Brasil encerra Copa do Mundo de Basquete 3×3 na quarta posição

A seleção masculina fechou a sua participação na Copa do Mundo de Basquete 3×3, neste domingo (4) em Viena (Áustria), com a conquista da quarta posição. Esta foi a melhor campanha do Brasil em uma edição da competição. O título ficou com a Sérvia, que bateu os Estados Unidos na decisão, e a Letônia, atual campeã olímpica, completou o pódio.

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Em seu primeiro jogo neste domingo, pelas semifinais, a seleção masculina foi superada pelo time norte-americano por 21 a 18. Depois, na disputa pelo terceiro lugar, o Brasil foi superado pela Letônia por 22 a 12.

“Desde que chegamos à Áustria, trabalhamos exatamente o que vínhamos planejando desde fevereiro. Atingimos uma semifinal histórica e, quando você chega nesse nível de embate, o nível é altíssimo e soubemos lidar com isso. Fizemos uma semifinal parelha com os EUA e poderíamos ter vencido. É manter o trabalho, acertar os erros, seguir evoluindo e vamos em frente”, declarou o técnico da seleção, Luca Carvalho.

O Mundial deu aos três primeiros colocados a classificação direta para o Pré-Olímpico dos Jogos Olímpicos de Paris. Fora do pódio, o Brasil pode buscar o seu lugar no torneio através da Copa América, no fim do ano, ou também por meio do mundial classificatório para o Pré-Olímpico em 2024.

Pinheiros conquista a edição 2023 do Troféu Brasil de natação

A edição 2023 do Troféu Brasil de natação chegou ao final na noite de último sábado (3). E o grande campeão da competição, disputada no Complexo Esportivo e Aquático Santos Dumont, em Recife, foi o Esporte Clube Pinheiros, que somou 2109 pontos até alcançar a conquista. O Minas Tênis Clube ficou em segundo (1635,50 pontos) e a Unisanta fechou o pódio (1518 pontos).

A competição também serviu como seletiva para a seleção principal que representará o Brasil em julho no Campeonato Mundial de Fukuoka (Japão) e para o Mundial Junior de Natação.

Na seleção principal, 26 atletas foram convocados para a disputa do Mundial de Esportes Aquáticos. A delegação contará com 12 mulheres e 14 homens, com destaque para o trio que fez os melhores índices em relação ao ranking mundial de 2022: Gabrielle Roncatto, nos 400 metros livre, e Viviane Jungblut e Beatriz Dizotti, nos 1500 metros livre.

O torneio disputado em Recife também serviu para definir os nomes convocados para o Mundial Junior, disputado em Netanya (Israel) em setembro. A competição contará com a participação de 11 brasileiros, entre eles integrantes da seleção que disputou o último Mundial Junior, em Lima (Peru).

Reforma tributária e indicação de Zanin movimentam semana no Congresso

Numa semana mais curta por causa do feriado de Corpus Christi, na próxima quinta-feira (8), dois assuntos dominarão o Congresso. Na Câmara dos Deputados, o grupo de trabalho que discutiu a reforma tributária apresentará o relatório das atividades. No Senado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) começará a discutir a indicação do advogado Cristiano Zanin para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Outros temas, como o projeto de lei complementar que institui o novo arcabouço fiscal, ficarão para a semana depois do feriado. Aprovada pela Câmara dos Deputados no último dia 24, a proposta tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, sob a relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM).

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Na terça-feira (6), o relator da reforma tributária, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), divulgará o relatório do grupo de trabalho que discutiu o tema. Nos últimos três meses, foram ouvidos ministros, especialistas e o secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy.

O relatório, esclareceu Ribeiro na última semana, ainda não será o substitutivo das duas propostas de emenda à Constituição (PEC) sobre a reforma tributária paradas no Congresso. Apenas conterá um resumo do que foi discutido no grupo de trabalho, os pontos consensuais e uma história de 40 anos de discussão de reforma tributária.

Segundo a assessoria do parlamentar, o substitutivo só será apresentado quando for definida uma data para a discussão no plenário da Câmara. O principal ponto de consenso consiste na criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). De acordo com Ribeiro, o IBS deverá ter duas alíquotas, uma para a União e outra para os estados e municípios.

Esse imposto unificará três tributos federais (Imposto sobre Produtos Industrializados, Programa de Integração Social e Contribuição Social sobre o Financiamento da Seguridade Social), além do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), arrecadado pelos estados, e do Imposto sobre Serviços (ISS), de responsabilidade dos municípios. De acordo com o coordenador do grupo de trabalho, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a ideia é votar a reforma tributária na Câmara ainda este mês.

