempo, o Fluminense tentou a todo custo diminuir a desvantagem e criou oportunidades para isso. Lorranny cobrou falta na trave esquerda do gol defendido por Alice, Guedes acertou o travessão em outro lance e a zagueira Débora tirou um gol em cima da linha.

No entanto, o Bragantino conseguiu manter a larga vantagem e, agora, chega confortável para o duelo decisivo, que será no dia 10 de julho, uma segunda-feira, às 19h, no Estádio Nabi Abib Chedid. Para sair campeão, o Fluminense precisará vencer por três gols de diferença para definir o título nos pênaltis ou por quatro ou mais gols de diferença para levar a taça nos 90 minutos.

As duas equipes já garantiram vaga no Brasileirão A1 em 2024, juntamente com Botafogo e América-MG.
 

Pesquisa mostra potencial de carvão de coco na descontaminação da água

A água de coco é um símbolo da cultura praiana do país. A bebida gelada ajuda a refrescar turistas e locais e a aguentar o calor, principalmente no verão. O problema é que 250 mililitros (ml) do líquido resultam, em média, em 1 quilo de lixo, formado pela casca do coco, que não é consumida. 

E esse lixo leva de 10 a 15 anos para se decompor. Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) buscou uma solução para esse resíduo, que não apenas evitasse sua inutilização e descarte em um aterro sanitário (ou na natureza) como também contribuísse para a despoluição da água consumida pela população. 

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Em sua tese de doutorado, o pesquisador Bruno Salarini Peixoto, sob orientação da professora Marcela de Moraes, do Instituto de Química da UFF, desenvolveu uma técnica mais econômica e eficiente para transformar o coco verde em carvão magnético e também para usar esse produto como um descontaminante. 

Segundo Marcela de Moraes, o coco é inicialmente transformado em biocarvão através de sua queima. Posteriormente, ele passa por um processo de ativação e, por fim, são adicionadas nanopartículas magnéticas ao produto. Esse produto é capaz de adsorver, ou seja, é capaz de atrair para sua superfície, as substâncias contaminantes da água. E também, uma vez magnetizado, pode ser retirado da água (depois de adsorver os poluentes) através de imãs. 

Ela explica que a retirada do carvão da água por magnetismo é mais barato do que o método da filtração.  

Resíduos de medicamentos

O biocarvão magnético tem uma importância ainda maior se for considerado o tipo de papel que ele pode ter na limpeza da água: a retirada de resíduos de medicamentos, inclusive de antibióticos, em estações de tratamento. 

“O consumo de remédios [no mundo] aumentou. A gente toma muito remédio e tudo o que a gente toma acaba sendo excretado, de alguma forma. Na nossa urina, por exemplo. E também há o descarte irregular de fármacos”, diz Marcela. 

A pesquisadora destaca que os métodos tradicionais de limpeza da água nas estações de tratamento não conseguem eliminar esse tipo de poluente, chamado de “contaminante emergente” (ou seja, contaminantes que ganharam importância recentemente). 

“As estações de tratamento de água e esgoto que a gente tem hoje não foram desenvolvidas para remover essas substâncias. Então essas substâncias passam através da estação de tratamento e elas voltam pra gente. A tendência é que, se a gente não mudar esse cenário, a quantidade dessas substâncias aumente cada vez mais. Isso significa que a gente estaria tomando uma água com antibiótico, em doses cada vez maiores”, explica Marcela. 

Segundo a pesquisadora, o carvão pode ser adicionado diretamente ao tanque de tratamento da água ou ser colocado na tubulação por onde a água passa depois de tratada pela estação.  

“Nesse momento estamos avaliando a possibilidade de aprisionar o carvão e fazer com que a água passe através dele. Nós estamos prospectando patentear o processo de produção desse biocarvão e a próxima etapa seria entrar em contato com a estação de tratamento de água aqui de Niterói [município do Grande Rio de Janeiro, que é sede da UFF], para que a gente possa começar a aplicar o material”. 

A pesquisa foi financiada pelo Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

Produção brasileira de petróleo aumenta 4% em 2022, diz ANP

Dados consolidados do ano de 2022, divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), revelam que a produção nacional de petróleo atingiu 3 milhões de barris por dia, com aumento de 4% em comparação ao ano anterior. A produção de petróleo do pré-sal atingiu média de 2,3 milhões de barris/dia no ano, representando cerca de 76% da produção total do Brasil.

As reservas totais de petróleo apresentaram, em 2022, crescimento de 10,6% em relação a 2021, chegando a 26,91 bilhões de barris. Já as reservas provadas de petróleo somaram 14,9 bilhões de barris, expansão de 11,5%. No ano de 2022, as exportações de petróleo totalizaram 1,3 milhão de barris/dia, enquanto as importações do produto alcançaram 275 mil barris/dia, registrando crescimento de 68,3%.

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Com relação ao gás natural, a produção teve acréscimo de 3,1%, marcando o 13º ano consecutivo de aumento. Foram produzidos, no ano passado, 137,9 milhões de metros cúbicos (m³) diários. No pré-sal, a produção de gás natural também seguiu ampliando sua participação no total nacional e correspondeu a 71,6%, em 2022. As reservas totais cresceram 4,5%, atingindo 587,9 bilhões de metros cúbicos. As reservas provadas de gás somaram 406,5 bilhões de m³, crescimento de 6,6% em relação ao ano anterior.

Biocombustíveis

Já no setor de biocombustíveis, a produção de biodiesel, em 2022, foi 7,6% inferior à de 2021. A ANP destacou, no entanto, que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reduziu o percentual de biodiesel no óleo diesel de 12% para 10%, a partir de novembro de 2021. Essa medida perdurou durante todo ano de 2022. Já a produção de etanol superou em 2,5% a de 2021, atingindo a marca histórica de 30,7 bilhões de litros. O etanol hidratado apresentou menor competitividade dos preços em relação à gasolina C, o que resultou, em 2022, em queda de 7,5% nas vendas desse combustível.

A produção nacional de derivados de petróleo cresceu 6,7% em 2022 e atingiu 2,1 milhões de barris/dia, respondendo por cerca de 84% da capacidade instalada de refino, enquanto as vendas de derivados pelas distribuidoras evoluíram 3,9%, com destaque para as vendas de querosene de aviação (+35,9%).

Por outro lado, o volume de obrigações da cláusula dos contratos de concessão, partilha e cessão onerosa, relativo aos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), foi de R$ 4,4 bilhões, sinalizando aumento em relação a 2021 da ordem de 45,8%. O montante gerado de participações governamentais, incluindo royalties e participação especial, por exemplo, atingiu R$ 118,6 bilhões em 2022, incremento de 52% em relação ao ano anterior.

Royalties são uma compensação financeira paga à União, aos estados e municípios pelos produtores de óleo e gás e são recolhidos mensalmente sobre o valor da produção do campo. A participação especial, por sua vez, consiste em uma compensação financeira extraordinária devida pelos concessionários de exploração e produção de petróleo ou gás natural para campos de grande volume de produção.

Internacionais

Os dados internacionais, que também farão parte do Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2023, têm previsão de divulgação neste mês de julho.

A ANP salientou ainda que, em 2022, foram promovidos pelo órgão dois ciclos da Oferta Permanente de Blocos e Áreas para Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural: o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC); e o 1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção (OPP).

Vôlei: Brasil encerra 1ª fase da Liga das Nações feminina com vitória

A seleção feminina de vôlei encerrou a participação na primeira fase da Liga das Nações com vitória. Neste domingo (2), as brasileiras venceram a Tailândia por 3 sets a 0, com parciais de 25 a 20, 25 a 16 e 25 a 23, em Bangkok, capital tailandesa.

A Liga das Nações reúne as 16 principais seleções do mundo. Na primeira fase, as equipes fizeram quatro jogos ao longo de quatro semanas, em sedes diferentes, totalizando 12 duelos. Brasília, por exemplo, recebeu os quatro confrontos da terceira semana, enquanto Bangkok foi palco das quatro partidas finais. Os oito melhores times se classificaram para o mata-mata, que será disputado em Arlington, nos Estados Unidos, entre os dias 12 e 16 de julho.

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A equipe comandada por José Roberto Guimarães entrou em quadra classificada, beneficiada pela derrota da Sérvia para a República Dominicana, na madrugada de sábado (1º). As brasileiras avançaram com a quarta melhor campanha e terão pela frente a China, quinta colocada da primeira fase, nas quartas de final, no dia 13, às 16h (horário de Brasília).
Vôlei: Brasil encerra 1ª fase da Liga das Nações feminina com vitória Seleção faz 3 a 0 na Tailândia e encara a China nas quartas de final Foto: FIVB/Divulgação

Apesar da vaga assegurada e da vitória tranquila contra as tailandesas, o Brasil chegou à partida pressionado após duas derrotas consecutivas, para Canadá (3 sets a 2) e Turquia (3 a 0). A ponteira e capitã Gabi foi a protagonista brasileira em Bangkok, com 19 pontos. A seleção verde e amarela ainda teve outras três jogadoras com dez pontos ou mais: as centrais Carol (14) e Thaísa (11); e a oposta Maiara Basso (dez). A maior pontuadora do jogo foi a ponteira Moksri Chatchu-On, da Tailândia, com 21 pontos.

Quem avançar entre Brasil e China enfrenta, no dia 15, o ganhador de Polônia e Alemanha. As polonesas tiveram a melhor campanha da primeira fase, enquanto as alemãs ficaram em oitavo. Os outros jogos das quartas de final reúnem Estados Unidos (segundo) e Japão (sétimo); e Turquia (terceira) e Itália (sexta). Vice-campeãs das últimas três edições da Liga das Nações, as brasileiras buscam um título inédito.

Masculino

A partir de terça-feira (4), começa a quarta e última semana da primeira fase da Liga das Nações masculina. O Brasil jogará em Pasay, nas Filipinas. A série de quatro partidas será aberta contra a Itália, às 4h (horário de Brasília). Os brasileiros ainda enfrentam Holanda, Polônia e China. Campeã em 2021, a seleção treinada por Renan Dal Zotto está em terceiro lugar. A etapa final dos homens será em Gdansk, na Polônia, entre 19 e 23 de julho.
 

Em festa da Independência do Brasil na Bahia, Lula exalta povo baiano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na manhã deste domingo (2) das comemorações pelos 200 anos da Independência do Brasil na Bahia. Ele chamou a festa de “consagração da Bahia como capital histórica do Brasil”.

A cada 2 de julho, a Bahia celebra a expulsão feita em 1823 das tropas portuguesas que ainda resistiam à Independência declarada no ano anterior por Dom Pedro II. Num movimento que contou com a participação popular, qualquer autoridade lusitana remanescente foi extirpada do poder.

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Ao lançar um selo comemorativo ao bicentenário da data, Lula acrescentou que o segredo do sucesso da Bahia está na capacidade de resistir quando necessário. “É um povo que é alegre, festivo, mas quando tem que lutar vai pra cima e derrota o adversário”, disse o presidente.

À tarde, o presidente seguiu para o Ilhéus, onde deve participar, amanhã (3), de uma agenda para inaugurar a retomada das obras do trecho que fica entre a cidade do litoral baiano e Caetité (BA), no sertão. 

Escritora Patrícia Galvão, a Pagu, é a homenageada da Flip 2023

A escritora, poetisa, diretora, tradutora, desenhista, cartunista e jornalista brasileira Patrícia Rehder Galvão, conhecida como Pagu, é a homenageada deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que será realizada entre os dias 22 e 26 de novembro próximo. Nascida em 9 de junho de 1910, em Santos (SP), e falecida em 12 de dezembro de 1962, em São Paulo, Pagu teve destaque significativo no movimento modernista iniciado em 1922, embora não tivesse participado da Semana de Arte Moderna porque, na época, tinha apenas doze anos de idade.

As curadoras da Flip 2023, Fernanda Bastos e Milena Britto, destacaram que, por meio de seus inúmeros pseudônimos, várias mulheres se manifestaram em Pagu. “Muitas são as paisagens de dentro e de fora que ela nos mostra com suas múltiplas linguagens, todas trazendo em comum uma contestação incansável diante do mundo rígido. Com seus modos de dizer e desenhar mundos, Pagu desenvolve uma paisagem em que são retratadas diversas mulheres brasileiras: operárias, mães, boêmias, artistas, as que aspiram à liberdade. É transformador olhar o presente por meio das lentes de Pagu”, atestam as curadoras.

Retratos de Pagu feito no final da década de 1920 homenageada da Flip 2023 – Flip/Divulgação

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“Atuou nos movimentos modernista e feminista, além de ter se dedicado ao ativismo contra o fascismo. Pagu teve destacada atuação na imprensa, tendo participado de publicações como Brás Jornal, Revista da Antropofagia, O homem do povo/A mulher do povo, A plateia, A vanguarda socialista, France-Presse, Suplemento Literário do Jornal Diário de São Paulo, Fanfulla e A tribuna”.

Começo de Pagu

O apelido Pagu foi dado pelo poeta Raul Bopp, pensando que ela se chamava Patrícia Goulart. Foi uma mulher avançada para os padrões da época, com comportamento considerado extravagante. Ela defendia causas feministas, fumava e bebia em público, usava cabelos curtos e roupas colantes e transparentes, costumava falar palavões e manteve diversos relacionamentos amorosos, o que contrastava com sua origem familiar, conservadora e tradicional. Aos 15 anos de idade, em 1925, mudou-se com a família para a capital paulista, onde conseguiu o primeiro emprego como redatora, escrevendo críticas contra o governo e as injustiças sociais em uma coluna do Brás Jornal, assinando com o pseudônimo de Patsy.

Aos dezoito anos, após completar o curso na escola normal da capital paulista, integrou-se ao Movimento Antropofágico, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. O poema de Raul Bopp Coco de Pagu, escrito em sua homenagem, foi o responsável por tornar célebre a jovem Pagu. Ela própria o interpretou no Teatro Municipal de São Paulo, em 1929.

Casou-se com Oswald de Andrade, em abril de 1930, depois que ele se separou de Tarsila. Desquitaram-se em 1934. Com Oswaldo de Andrade, teve um filho, Rudá de Andrade.

Em 1931, Pagu ingressou no então Partido Comunista do Brasil (PCB). Ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos, no mesmo ano, foi presa pela polícia política de Getúlio Vargas. Essa foi a primeira de uma série de 23 prisões ao longo da vida. Em 1940, iniciou relacionamento com Geraldo Ferraz, com quem teve o segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz, em 18 de junho de 1941.