Vaga para o STF

No Senado, o principal destaque será o início da tramitação da indicação do advogado Cristiano Zanin para o Supremo Tribunal Federal (STF). Indicado na última quinta-feira (1º) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Zanin ocupará a vaga aberta pela aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, caso tenha o nome aprovado.

Na semana passada, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco  (PSD-MG), disse que existe a possibilidade de a CCJ sabatinar Zanin ainda esta semana. A indicação precisa ser aprovada pela comissão para ir ao plenário do Senado, mas Pacheco disse que a tramitação só deve prosseguir depois do feriado de Corpus Christi.

Em relação ao novo arcabouço fiscal, Pacheco informou que o início dos trabalhos na CAE deverá ficar para depois do feriado. No entanto, comprometeu-se a concluir a votação da proposta ainda este mês.

“É muito importante entregar [o projeto] no decorrer de junho. Semana que vem tem feriado, é difícil ter a apreciação do arcabouço. Mas já na semana do dia 12 é muito importante que se iniciem os trabalhos na CAE. Votando na CAE, a gente leva imediatamente ao plenário”, declarou Pacheco na última quinta-feira.

*Com informações das agências Câmara e Senado
 

Exame de qualificação da Uerj reúne quase 50 mil candidatos

 A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) realizou, neste domingo (4), o primeiro exame de qualificação do Vestibular Estadual 2024. Segundo informou o Departamento de Seleção Acadêmica (Dsea) da Uerj, foram inscritas no exame 55.476 pessoas, das quais 5.399, ou 9,73% do total de inscritos, não compareceram.

O vestibular se destina a 77 cursos de graduação distribuídos entre a capital do estado, incluindo o campus Zona Oeste, e as cidades de Cabo Frio, Duque de Caxias, Nova Friburgo, Petrópolis, Resende e São Gonçalo. A novidade, este ano, foi a inclusão do campus de Cabo Frio, que oferece os cursos de ciências ambientais, geografia e medicina. A segunda etapa prevê a realização de exame discursivo e redação, no dia 3 de dezembro próximo.

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Este ano, o vestibular da Uerj voltou ao modelo anterior à pandemia. A primeira etapa envolve a aplicação de dois exames de qualificação. Os candidatos podem fazer os dois ou apenas um deles. Será considerada a maior pontuação dentre os dois. Segundo a universidade, para o segundo exame de qualificação, será preciso realizar outra inscrição, cujo período será de 10 a 24 de julho. A prova ocorrerá no dia 3 de setembro.

A Uerj informou ainda que os candidatos podem consultar a prova realizada neste domingo e o gabarito na página do Vestibular Uerj.

Brasil pretende promover diversidade no comando do Mercosul Cultural

Com a ampliação de parcerias com os países vizinhos, o Brasil assumiu a presidência do Mercosul Cultural com o compromisso de promover a diversidade e estimular a união entre os povos. Esse é o saldo da 54ª Reunião de Ministros da Cultura do Mercosul, que teve participação, por três dias, em Buenos Aires dos titulares da pasta dos países do bloco.

Além dos membros efetivos do Mercosul, o encontro reuniu os ministros da Cultura do Chile, da Colômbia e do Peru. O Mercosul Cultural é considerado o órgão máximo para a deliberação das políticas culturais dentro do bloco.

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Na última sexta-feira (2), ocorreu a solenidade de transferência da presidência pro tempore (provisória) do Mercosul Cultural para o Brasil. Com duração de seis meses, a gestão brasileira terá início oficialmente em julho, mas os ministros aproveitaram o evento para assinar a passagem simbólica do cargo.

Ao assinar o termo de posse, a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes (foto), enumerou as diretrizes para o Mercosul Cultural no segundo semestre. Segundo ela, o trabalho será pautado pela necessidade de união dos países, com a ampliação das fronteiras para disseminação de livros e leitura, produção audiovisual e relações tecnológicas. Ela enfatizou a necessidade de uma relação mais potente na economia cultural para fortalecer a cultura em todos os países do bloco.

Direitos humanos

Também na sexta-feira, os ministros da Cultura do Mercosul reconheceram o Museu Sítio de Memória Esma (Escuela de Mecánica de la Armada), em Buenos Aires, como patrimônio cultural do bloco. A instituição busca preservar a memória das vítimas e promover a conscientização sobre as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983).

Segundo o Ministério da Cultura brasileiro, o reconhecimento da Esma como patrimônio do Mercosul teve o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A notícia era aguardada pelos argentinos.