Pluralidade

Conforme avaliam Fernanda Bastos e Milena Britto, a pluralidade de gêneros incorporados no repertório artístico de Pagu faz dela uma aparição destacada na cena literária brasileira, “ainda que tenha falecido em 12 de dezembro de 1962 sem o reconhecimento e a legitimação que muitos de seus contemporâneos usufruíram. Foi prolífica à sua maneira, dedicando-se a muitos projetos que sempre cruzavam linhas e normas estabelecidas, surpreendendo no desenho, cartum, tradução, poesia, prosa, crítica literária, panfleto político, caderno de croquis, correspondência, crônica, diário e performance”.

Retrato de Pagu feito na década de 20 – Flip/Divulgação

Pagu publicou os romances Parque Industrial, em 1933, com o pseudônimo de Mara Lobo, considerado o primeiro romance proletário brasileiro, e A Famosa Revista, publicado em 1945 em colaboração com Geraldo Ferraz. Sob o pseudônimo King Shelter, lançou diversos contos policiais, reunidos posteriormente no volume Safra Macabra. Para o teatro, traduziu grandes autores, muitos deles até então inéditos no Brasil, como James Joyce, Eugène Ionesco, Fernando Arrabal e Octavio Paz.

“O nome Pagu nos leva a lutas estéticas e políticas; nos alerta o quanto pode incomodar a coragem de uma mulher que enfrenta a força plena representada por instituições regulamentadoras de vida, de arte, de liberdades. Essa artista de vida extraordinária teve de pagar um preço alto por ser plenamente o que era em uma época de tantas interdições. Foi encarcerada algumas vezes, uma delas tendo passado quatro anos na prisão, onde enfrentou torturas físicas e psicológicas. Entre os sofrimentos que lhe deixaram profundas cicatrizes, Pagu teve de enfrentar abandono e desprezo de muitos aliados, mas jamais cedeu em seu espírito livre, continuou lutando contra as regras e a ordem cerceadora até o fim, mesmo que algumas vezes de maneira incompreensível para os seus contemporâneos”.

As curadoras da Flip salientam que “é esta mesma luta que perdura, com arte e artimanha, que nos faz olhar para os espaços de encarceramento e imaginar mentes livres, criadoras; que nos faz olhar para a paisagem política do mundo e verificar a força de tantas mulheres sonhando mundos para todos; olhar para a arte de todo lugar e ver o sorriso de uma Pagu que sabia que o país que o Brasil escondia teria ainda de ser revelado”.

Homenagens

Em 1988, a vida de Pagu foi contada no filme Eternamente Pagu (1987), primeiro longa-metragem dirigido por Norma Benguell, com Carla Camurati no papel-título, Antônio Fagundes como Oswald de Andrade e Esther Góes no papel de Tarsila do Amaral.

Em 2004, foi publicado o Caderno de Croquis de Pagu e outros momentos felizes que foram devorados reunidos, com 22 desenhos da artista. O livro foi organizado por Lúcia Maria Teixeira Furlani, com a colaboração de Leda Rita Ferraz e de Rudá de Andrade, filho de Pagu e Oswald de Andrade. Foi também realizada uma exposição de seus desenhos no Museu de Imagem e do Som (MIS), São Paulo. Em 2005, a cidade de São Paulo comemorou 95 anos de nascimento de Pagu com uma vasta programação, que incluiu lançamento de livros, exposição de fotos, desenhos e textos da homenageada, apresentação de um espetáculo teatral sobre sua vida e inauguração de uma página na Internet.

A lista de escritores homenageados pela Flip inclui também, em 2022, Maria Firmina dos Reis; 2021, Indígenas vítimas da covid-19; 2020, Elizabeth Bishop; 2019, Euclides da Cunha; 2018, Hilda Hilst; 2017, Lima Barreto; 2016, Ana Cristina Cesar; 2015, Mário de Andrade; 2014, Millôr Fernandes; 2013, Graciliano Ramos; 2012, Carlos Drummond de Andrade; 2011, Oswald de Andrade; 2010, Gilberto Freyre; 2009, Manuel Bandeira; 2008, Machado de Assis; 2007, Nelson Rodrigues; 2006, Jorge Amado; 2005, Clarice Lispector; 2004, Guimarães Rosa; e 2003, Vinicius de Moraes. 

Líderes da Câmara se reúnem à noite para definir pauta econômica

O colégio de líderes da Câmara dos Deputados se reúne na noite deste domingo (2) para definir a pauta de votação da primeira semana de julho, após a reunião, que costuma acontecer às terças, ter sido antecipada pelo presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL).

Lira anunciou a antecipação pelas redes sociais na sexta (30), depois de reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Desde meados de junho que o presidente da Câmara anuncia para a semana um esforço concentrado de votação de pautas econômicas amplas, como a reforma tributária, o arcabouço fiscal e mudanças no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

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Outro tema que pode ser votado pelos deputados é a recriação do Programa de Aquisição de Alimentos (PPA). “Tem uma agenda pesada na semana que vem. Muita coisa para decidir, mas a intenção é votar tudo”, disse Haddad após o encontro com Lira. Uma sessão extraordinária de deliberação já foi convocada para as 16h de segunda-feira (3).

O primeiro tema a ser votado deverá ser a proposta pelo retorno do voto de qualidade no Carf, tema para o qual foi dada urgência pelo governo e que no momento trava a pauta do plenário. A medida é tida como prioridade pela equipe econômica, por abrir caminho para desempates favoráveis aos cofres públicos em disputas fiscais.

Na sexta (30), Haddad disse acreditar que a Câmara vai respeitar um acordo feito entre o governo e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre o assunto. Pelo entendimento, as empresas derrotadas pelo voto de desempate do governo ficariam isentas da multa, pagando apenas a dívida principal e os juros. Caso a empresa pague o débito em até 90 dias, os juros também serão cancelados.

Arcabouço fiscal

Uma vez liberada a pauta, a previsão feita por Lira e pelo governo é que seja novamente votado o texto-base do arcabouço fiscal. A proposta já havia sido aprovada em maio pelos deputados, mas precisará ser votada de novo porque o governo conseguiu fazer alterações no Senado, incluindo novas isenções ao limite de gastos.

Entre as mudanças, está a exclusão de gastos com o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), a complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e as despesas com ciência, tecnologia e inovação.

Uma tramitação rápida do arcabouço é considerada crucial pelo governo, por dar previsibilidade e maior confiança ao mercado sobre a evolução dos gastos públicos. A expectativa da equipe econômica é que a medida ajude a acelerar uma eventual redução de juros pelo Banco Central e colocar o país numa rota de aquecimento econômico.

Reforma tributária

Há a expectativa de que o plenário da Câmara possa começar a votar uma primeira etapa da reforma tributária, cujo parecer foi apresentado no final de junho pelo relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), após mais de quatro meses de discussão.

A principal mudança prevista no relatório será a extinção de cinco tributos: três federais; o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), administrado pelos estados; e o Imposto sobre Serviços (ISS), arrecadado pelos municípios. Em troca, será criado um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, dividido em duas partes. O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) unificará o ICMS e o ISS. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será arrecadada pela União.

Contudo, há resistência de secretários de Fazenda estaduais, alguns dos quais se reuniram com Ribeiro na última quinta-feira (29). Uma das reivindicações é o aumento de R$ 40 bilhões para R$ 75 bilhões o Fundo de Desenvolvimento Regional, que deve ser criado para compensar o fim da guerra fiscal entre as unidades da Federação. 

Fiocruz e Angola fecham parceria para ensino e pesquisa

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), assinou memorando de entendimento com a Universidade Agostinho Neto (UAN), de Luanda, Angola, visando futuras parcerias em ensino e pesquisa entre as instituições.

Na avaliação da Fiocruz, a parceria representa mais um passo na busca pelo estreitamento de laços com instituições africanas. O objetivo é a colaboração mútua nas áreas de doenças tropicais negligenciadas, com destaque para malária e tuberculose; doenças transmissíveis; arboviroses; resistência antimicrobiana (AMR); HIV; clima e saúde; saúde materna, infantil e reprodutiva; entre outras. O memorando de entendimento tem duração de cinco anos.

Recursos humanos

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A coordenadora da Cooperação Institucional do IOC, Anna Cristina Calçada Carvalho, destacou que a política de cooperação institucional visa reforçar as parcerias técnico-científicas com países do hemisfério sul, sobretudo os de língua portuguesa. “O foco do IOC está em contribuir para a formação de recursos humanos nesses lugares. Nós podemos ajudá-los a enfrentar problemas de saúde pública ligados, especialmente, a doenças transmissíveis”, disse Anna Cristina, em nota.

Lembrou, ainda, que todos os Programas de Pós-graduação Stricto sensu do Instituto estão envolvidos na parceria. “A Fiocruz e o IOC têm longa história de colaboração com Angola e Moçambique. Em acordos anteriores firmados para a formação de recursos humanos, mais de cinquenta pessoas foram tituladas mestres ou doutores”, comentou.

O próximo passo será elaborar, junto à UAN, um plano de trabalho para dar seguimento à parceria. Uma reunião já está agendada para agosto com representantes da universidade angolana para tratar do assunto.

Festival Latinidades celebra mulher negra latino-americana

Considerado o maior festival de mulheres negras da América Latina, o Latinidades começa esta semana em Brasília. Com o tema Bem Viver, o evento, no Museu Nacional, celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado em 25 de julho. A programação, a partir da próxima quinta-feira (6), inclui oficinas, painéis, conferências, shows, palestras e mesas de debate com especialistas nacionais e internacionais.  

O evento permanece na capital federal até domingo (9) e passa ainda pelo Rio de Janeiro, no dia 15; por São Paulo, de 21 a 23; e por Salvador, de 29 a 30 de julho. Em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a idealizadora e diretora do festival, Jaqueline Fernandes, explica que se trata de um espaço de articulação política e cultural. A edição deste ano propõe uma discussão: no lugar do lucro e do desenvolvimento desigual, o cuidado com as pessoas e o planeta. 

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“A gente está discutindo isso no Latinidades sobre várias perspectivas. O que é o bem viver do ponto de vista de acesso à política pública, à reparação, ao cuidado, ao auto cuidado. É um olhar de forma transversal para a pauta do bem viver como um conjunto de políticas e práticas integrativas que garantam o acesso de mulheres negras a esse bem viver”, explicou.

Na conversa, Jaqueline destaca ainda a importância de expandir o debate para todo o continente.  

Confira os principais trechos da entrevista: 

Coordenadora Geral do Festival Latinidades, Jaqueline Fernandes, durante entrevista na EBC. – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Radioagência: A criação do Festival Latinidades foi motivada pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho. O que une essas mulheres, independentemente de suas regionalidades? 

Jaqueline Fernandes: Primeiro, é importante dizer que a gente foi motivada pelo 25 de julho, Dia da Mulher Afrolatino-americana e Caribenha, mas, junto com isso, a gente foi motivada pelo fato de vivermos no Distrito Federal e de sermos mulheres negras e periféricas.  Brasília tem uma população majoritariamente negra (58%). A gente tem uma grande dificuldade de reconhecimento dessa negritude. As pessoas não veem Brasília como uma cidade negra, não imaginam esse percentual. Então, a gente queria unir as duas coisas: mostrar para o Brasil que existe essa população potente de mulheres negras do Distrito Federal e também celebrar o 25 de julho. 

Radioagência: Existe uma demanda que a gente pode eleger como principal, que une todas essas mulheres? 

Jaqueline Fernandes: Essa demanda continua sendo a superação do racismo e do machismo na América Latina e no Caribe, que é essa herança realmente escravocrata. É poder pensar em políticas públicas para o acesso de mulheres negras à saúde, à educação, à moradia. É reconhecer os saberes, os fazeres e as contribuições das mulheres negras para a sociedade. É olhar para políticas de ações reparatórias pensando nesse histórico de exclusão e desigualdade das mulheres negras dentro da sociedade. 

Radioagência: O tema do festival este ano é Bem Viver. Como foi o processo de escolha e a que o tema se propõe exatamente? 

Jaqueline Fernandes: O bem viver tem seu conceito mais conhecido nos povos originários dos Andes e vem como uma contraposição ao modelo – mesmo antes desse modelo existir – que a gente vive hoje, dentro do sistema capitalista, que é o desenvolvimentismo, a exploração desmedida da natureza e dos seres humanos. Essa visão originária se encontra em toda a América Latina com visões de povos das florestas, da diáspora negra. E hoje ela ganha um corpo, um olhar milenar, mas que ainda está muito atual e vem sendo encorpado pelo movimento de mulheres negras desde 2015, quando foi tema da Marcha de Mulheres Negras. 

Radioagência: O evento traz mulheres com diferentes áreas de conhecimento, de várias regiões do país e também de outros países. É um espaço de articulação política? 

Jaqueline Fernandes: Sim, é um espaço de articulação política sobretudo que vem desse legado. Em 1992, quando as mulheres se reuniram para o primeiro encontro de mulheres negras afro-latinas e caribenhas da diáspora, cada uma veio de um país, se comunicavam por carta, não tinham e-mail ou outras maneiras de fazer isso mais facilmente, como a gente faz hoje. Então, elas fizeram um grande esforço para se encontrarem e para, a partir dali, compreenderem que a criação de uma data era um marco político. O que a gente faz é simplesmente dar continuidade a essa luta, ao que foi determinado por essas mulheres. E, como esse encontro foi internacional e o Dia da Mulher Negra é internacional, faz muito sentido também que o Latinidades seja internacional. 

A gente articula de 10 a 15 países, todos os anos, como convidados. Ao longo do ano, a gente tem também um processo de articulação, influência política e trabalho de base. A gente tem participado de eventos em outros países e, em 2022, começamos a levar o festival para outros países. Temos uma publicação trilíngue que já passou por algumas universidades negras nos Estados Unidos e também na Colômbia. Então, estamos em um processo de internacionalização do festival e todo esse movimento que a gente faz, com certeza, a partir da cultura, é político. 

Radioagência: Após 16 anos, o festival agora sai de Brasília e vai para outras cidades. Qual é a importância de expandir dentro do país o festival? 

Jaqueline Fernandes: Em 2019, a gente fez uma edição do festival em São Paulo, mas esse é o primeiro ano que a gente vai fazer mais de uma edição em outros lugares no mesmo mês. A gente começa em Brasília e depois vai para o Rio de Janeiro, São Paulo e finaliza em Salvador. Há alguns anos, a gente recebe caravanas de outros estados dentro do festival. Caravanas que são auto gestadas. Acho que a gente nunca organizou nenhuma caravana. As pessoas se organizavam autonomamente para vir e essas pessoas sempre demandavam que o Latinidades fosse para tal cidade. E foi assim que surgiu a ideia de a gente poder ocupar outros territórios. 