A Esma foi uma instituição militar até 1983, quando a democracia retornou ao país. O local foi reconhecido como um dos principais centros clandestinos de detenção, tortura, desaparecimento e extermínio de perseguidos pelo regime militar argentino. Em 2004, o governo da então presidente Cristina Kirchner transformou o prédio em um espaço de memória e museu e o chamou de Espacio para la Memoria y para la Promoción y Defensa de los Derechos Humanos ou Museu Sítio de Memória Esma.

Declaração conjunta

Paralelamente à reunião de ministros da Cultura, Brasil e Argentina assinaram uma declaração conjunta para fortalecer ações coletivas de apoio às economias culturais dos dois países. O documento foi assinado neste sábado, na 7ª edição do Mercado de Indústrias Culturais Argentinas (Mica), em Buenos Aires, evento para o qual o Brasil foi convidado de honra.

O texto afirmou a necessidade de fortalecer a capacitação, a formação e a educação digital de trabalhadores da cultura para que o avanço na digitalização não resulte em maiores níveis de exclusão. O documento também destacou a importância do Mercosul Cultural para ambos os governos, assim como a necessidade de continuar trabalhando para fortalecer e aprofundar a integração regional no setor da cultura.

Foro

Principal foro multilateral de atuação do Ministério da Cultura no continente americano, o Mercosul Cultural reúne uma agenda temática do bloco voltada para a definição de programas conjuntos com ênfase na integração de políticas e planos nacionais de cultura, o desenvolvimento de estudos, a integração de sistemas de informação e estatísticas de cultura, a circulação de bens e serviços culturais, a promoção do intercâmbio técnico e artístico, universalização do acesso à cultura e gestão do patrimônio cultural e valorização da memória social e da diversidade cultural da região.

O grupo trabalha de forma ampliada com os quatro Estados-Partes do bloco: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e sete Estados Associados (Chile, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname). As reuniões regulares são realizadas semestralmente.

Serviços eletrônicos em cartórios do RJ crescem 2.628% em três anos

Os serviços eletrônicos, implantados em maio de 2020 nos cartórios de notas do Rio de Janeiro, tiveram aumento, em três anos, de 2.628% com a realização de 145.046 transações no estado. A medida foi autorizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para atendimento remoto à população, devido à pandemia de covid-19, e determinou que os atos de escrituras públicas de compra e venda de imóveis, doações, inventários, divórcios, testamentos, procurações, autorizações eletrônicas de viagem, entre outros documentos, podem ser realizados de forma online pela plataforma nacional www.e-notariado.org.br.

Os dados são consolidados pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), entidade que reúne os 8.344 cartórios de notas do país. Hoje, 100% dos atos nesse tipo de cartório podem ser feitos pela internet.

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Em seu primeiro ano de funcionamento, de maio de 2020 a abril de 2021, a plataforma registrou 3.712 atos no Rio de Janeiro, alta de 272%. No segundo ano, de maio de 2021 a abril de 2022, o número alcançou 13.792 atos digitais, crescimento de 437%. Em maio de 2023, no terceiro ano de funcionamento dos serviços eletrônicos, foram 101.257 transações, com expansão de 634% nos serviços eletrônicos, em relação ao ano anterior.

Na avaliação do presidente do CNB/RJ, José Renato Vilarnovo, representa uma conquista para o cidadão ter 100% dos serviços dos cartórios de notas disponíveis de forma eletrônica, podendo serem realizados por meio de videoconferência diretamente com o tabelião. Segundo ele, qualquer ato pode ser feito de forma digital, sem a necessidade de o interessado ter que ir até o cartório – desde um reconhecimento de firma a um inventário extrajudicial.

Como fazer

De acordo com informação do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal seção Rio de Janeiro, para realizar os serviços dos cartórios de notas de forma online, o usuário deverá emitir um certificado digital notarizado, que pode ser feito gratuitamente na internet pela plataforma www.e-notariado.org.br. O tabelião fará então a identificação do cidadão e o vinculará àquele certificado para assinar seus documentos online. O procedimento terá validade de três anos. A partir daí, o usuário pode solicitar qualquer ato online, agendando uma videoconferência com o tabelião de notas e assinando eletronicamente seus documentos, inclusive por meio de seu aparelho celular.

Já no caso dos reconhecimentos de firmas, o cidadão deverá acessar a plataforma www.enotassina.com.br, enviar o documento que necessita ter a assinatura reconhecida, indicar quais são as pessoas que precisam assiná-lo, realizar a assinatura de forma eletrônica e remeter o documento ao destinatário final, em um serviço que levará poucos minutos. O serviço terá o mesmo preço que o ato físico, feito no balcão dos cartórios, que é tabelado por lei estadual em cada uma das unidades federativas do país.