Acho que o Latinidade tem sido um projeto pioneiro, de referência ao dia 25 de julho no Brasil. E, expandindo o festival para outras cidades, a gente se soma a outras iniciativas pelo Brasil que estão buscando justamente fazer essa data ganhar corpo. Uma data muito conhecida pelos movimentos sociais, mas que precisa crescer cada vez mais e ser conhecida pela grande mídia e pela sociedade em geral.  

Radioagência: O foco principal do Latinidades são mulheres negras, mas certamente vai haver pessoas não negras e homens que ficam se perguntando se são bem-vindos e se podem participar. 

Jaqueline Fernandes: Todas as pessoas são bem-vindas na luta antirracista e anti machista. O que a gente está fazendo é criando um festival onde as mulheres negras são protagonistas. Então, no palco, só teremos mulheres negras. Nos espaços de fala, de decisão, de curadoria, de produção, somos todas mulheres negras, mas pessoas não negras são totalmente bem-vindas como público e para construir, evoluir com a gente nessa luta. É um festival de mulheres negras para toda a sociedade. Para participar do evento, baste acessar o site do evento.  

Hoje é Dia: Dia de Combate à Discriminação Racial é destaque

A semana entre 2 e 8 de julho de 2023 tem como destaque uma data de suma importância para os direitos humanos. No dia 3 de julho, é celebrado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial. A data foi criada para relembrar a aprovação da Lei n° 1.390, conhecida como Lei Afonso Arinos, em 1951. Em 2021, o Repórter Brasil explicou o que dizia a Lei.  

No ano anterior, o telejornal da TV Brasil também relembrou a data e falou de sua importância. O assunto também foi tema de uma entrevista no Repórter Nacional, da Rádio Nacional. 

No dia 5, comemora-se o Dia Mundial da Capoeira. A data, que celebra a expressão cultural brasileira, foi tema de uma matéria no Repórter Maranhão, da TV Brasil, em 2018. 

Datas históricas

A semana também é marcada por três datas históricas. No dia 2 de julho, relembra-se a Independência do Brasil na Bahia, ocorrida há 200 anos. Esse evento histórico foi marcado pela luta e resistência dos baianos contra o domínio colonial. Em 2018, o História Hoje falou sobre a data:

Em 8 de julho, é celebrada a fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). No dia anterior, 7, ocorreu a primeira transmissão do programa Som Infinito na MEC FM. Esta edição do programa falou sobre a fundação: 

Personalidades

No dia 2 de julho, o nascimento do artista plástico fluminense Athos Bulcão completa 105 anos. Athos Bulcão é reconhecido por suas obras marcadas pelo uso de azulejos em fachadas e espaços públicos como, por exemplo, em Brasília. A vida e obra dele foram tema do Caminhos da Reportagem em 2018. 

Para fechar a semana, também há o nascimento, há 140 anos, do escritor tcheco Franz Kafka. Em 3 de julho nascia o escritor conhecido por suas obras que exploram temas como alienação, burocracia e o absurdo da existência humana. A Radioagência Nacional falou do seu nascimento neste conteúdo. 

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

Julho de 2023
2

Nascimento do compositor e cantor maranhense Henrique Sapo (95 anos) – Parceiro de diversos artistas locais em sambas, iniciou sua carreira ainda adolescente na Turma do Quinto, foi premiado diversas vezes em concursos carnavalescos e se apresentou em outros estados brasileiros acompanhando grupos tradicionais como o Boi da Madre Deus

Nascimento do artista plástico fluminense Athos Bulcão (105 anos)

Morte do médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann (180 anos) – fundador da homeopatia

Após quase seis anos, grupo guerrilheiro FARC libera do cativeiro a deputada colombiana Ingrid Betancourt (15 anos)

3

Nascimento do escritor tcheco Franz Kafka (140 anos)

Nascimento do compositor fluminense Wilson Batista (110 anos) – em 2011, foi lançado pelo selo Discobertas em convênio com o ICCA – Instituto Cultural Cravo Albin a caixa “100 anos de música popular brasileira” com a reedição em 4 CDs duplos dos oito LPs lançados com as gravações dos programas realizados pelo radialista e produtor Ricardo Cravo Albin na Rádio MEC em 1974 e 1975. No volume 3 estão incluídos seus sambas “Oh, Seu oscar” e “O bonde de São Januário”, ambos com Ataulfo Alves, na interpretação de Gilberto Milfont e As Gatas

Morte do compositor fluminense Waldomiro José da Rocha, o Babaú da Mangueira (30 anos)

Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial – celebra a aprovação da Lei n° 1.390, a Lei Afonso Arinos, de 1951

4

Morte do escritor paulista José Bento Renato Monteiro Lobato, o Monteiro Lobato (75 anos)

Morte do compositor paulista Fernando Álvares Lobo, o Marcelo Tupinambá (70 anos) – durante a sua carreira compôs mais de mil e duzentas melodias, das quais seiscentas foram impressas e gravadas. Marcelo Tupinambá foi autor do Hino Constitucionalista de 1932/MMDC, “O Passo do Soldado”, para o qual Guilherme de Almeida escreveu depois a letra, com interpretação de Francisco Alves

5

Dia Mundial da Capoeira – comemoração internacional, que está prevista no Artigo 10 da Convenção Internacional de Capoeira, cuja data deve servir de reflexão sobre o processo de desenvolvimento e afirmação da identidade da capoeira

6

Nascimento do multi-instrumentista, compositor, escritor e artista visual paulista Arnaldo Dias Baptista (75 anos) – fundador do grupo musical Os Mutantes

Gama e Silva, então Ministro da Justiça, proíbe manifestações em todo o Brasil (55 anos)

7

Morte do compositor fluminense Wilson Batista (55 anos)

Lançamento público do Movimento Negro, em evento nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo, em pleno regime militar (45 anos)

8

Nascimento do ator, diretor de teatro e dramaturgo fluminense João Álvaro de Jesus Quental Ferreira, o Procópio Ferreira (125 anos) – considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro. Em 62 anos de carreira, Procópio interpretou mais de 500 personagens em 427 peças

Fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) (75 anos)

Estudos mostram benefícios das florestas para grandes cidades

Ao longo do século 19, o Rio de Janeiro aprendeu, da pior forma, que a devastação de suas florestas nativas poderia comprometer a sobrevivência da cidade. A então capital do império sofria uma crise hídrica. Grande parte da água que abastecia a cidade vinha do Maciço da Tijuca, uma área antes ocupada por floresta tropical que fora muito desmatada para cultivos agrícolas.

Sem a mata para proteger os mananciais, a água que abastecia a cidade passou a rarear. O que se segue é uma história bastante conhecida: o imperador Dom Pedro II decidiu preservar o que restava da mata e reflorestar as áreas degradadas, com mudas que não tivessem “menos de três anos, nem mais de 15 de idade”.

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Hoje, mais de 150 anos depois, estudos sobre ecologia, poluição atmosférica e climatologia comprovam como a preservação e expansão de florestas são importantes para as grandes cidades, trazendo benefícios como melhorar a qualidade do ar, amenizar o calor, evitar enchentes e escorregamentos de terra, garantir o abastecimento de água potável e servir como áreas de lazer para a população.

Estudo recente realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Universidade Veiga de Almeida, mostrou que a Floresta da Tijuca pode ajudar a limpar a atmosfera de hidrocarbonetos, poluentes nocivos para a saúde humana.