Atlético-MG vence e deixa zona do rebaixamento do Brasileiro Feminino

O Atlético-MG derrotou o Real Ariquemes por 3 a 0 na única partida da Série A1 do Brasileiro Feminino disputada neste domingo (4). Com este resultado, alcançado no  no Sesc Alterosas, as Vingadoras chegaram à 12ª posição, fora da zona de rebaixamento, com 15 pontos, quando falta apenas uma rodada para o final da primeira fase. Já a equipe de Rondônia permaneceu na vice-lanterna com apenas nove pontos e teve o rebaixamento confirmado.

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A vitória do Atlético-MG foi garantida graças a gols de Soraya, em cobrança de pênalti, de Emily, de cabeça, e de Paví.

A 14ª rodada da competição teve início no último sábado (5). O destaque foi a vitória de 2 a 1 do Internacional sobre o Ceará para garantir a sua presença nas quartas de final da competição nacional. Com os dois gols marcados por Belém Aquino, as Gurias Coloradas assumiram a 5ª posição com 28 pontos.

Quem se aproximou da classificação foi o São Paulo, que goleou o Real Brasília, que ainda luta para fugir da queda para a segunda divisão, por 4 a 1 para ficar na 7ª posição com 22 pontos. A outra goleada da rodada até aqui foi a do Avaí/Kindermann, que meteu 4 a 0 no Athletico-PR para continuar sonhando com as quartas. Já o Furacão teve o rebaixamento confirmado após o revés.

Roberto Jefferson é transferido para hospital privado no Rio

O ex-deputado Roberto Jefferson foi transferido, na tarde deste domingo (4), do Hospital Hamilton Agostinho, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, para o Hospital Samaritano Botafogo, onde será submetido a tratamento médico. A informação é da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap).

A transferência foi autorizada neste domingo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Embora tenha mantido a prisão preventiva do ex-deputado, que considera “necessária e imprescindível à garantia da ordem pública e à instrução criminal”, o ministro autorizou a saída imediata do ex-parlamentar do estabelecimento prisional onde se encontra, “tão somente para tratamento médico”. Jefferson está preso desde outubro de 2022.

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Na unidade, Roberto Jefferson deverá receber tratamento médico completo e adequado, “sob pena de agravamento irreversível do seu estado de saúde, diante da gravidade e urgência da situação”, indica o ministro Moraes. Ele lembrou que o ex-deputado já vinha sendo acompanhado por esse hospital.

A decisão se baseia em informações da Seap que revelam insuficiência do tratamento médico recebido no hospital penitenciário. Em relatório assinado pelos médicos Vicente Eduardo Amado de Sousa e Itauan Vieira Espínola, foi relatado que o paciente foi encaminhado ao Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho (Seap-HA) em 30 de maio, em decorrência de piora do estado geral. Jefferson foi atendido e encaminhado para consulta psiquiátrica no Hospital Penal Roberto Medeiros na mesma data, onde foi constatado um quadro de depressão. Após a consulta psiquiátrica, o preso retornou à unidade de origem. Na última sexta-feira (2), entretanto, foi levado novamente ao Seap-HA, devido a uma queda e desorientação.

De acordo com informação da Seap, Roberto Jefferson apresenta “quadro de confusão mental, escala de coma de Glasgow 14, relatando ouvir vozes com mensagens inconsistentes com a realidade (alucinação auditiva), estado geral ruim, acianótico, eupneico, anictérico, hipocorado, desidratado, recusa alimentar”. Além disso, tem um hematoma na região frontal esquerda. A conclusão da Seap é que Jefferson necessita de tomografia de crânio, seguida de avaliação neurocirúrgica em caráter de urgência devido a possível traumatismo craniano decorrente de queda. Deverá ainda realizar exames de rastreio para recidiva de neoplasias.

Medidas cautelares

A transferência para o Hospital Samaritano deverá ser seguida de medidas cautelares, decidiu o ministro do STF. Entre elas, destaque para a proibição de receber visitas sem prévia autorização judicial, à exceção de sua esposa e advogados regularmente constituídos, observadas as regras hospitalares; proibição de frequentar ou acessar, inclusive por meio de sua assessoria de imprensa, ou qualquer outra pessoa, as redes sociais apontadas como meios da prática dos crimes a ele imputados (YouTube, Facebook, Instagram e Twitter ou quaisquer outras não citadas); proibição de conceder qualquer espécie de entrevista sem prévia autorização judicial; proibição de uso de celular, tablet, ou quaisquer outros aparelhos eletrônicos de comunicação.

Alexandre de Moraes esclareceu que o descumprimento injustificado de quaisquer dessas medidas levará ao retorno do preso ao estabelecimento prisional. A decisão deve ser cumprida imediatamente, com fornecimento de escolta policial pela Polícia Penal, 24 horas por dia, enquanto durar a internação.

Roberto Jefferson foi preso no ano passado, acusado de tentar matar policiais federais, contra os quais arremessou três granadas. Os agentes foram à sua casa cumprir um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Dois agentes ficaram feridos. No local, foram apreendidas armas e munições.

Matéria atualizada às 17h21 para incluir a informação de que o ex-deputado Roberto Jefferson já foi transferido para o Hospital Samaritano

Procurador diz que pouca coisa mudou desde assassinato de Bruno e Dom

Passado um ano dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, pouca coisa mudou na parte oeste do Amazonas, onde fica a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior área destinada ao usufruto exclusivo indígena do país e que abriga a maior concentração de povos isolados em todo o mundo.  

A conclusão é do advogado Eliesio Marubo, procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), organização não governamental em que Bruno começou a trabalhar, após pedir licença da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) – onde, segundo pessoas próximas, ele vinha sofrendo pressões políticas por sua atuação em defesa dos direitos dos povos originários.  

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“Temos sentido algum tipo de melhora recente”, disse Eliesio à Agência Brasil, na última quinta-feira (1). “Mas esperávamos que o Estado apresentasse um plano capaz de fazer com que as políticas públicas acontecessem, de fato, na região. O policiamento ostensivo nos moldes que propusemos e as prioridades que indicamos ao atual governo federal durante a transição não aconteceram. Isso faz com que a região fique cada vez mais vulnerável”, acrescentou Eliesio.   

Consultado sobre o assunto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública não se manifestou até a publicação desta reportagem. Já a presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, disse, à Agência Brasil que, apesar dos esforços recentes, a região ainda carece de “ações estruturantes” e de mais segurança. Principalmente para proteger os cerca de 8,4 milhões de hectares da Terra Indígena Vale do Javari (cada hectare corresponde, aproximadamente, às medidas de um campo de futebol oficial).

Nesta sexta-feira (2), o Ministério dos Povos Indígenas anunciou a criação de um grupo de trabalho para promover a segurança e combater a criminalidade no Vale do Javari. O grupo será formado por dez ministérios, que trabalharão em parceria com a Funai e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para propor medidas concretas de combate à violência e com o objetivo de garantir a segurança territorial dos povos indígenas que vivem na área. Entidades de povos indígenas também participarão das discussões.

Memória

“As autoridades públicas precisam entender que há uma urgência, uma emergência na região. E que não podemos esperar até que sejam contabilizadas mais mortes. Se as autoridades entenderem isso, estaremos honrando a vida e a memória de Bruno e Dom”, assinalou o procurador da Univaja.  

Dom e Bruno foram vistos ainda com vida, pela última vez, no dia 5 de junho de 2022, quando visitavam comunidades ribeirinhas do entorno da Terra Indígena Vale do Javari, próximas à Atalaia do Norte (AM).

Correspondente do jornal The Guardian, o jornalista inglês de 57 anos estava percorrendo a região entrevistando lideranças comunitárias e outros personagens para um futuro livro-reportagem sobre a preservação da floresta amazônica.  

Já o indigenista de 41 anos coordenava reuniões com comunidades atendidas pela Univaja, organização para a qual trabalhava desde que se licenciou da Funai, em fevereiro de 2020, poucos meses após ser dispensado do cargo de coordenador-geral de Indígenas Isolados e de Recente Contato.

Pessoas próximas alegam que a insatisfação de Bruno com os rumos que a equipe de governo do então presidente Jair Bolsonaro impunha à política indigenista foi decisiva para que ele pedisse licença para “tratar de assuntos pessoais”. Ao passar a atuar nos projetos de autoproteção comunitária da Univaja, Bruno passou a receber novas ameaças de morte – algo com que já convivia no serviço público.  

Em 22 de julho de 2022, o Ministério Público Federal (MFP) denunciou Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado; Jefferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, e o irmão de Pelado, Oseney da Costa de Oliveira, o Dos Santos, por duplo homicídio e ocultação de cadáveres. Os três estão presos, aguardando julgamento.  

Para os procuradores, “os elementos colhidos no curso das apurações apontam que, de fato, o homicídio de Bruno teria correlação com suas atividades em defesa da coletividade indígena. Dom, por sua vez, foi executado para garantir a ocultação e impunidade do crime cometido contra Bruno.”