A pesquisa, realizada entre outubro de 2022 e março deste ano, revelou que o ar coletado no Parque Nacional da Tijuca tinha até sete vezes menos hidrocarbonetos do que aquele coletado em Del Castilho, bairro totalmente urbanizado e sem grandes concentrações de vegetação, localizado a cerca de 5 quilômetros de distância, em linha reta, da Floresta da Tijuca.

O estudo não conseguiu concluir se a floresta funcionava como uma barreira física para o ar poluído ou se sua vegetação tinha um efetivo papel na absorção dos gases poluentes. 

Outro resultado do estudo mostra que a floresta pode ajudar na qualidade do ar mesmo em áreas totalmente antropizadas (alteradas). O ar coletado na Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca, localizada a menos de um quilômetro dos limites da floresta continha 2,5 vezes menos hidrocarbonetos do que Del Castilho.

“A Saenz Peña fica a poucos metros da floresta. A floresta está atuando como uma barreira. E, na Tijuca, os ventos vêm do sul, então passam primeiro pela floresta”, afirma Gabriela Arbilla, pesquisadora da UFRJ que realizou o estudo em parceria com Cleyton Martins da Silva, da Universidade Veiga de Almeida.

Antes disso, os dois pesquisadores haviam estudado o papel da floresta da Tijuca nos gases do efeito estufa. Segundo o estudo, a concentração de gás metano era até 11% maior na área urbanizada do que na região de mata. 

Em 2022, um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizado em três remanescentes de área florestal na cidade de Curitiba, concluiu que a mata colaborava para reduzir o calor em seu entorno. 

A floresta conseguia reduzir, em média, em 0,3ºC a temperatura das áreas urbanas localizadas a 200 metros do limite da vegetação. A 50 metros da mata, a temperatura era reduzida em até 0,66ºC. 

A organização internacional World Resources Institute (WRI) mantém uma iniciativa chamada Cities4Forests (Cidades para florestas, em português), que busca incentivar a conservação, manejo e restauração de florestas em áreas urbanas e seus entornos. Atualmente mais de 80 cidades participam do programa, entre as quais, dez brasileiras (São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Extrema, Salvador, Palmas, Macapá, São Luís, Porto Velho e Rio Branco).

Em seu relatório mais recente, publicado em novembro de 2022, a Cities4Forests destaca que existem três tipos de florestas, com base em sua localização em relação à cidade: as internas (situadas dentro das cidades), as adjacentes (que estão no entorno) e as florestas distantes.  

E cada uma tem seu papel. “As florestas internas podem ajudar com questão de drenagem, conforto térmico, lazer. As do entorno têm um trabalho mais forte na questão da segurança hídrica, provisão de água”, afirma o gerente de Desenvolvimento Urbano da WRI no Brasil, Henrique Evers. “Já as mais distantes têm uma relação com a questão climática como um todo. Tem aquele exemplo dos incêndios florestais na Amazônia, em que a fumaça chegou em São Paulo, criando um cenário de filme catastrófico.”

Além disso, as florestas são essenciais para atingir cinco dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS): melhorar saúde e bem-estar; garantir água limpa e saneamento; dar sustentabilidade a cidades e comunidades; ter efeito positivo no clima e também na vida terrestre.

O Rio de Janeiro é uma cidade que tem grandes áreas florestais inseridas na mancha urbana, como o Parque Nacional da Tijuca, o Parque Estadual da Pedra Branca e a restinga de Grumari, além de florestas de entorno, como o Parque Estadual do Mendanha. 

Já a cidade de São Paulo, apesar de ter alguns parques urbanos, tem suas principais florestas localizadas nas periferias e entorno, como o Parque Estadual da Cantareira, a Reserva do Morro Grande e a Área de Proteção Ambiental de Capivari-Monos. São essas áreas verdes que garantem boa parte do abastecimento de água potável da região metropolitana, de acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Estudo publicado em março deste ano por outra organização internacional, a The Nature Conservancy, destacou a importância de se restaurar a vegetação da região da Cantareira para proteger os mananciais e recuperar matas ciliares, aumentando a segurança hídrica da capital paulista e dos municípios do entorno.

De acordo com a pesquisa, essas e outras soluções baseadas na natureza podem proporcionar ao Sistema Cantareira 33% mais água em períodos de seca. Isso também reduziria os custos econômicos das crises hídricas. No caso específico da seca de 2014/2015, poderiam ter sido evitadas perdas de R$ 443 milhões ou 28% do total das perdas registradas. 

Segundo os últimos dados disponíveis, de 2020, quase 50% do território da capital paulista são cobertos por vegetação. “Nos extremos da cidade, a gente tem a maior quantidade de vegetação, a Cantareira, na região norte; Parelheiros, na região sul; e temos um tanto de vegetação no extremo da região leste. Essas áreas se ligam a outras áreas que compõem o cinturão verde da região metropolitana”, explica a coordenadora da Gestão de Parques e Biodiversidade da Cidade de São Paulo, Juliana Summa.

De acordo com Juliana, existem planos para conservar e ampliar a cobertura vegetal da capital paulista. “Um deles é o plano de arborização urbana, que envolve aumentar a quantidade de árvores plantadas na cidade. Nossa meta é plantar 45 mil árvores por ano. Além disso, temos o plano municipal de áreas protegidas, que inclui a plantação de uma vegetação mais arbustiva para criar um corredor de polinizadores, a implantação de outras praças e a ‘vaga verde’, que é o plantio de mudas entre as vagas de estacionamentos”, conta Juliana.

Também há as compensações ambientais de empreendimentos, que envolvem plantio de mudas nas reservas florestais do entorno. Segundo Juliana, é importante que a cidade invista na criação de novos parques e áreas verdes nas regiões mais centrais da mancha urbana paulista. 

Existem hoje condomínios em que parte é transformada em parques urbanos públicos. “São Paulo pode ser muito mais verde do que é. As pessoas precisam entender que ter uma área de vegetação próximq da sua casa não é ter uma área suja, de mato, que não serve para nada. Ela tem uma função superimportante para a cidade.”  

Já a cidade do Rio de Janeiro, em seu Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática, prevê realizar o manejo de 3.400 hectares de área reflorestada e consolidar 1.206 hectares de floresta no município até 2030.

Série D: Brasil de Pelotas recebe Caxias de olho no G4 do Grupo 8

O Brasil de Pelotas recebe o Caxias, a partir das 15h (horário de Brasília) deste domingo (2), no Estádio Bento Freitas, com a clara intenção de entrar no G4 do Grupo 8, que garante vaga para a próxima fase da Série D do Campeonato Brasileiro. A TV Brasil transmite a partida ao vivo.

Ocupando a 6ª posição da chave com 11 pontos conquistados, o Xavante quer aproveitar o fator casa para triunfar na 11ª rodada da competição (a equipe está invicta atuando como mandante na competição). Mas seu adversário será o atual vice-líder do Grupo 8, o Grená da Serra, que tem 17 pontos, quatro a menos do que o líder Hercílio Luz.

O técnico Rogério Zimmermann realizou treinos táticos durante a semana para o confronto deste domingo. A notícia positiva é que a equipe chega sem qualquer desfalque à partida.

O experiente goleiro Marcelo Pitol, de 41 anos, é um dos destaques do time. Ele tem atuado muito bem na Série D. A curiosidade é que o arqueiro havia pendurado as luvas após a edição 2022 do Campeonato Gaúcho, quando atuava pelo Caxias. Porém, Marcelo voltou atrás em sua decisão e, em novembro do último ano, assinou contrato com o Brasil de Pelotas. Outro destaque da equipe é o lateral Mário Henrique, que tem grande presença no ataque, inclusive marcando quatro gols nessa edição da Série D.