Já em janeiro deste ano, a Polícia Federal apontou a Ruben Dario da Silva Villar, o Colômbia, como mandante e mentor intelectual do crime. Villar também é suspeito de associação com atividades ilícitas, como a pesca ilegal, e foi detido duas vezes no âmbito da investigação dos assassinatos de Bruno e Dom – a segunda, em dezembro último, por violar as condições que a Justiça Federal impôs ao liberá-lo na primeira detenção.  

“Conversamos com o ministro [da Justiça e Segurança Pública] Flávio Dino e pedimos a ele uma investigação mais apurada sobre alguns pontos. Como, por exemplo, o grupo que dá sustentação política ao conjunto de atividades ilegais que funcionam na região. Outro ponto sobre o qual é necessário aprofundar as investigações é o caminho do crime na região amazônica. Apurar estes dois pontos é necessário para garantirmos a segurança não só da terra indígena, como de toda a população do seu entorno”, comentou Eliesio Marubo. 

Juventude – em busca de oportunidades é tema do Caminhos da Reportagem

A taxa de desemprego no Brasil é de 8,8%, segundo a pesquisa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse índice é o dobro: 18%.

Esse intervalo (entre 18 e 24 anos) geralmente marca a transição dos estudos para o mercado de trabalho – motivo pelo qual essa faixa etária passou a ser usada na definição da chamada “geração nem-nem”: jovens que não estudam nem trabalham.

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O episódio Juventude – em busca de oportunidades vai ao ar neste domingo (4) às 22h, na TV Brasil.
Brasília (DF) – Caminhos da Reportagem – Alunos participam de curso técnico e profissionalizantes que é um atalho para o 1 emprego. A taxa de desemprego no Brasil é de 8,8%, segundo a pesquisa mais recente do IBGE. Já entre os jovens de 18 a 24 anos, esse índice é o dobro: 18%. Foto: Divulgaçāo – Divulgaçāo

“O Brasil tem um dos maiores índices do mundo: de 10 a 12 milhões de jovens nessa situação. É uma geração desassistida”, explica Ildo Lautharte, economista do Banco Mundial.

Ao longo do programa, a equipe de reportagem da Agência Brasil conversou com uma série de jovens que se encaixam nesse perfil, para entender os motivos de estar fora dos bancos escolares e sem emprego, ao mesmo tempo.

“Há quase dois anos estou sem estudar. Isso me deixa preocupado, porque penso: será que vou conseguir completar meus estudos e encontrar um trabalho?”, se pergunta Nathan Oliveira, de 19 anos.

Loretta Santos, de 21 anos, terminou o ensino médio, mas não deu continuidade aos estudos. Ela deixou o último emprego em janeiro, porque, sem rede de apoio, não conseguiu conciliar a rotina profissional com a criação do filho.

“Em vários dias eu tinha que sair do trabalho às 22h. Só que o meu filho sai da creche às 17h30. Ficou muito difícil, né? Eu precisava contar com outras pessoas e nem sempre a gente tem outras pessoas para contar”, desabafa.

“É natural que as empresas, de maneira geral, queiram contratar pessoas com experiência. Mas como romper essa barreira? Isso se dá por meio de programas específicos e, principalmente, do estágio. É nessa fase que o jovem começa a se ambientar com o mundo organizacional e a desenvolver novas habilidades”, diz o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Paulo Sardinha.

No auge da covid-19, o Brasil teve 35,9% dos jovens entre 18 e 24 anos sem qualquer ocupação. A análise foi feita com os 38 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e mais sete integrantes em potencial, como o Brasil.

O resultado brasileiro só é melhor que o da África do Sul. A média dos 45 países pesquisados é de 16,1%. Em contrapartida, os Países Baixos têm o melhor desempenho: 4,6%. O estudo foi divulgado em 2022.

Para entender esse cenário, a reportagem mergulhou na experiência dos cursos técnicos e profissionalizantes, conheceu de perto o trabalho de uma organização não governamental (ONG) que capacita ex-presidiários e conversou com um adolescente que cumpre medida socioeducativa.

“Eu faço curso profissionalizante aqui dentro. Aprendi a mexer no computador e estou aprendendo sobre almoxarifado de obras”, afirma.

O economista Ildo Lautharte ressalta que a “questão nem-nem não é simples nem rápida”. Mas garante que há saída. “Precisa de atenção maior na educação, na saúde, no mercado de trabalho. Enfim, uma ação conjunta, uma cesta de atividades. É o que pode solucionar o problema”, afirma.