“Temos certeza de que será um grande jogo. Em todas as partidas aqui a casa está lotada. Com o foco mantido a cada dia iremos sair vitoriosos. Vamos nos dedicar muito, correr os 90 minutos”, declarou o meio-campista Patrick em entrevista coletiva.

Caxias motivado

Do outro lado do gramado estará um Caxias motivado. A equipe faz uma boa temporada, na qual garantiu o vice-campeonato no Gaúcho após eliminar o Internacional em pleno Beira Rio nas semifinais. Já na Série D, o Grená da Serra está perto de garantir a vaga para a próxima fase. Um dos responsáveis pela boa fase da equipe é o centroavante Eron, que já tem sete gols na competição nacional.

Porém, o técnico Gerson Gusmão terá problemas para escalar sua equipe para o jogo, isso porque o Caxias tem três desfalques confirmados: os laterais Yago, suspenso, e Jonathan, lesionado, e o volante Marlon, suspenso.

“É um jogo extremamente difícil. Temos consciência e nos preparamos para isso. Não podemos ser surpreendidos. É fazer um jogo forte lá e voltar com o resultado que nós queremos, que é a vitória”, declarou o treinador em coletiva concedida na última sexta (30).

* Colaboração de Pedro Dabés (estagiário) sob supervisão de Paulo Garritano.

Botafogo e Vasco fazem clássico de opostos no Campeonato Brasileiro

O Botafogo recebe o Vasco, a partir das 16h (horário de Brasília) deste domingo (2) no estádio Nilton Santos, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro em um clássico no qual as equipes chegam em situações opostas na classificação. A Rádio Nacional transmite o Clássico da Amizade ao vivo.

Ocupando a liderança do Brasileiro com 30 pontos conquistados, o Botafogo vive um momento de incerteza após a saída do técnico português Luís Castro, que acertou a transferência para o Al-Nassr (Arábia Saudita).

Apesar de ter derrotado o Palmeiras por 1 a 0, no último domingo (25) em pleno Allianz Parque, o Alvinegro chega em momento de certa frustração, após não conseguir garantir a vaga direta nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Na última quinta-feira (29), a equipe de General Severiano ficou no 1 a 1 com o Magallanes (Chile) e agora terá que disputar o playoff das oitavas da competição continental contra o Patronato (Argentina).

Se o Botafogo ocupa a ponta da classificação do Brasileiro, o Vasco é apenas o 18º colocado com 9 pontos. O Cruzmaltino vem de vitória, de 1 a 0 para o Cuiabá na última segunda-feira (26), e busca um novo triunfo para tentar deixar a zona do rebaixamento.

Mas um problema que o técnico interino William Batista (que comanda a equipe desde a saída de Maurício Barbieri) pode ter é o volante Jair. O jogador, que marcou o gol da vitória sobre o Dourado, apresentou, durante a semana, dores no joelho esquerdo e pode ficar de fora do clássico. Uma ausência certa é do meia-atacante Gabriel Pec, suspenso por acúmulo de cartões amarelos.

 Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite Botafogo e Vasco com a narração de André Luiz Mendes, comentários de Mario Silva, reportagem de Mauricio Costa e plantão de Bruno Mendes. Você acompanha o Show de Bola Nacional aqui:

Justiça itinerante realiza 59 requalificações de civis em Cabo Frio

A edição especial da Justiça Itinerante voltada para o público LGBTQIA+ realizou 59 requalificações civis em Cabo Frio (RJ). Essas pessoas receberam os novos registros com o nome e o gênero escolhidos. O balanço foi divulgado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (PJERJ).

Esta foi a 8º edição do evento de Requalificação Civil voltado para atendimento jurídico de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais, assexuais e outros e aconteceu no Fórum do município. Os atendimentos ocorreram na última sexta-feira (30). 

Notícias relacionadas:

As pessoas atendidas foram identificadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social de Cabo Frio. E, a partir da identificação das suas demandas, elas foram encaminhadas para a Defensoria Pública, que direcionou os pedidos para a Justiça Itinerante.  

Segundo o PJERJ, desde maio de 2018, quando o atendimento específico ao público LGBTQIA+ foi iniciado no posto da Justiça Itinerante Maré/Fiocruz foram distribuídas 3.228 ações de redesignação do estado sexual. 

A Justiça Itinerante é um programa que leva juízes e membros do Ministério Público e Defensoria Pública ao encontro de cidadãos que estão em locais de vulnerabilidade social e de difícil acesso a serviços públicos. 

Alíquota de importação para compra do exterior é prejudicial ao varejo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de uma reunião com representantes do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), hoje (1°), em São Paulo. A pauta foi a cross border, categoria de vendas viabilizada por meio de plataformas digitais, e o gancho para o pedido de reunião, por parte do instituto, foi a Portaria nº 612, editada pela pasta nesta sexta-feira (30), que reduz a zero a alíquota de importação para compras do exterior de até US$ 50.

Conforme explicou o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho, a entidade acompanha o assunto mais de perto há três anos e sente a necessidade de se afinar a tributação nessa esfera, algo justificado, sobretudo, com o aumento da demanda durante a pandemia de covid-19.

“O que nós viemos falar, nesse momento, é que essa redução que foi feita na portaria publicada nesta semana é muito prejudicial para o varejo, para a indústria e poderá levar a um forte desemprego, ao fechamento de lojas, algo que não é visível de imediato, mas, da forma que está, pode levar a essa consequências muito ruins para o país, que precisa gerar emprego. Inclusive, a redução de tributos, de que o país está precisando tanto”, afirmou Gonçalves Filho.

“Nós viemos mostrar ao ministro que precisamos, em um curtíssimo prazo, que não queremos impostos, aumento de tributos, nós queremos isonomia, que o nosso varejo, que quem trabalha aqui, quem vende, a indústria tenham as mesmas condições de quem traz produto de fora. Nós temos toda a folha de pagamento, os tributos estaduais, federais, financeiros, que devem estar contemplados nessa alíquota. Foi estabelecido já uma alíquota estadual e precisamos trabalhar, essa foi a proposta com o ministro, a curtíssimo prazo, se possível, ainda antes de agosto, uma alíquota que dê isonomia na competição”, explicou.

A avaliação dos representantes do instituto é de que o encontro foi positivo e de que houve sinalização “de compreensão” por parte do governo.

O conselheiro do IDV Sergio Zimerman reiterou a fala do presidente da organização, ressaltando o argumento que se persegue é a “isonomia de tratamento”. “O que a gente defende é a igualdade de tratamento. Se puder ser imposto baixo para todo mundo, maravilhoso, mas não faz sentido o imposto para quem gera empregos no Brasil ser mais alto do que quem vende fora do Brasil”, disse.

O ministro Haddad partiu após a reunião, sem falar com a imprensa.

Filme Sonhos exilados traz histórias de imigrantes africanos em SP

Da África para o Brasil, mulheres e homens imigrantes vieram com sonhos e expectativas, mas se depararam com desilusões e xenofobia. São histórias que podem ser vistas no curta do angolano Paulo Chavonga, que traz a narrativa de vendedores imigrantes africanos nas ruas de São Paulo.