A estudante Anna Júlia, de 21 anos, superou episódios de depressão e ansiedade, voltou a estudar e arrumou emprego após um ano longe da faculdade e do mercado de trabalho.

Brasília (DF) – Caminhos da Reportagem – Anna Júlia conseguiu emprego após 1 ano sem estudar e trabalhar. Foto Divulgaçāo

“Eu acho que, às vezes, a gente se parece com um labirinto. Você chega em algum lugar e encontra uma parede. Então, tem que voltar e fazer um caminho diferente. Essa é a minha jornada, não é uma jornada reta”, explica.

Caso Bruno e Dom revelou fragilidade da proteção aos indígenas

Nascida em uma comunidade indígena da zona rural de Boa Vista (RR) e militante de longa data do movimento, a atual presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, acredita que o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, em junho de 2022, voltou a atrair a atenção do país e do mundo para um problema histórico: a fragilidade da proteção dos territórios indígenas de todo o Brasil, em particular da Amazônia.

“O que me pergunto é: será que o caso teria toda esta repercussão se não houvesse um jornalista estrangeiro entre as vítimas?”, comentou Joenia ao conversar com a reportagem da Agência Brasil sobre o duplo homicídio que completa um ano nesta segunda-feira (5). 

“Temos vários casos envolvendo [agressões de todos os tipo contra] os povos indígenas e que, geralmente, recebem pouca divulgação”, acrescentou a presidenta da Funai, afirmando que, de forma geral, a sociedade brasileira recebe “pouca informação quanto à seriedade do que se passa na região” amazônica.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dos 176 assassinatos de indígenas identificados no Brasil, em 2021, ao menos 99 foram registrados em estados da Amazônia, encabeçados pelo Amazonas, onde foram contabilizadas ao menos 38 ocorrências.

Memória

Dom e Bruno foram vistos ainda com vida, pela última vez, no dia 5 de junho de 2022, quando visitavam comunidades ribeirinhas do entorno da Terra Indígena Vale do Javari, próximas à Atalaia do Norte (AM). Correspondente do jornal The Guardian, o jornalista inglês estava percorrendo a região entrevistando lideranças comunitárias e outros personagens para um futuro livro-reportagem sobre a preservação da floresta amazônica.

Já Bruno coordenava reuniões com comunidades atendidas pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), organização não governamental para a qual trabalhava desde que se licenciou da Funai, em fevereiro de 2020, poucos meses após ser dispensado do cargo de coordenador-geral de Indígenas Isolados e de Recente Contato. Pessoas próximas alegam que a insatisfação de Bruno com os rumos que a equipe de governo do então presidente Jair Bolsonaro impunha à política indigenista foi decisiva para que ele pedisse licença alegando precisar tratar de assuntos pessoais. Ao passar a atuar nos projetos de autoproteção comunitária da Univaja, Bruno recebeu novas ameaças de morte – algo com que já convivia no serviço público e que informou às autoridades. 

“[Antes dos homicídios de Bruno e Dom] servidores da fundação, inclusive o próprio Bruno, vinham alertando para a necessidade de o órgão fortalecer suas Bases de Proteção Etnoambiental e garantir a segurança de seus trabalhadores, dos povos indígenas e das demais comunidades”, disse Joenia. “[Já após os assassinatos] Naquele momento de fragilidade, não só não foram dadas as devidas condições de segurança aos servidores, como se colocou em dúvida tudo o que estava se passando.” 

A presidenta da Funai admite que, apesar das ações implementadas após os assassinatos de Bruno e Dom, como o envio de policiais da Força Nacional de Segurança Pública, a região ainda sofre com a falta de efetivo para patrulhar uma área tão vasta quanto a da segunda maior terra indígena do país, com cerca de 8,4 milhões de hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, às medidas de um campo de futebol oficial).

“É um desafio muito grande garantir a estrutura [necessária] à proteção dos territórios indígenas. Há questões administrativas como, por exemplo, o deficit de servidores, que é muito grande. Além do mais, para avançarmos com as políticas públicas [que cabem à fundação implementar], precisamos de pessoas preparadas”, ponderou Joenia. Ela assegurou que, “aos poucos”, a fundação e o governo federal vêm tentando atender as principais reivindicações do movimento indígena, como a retomada das demarcações de áreas da União destinadas ao usufruto exclusivo dos povos originários. Um exemplo citado por Joenia: após mais de quatro anos sem que nenhuma nova terra indígena fosse reconhecida, em abril deste ano o governo federal homologou seis novas reservas.