Paulo conta que a ideia surgiu quando chegou no Brasil e viu muitos imigrantes parecidos com ele, mas ao mesmo tempo muito diferentes. “Mas, o Brasil colocava a gente no mesmo grupo. O fato da gente vir aqui com sonhos nos fez pensar que chegaríamos no Brasil como um país irmão, porque muitos deles se sentiram muito atraídos, por exemplo, pelo futebol e pelo fato da seleção brasileira ter muitos jogadores negros, então passava uma imagem de país muito acolhedor. Mas, ao chegar aqui a gente se depara com uma série de questões que nos excluem: tem a xenofobia e o racismo, que a gente não sabe muito lidar”, conta Chavonga.

Paulo Chavonga aborda cotidiano dos africanos no Brasil – Gabryel Sampaio

Artista nascido em Benguela (Angola), Paulo atualmente vive em São Paulo. Ele conta que em sua terra natal, o sofrimento é pela desigualdade social, não por racismo. “Viemos de um país em que a gente no máximo sofria desigualdade social, mas nunca por falta de referências, por falta de oportunidade e não essa desigualdade por conta da raça. Trouxe as histórias dessas pessoas que são muito silenciadas”.

O cineasta mostra que o racismo no país leva muitos imigrantes africanos à migração reversa, ou seja, quando os imigrantes saem do Brasil para outros países ou mesmo para retornarem à sua terra natal.

“No filme eles contam os sonhos que tinham antes de vir para o Brasil e o sonhos que eles têm já aqui,  inclusive mostro também uma migração reversa, dessas pessoas que vieram para o Brasil para poder procurar melhores condições de vida, mas por conta desses estigmas, dessa violência, eles fazem o caminho de volta ou vão para outros países”, explicou.

Além dos dissabores, o filme aborda também a alegria ao viver no país e a atração dos africanos pelo Brasil. “É de fato um povo muito alegre, a cultura é muito diversa e a gente se encanta com o jeito de ser do Brasil, com essa mistura, essa alegria. Como falei do futebol, essa diversidade racial na seleção brasileira, isso nos atrai de alguma forma. E o fato também do Brasil nos oferecer um misto de experiências, isso amplia nosso campo de visão sobre o mundo quando a gente chega aqui”. 

O cineasta pretende, com o filme, abrir o diálogo entre os imigrantes africanos e os brasileiros. “O filme abre porta para o diálogo e também pretende questionar o imaginário brasileiro sobre o imigrante africano e negro, porque o Brasil tem essa máscara de um país super acolhedor, mas tem questões que nos silenciam e vão consumindo a gente por dentro. Meu objetivo com o filme é abrir um diálogo e também questionar as pessoas, o imaginário brasileiro, o continente africano e negro aqui no Brasil”. 

O curta foi lançado na última terça-feira (27), no Cine Olido, em São Paulo e já pode ser assistido no Canal Conexão Angola Brasil, do Youtube. A produção integra a exposição “Onde o arco íris se esconde”, que começa em 8 de julho, no Museu da Imigração, em São Paulo e será exibido também no local.

Exposição

Além de cineasta, Paulo Chavonga, é poeta e artista plástico. Na exposição individual do artista,  organizado pelo coletivo conexão Angola Brasil através do projeto “Histórias que pintam África Pelas Ruas de São Paulo”, mostra suas obras.

Exposição de Paulo Chavonga Onde o arco íris se esconde – Gabryel Sampaio

Na exposição Onde o arco íris se esconde, Chavonga faz conexões entre trajetórias de imigrantes africanos, a experiência cotidiana em outro país e o universo da representatividade artística.  A exposição integra 60 pinturas, uma instalação que reproduz uma barraca de venda de tecidos da Praça da República, dois vídeos e 12 poemas, que serão apresentados escritos ou em áudios espalhados pelo Museu. No dia da estreia, os poemas serão declamados pelos poetas angolanos Ermi Pazo e Mwana N´gola.

O projeto “Histórias que pintam África Pelas Ruas de São Paulo” foca nas múltiplas relações construídas entre Angola e Brasil pelas artes.

Yago Dora vence etapa de Saquarema do circuito mundial de surfe

O paranaense Yago Dora conquistou, neste sábado (1º), a etapa de Saquarema (RJ) do circuito da Liga Mundial de Surfe (WSL, sigla em inglês). Nascido em Curitiba e radicado em Florianópolis, o surfista de 27 anos ainda não havia vencido na elite da modalidade, da qual faz parte desde 2018.

Iniciada no último dia 23 de junho, a competição ficou uma semana interrompida devido à falta de ondas. As disputas retornaram na última quinta-feira (29) e tiveram que ser aceleradas, para terminarem neste sábado, data limite para o encerramento da etapa. Tanto que Yago foi às águas da praia de Itaúna três vezes no último dia do evento.

O primeiro confronto do paranaense neste sábado foi contra outro brasileiro, o potiguar Jadson André. Yago acertou uma sequência de manobras que garantiu uma nota 8,50, levando a soma das duas melhores notas a 14,00 (ele já tinha um 5,50), dificultando a missão do adversário. Jadson não passou de um 8,13 de somatória (5,43 e 2,70) se despediu do evento.

O duelo seguinte opôs Yago e o havaiano John John Florence, bicampeão mundial. Os surfistas tiveram dificuldades para encontrar boas ondas, mas o brasileiro, mesmo assim, levou a melhor e se classificou à decisão, com 6,00 e 4,60 de melhores notas, totalizando 10,60, contra 6,50 de somatória do rival (4,00 e 2,50).

Na final, o paranaense mediu forças com o australiano Ethan Ewing. Assim como na fase anterior, as primeiras ondas resultaram em notas baixas, com Yago na frente por poucos décimos. Foi então que o surfista de Curitiba brilhou, acertando uma manobra aérea e completando a rotação, garantindo uma nota 10,0, decisiva para assegurar a vitória. O brasileiro obteve 14,83 (10,0 e 4,83) de somatória, ante 10,83 (6,00 e 4,83) de Ewing.

A vitória levou Yago à quinta posição da temporada, com 32.120 pontos (a conquista rendeu 10.000 pontos ao paranaense, que subiu sete posições no ranking). O top-5 do circuito – que define os atletas que disputarão o título mundial em setembro, no WSL Finals, em Trestles (Estados Unidos) – tem outros dois brasileiros. O paulista e atual campeão Filipe Toledo lidera, com 44.980 pontos. O fluminense João Chianca, o Chumbinho, é o quarto, com 39.640 pontos.

No feminino, o título de Saquarema ficou com a jovem norte-americana Caitlin Simmers, de apenas 17 anos, que superou a australiana Taylor Wright na final. O Brasil foi representado pela gaúcha Tatiana Weston-Webb e a cearense Silvana Lima, mas ambas perderam na primeira fase e foram eliminadas na repescagem. Tati, que já está garantida na Olimpíada de Paris (França), foi derrotada justamente por Simmers.

Na classificação da temporada, Tati está em sexto lugar, com 31.625 pontos, deixando o top-5 ao ser ultrapassada por Simmers, que assumiu a quinta posição. A liderança é da havaiana Carissa Moore, pentacampeã mundial, com 51,660 pontos. Silvana – que no momento não compete na elite da WSL – participou do evento em Saquarema como convidada.

Restam duas etapas para o fim da temporada regular – que antecede o WSL Finals. A próxima será entre 13 e 22 de julho, em Jeffrey’s Bay (África do Sul). Já de 11 a 20 de agosto, a disputa será em Teahupo’o (Tahiti).