“Isso não vai se dar de um dia para o outro. A Funai tem buscado [realizar] ações mais permanentes, mas precisamos reforçar nossas estruturas. Aos poucos, o governo está fortalecendo as bases de proteção, mas é necessária uma política [de segurança pública] mais eficaz, mais permanente. É preciso, por exemplo, dar mais suporte à fiscalização fluvial, que é um gargalo, uma fragilidade que ficou bastante visível durante a recente crise [humanitária] yanomami”, finalizou a presidenta da Funai.

Marcha atlética: Caio Bonfim bate recorde brasileiro nos 20 km

O brasileiro Caio Bonfim venceu a prova de 20 quilômetros de marcha atlética na 36ª edição do GP Internacional Cantones de La Coruña (Espanha), no último sábado (3). O atleta completou o trajeto com o tempo de 1h18min29, baixando em 18s o recorde brasileiro, que já pertencia a ele.

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Com a marca o brasileiro confirmou os índices para o Mundial de Budapeste e para os Jogos Olímpicos de Paris (2024). O resultado ratifica também o excelente momento vivido pelo brasiliense. Em 2023 ele já foi prata no Grande Prêmio Internacional de Rio Maior (Portugal) e nos 10 km do II Grande Prêmio Internacional Finetwork Madrid de Marcha Atlética, na capital espanhola. Além disso, o marchador venceu os 20 km do 2º Korzeniowski Warsaw de Marcha Atlética, em Varsóvia (Polônia), e faturou a prata em Dudince (Eslováquia) na distância de 35 km.

Nos 20 quilômetros feminino, Érica Sena terminou em sétimo lugar com o tempo de 1h28min53. Com a marca ela alcançou os índices para o Mundial de Budapeste e para a Olimpíada de Paris.

Primeira advogada do país foi escrava que denunciou maus-tratos

Negra, escrava, jovem, mãe de dois filhos e apartada do marido no interior do Piauí. Este é o perfil da primeira mulher a praticar advocacia no país, ainda no século 18, conforme oficializado em dezembro pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Neste mês, o reconhecimento culminou com a instalação de um busto em homenagem a Esperança Garcia na sede nacional da OAB, em Brasília. O ato simbólico marcou a conclusão de décadas de resgate histórico, mas também resulta de uma luta política de advogados negros, destaca a jurista Vera Lúcia Araújo.

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“Verifica-se um resgate histórico, mas esse processo se deve também a uma ação política da advocacia, de negras e negros, nesta situação especialmente, não é uma coisa que vem de uma hora para outra”, afirma a advogada, que é integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB nacional.

A expectativa é que a conquista simbólica, contudo, seja prenúncio de medidas mais efetivas para aumentar a presença de negros no mundo jurídico, diz Vera Lúcia. “Para nós, é extremamente estimulante e gratificante ver essa consagração. Agora, a gente não pode ficar só no simbólico, é preciso ter uma materialização dessa luta.”

Para Vera Lúcia, o caminho a trilhar começa na própria OAB. Apesar do crescente número de advogados negros, por exemplo, há hoje no Conselho Federal da entidade apenas uma conselheira negra, entre os 81 membros titulares do colegiado.

Segundo a jurista, a OAB deveria garantir o cumprimento das cotas para a eleição de seus conselheiros, ou para a escolha dos diretores do Conselho Federal, que nunca foi presidido por uma pessoa negra. Em outro flanco, a OAB também poderia “usar do poder representativo da advocacia brasileira e se posicionar em defesa de um jurista negro na composição do Supremo Tribunal Federal”, diz a advogada. 

Primeira petição

Ainda assim, a justificativa formal para o reconhecimento de Esperança Garcia derivou também de um árduo trabalho de recuperação histórica, que começou com a descoberta, em 1979, pelo antropólogo Luiz Mott, de uma carta escrita por ela em 6 de setembro de 1770, endereçada ao governador da capitania do Piauí.

Inauguração Busto Esperança Garcia durante Sessão do Conselho Pleno – Fotos: Eugenio Novaes/ OAB

No documento, Esperança rogava providências contra os abusos cometidos por seu administrador, o capitão de ordenança Antônio Vieira do Couto, que a submetia e a seus filhos pequenos a maus-tratos físicos, além de proibir os escravos da fazenda Poções de se confessar e batizar seus descendentes.

“A primeira é que há grandes trovoadas de pancadas em um filho meu, sendo uma criança que lhe fez extrair sangue pela boca, em mim não posso explicar que sou um colchão de pancadas, tanto que caí uma vez do sobrado abaixo peiada; por misericórdia de Deus, escapei. A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confessar há três anos. E uma criança minha e duas mais por batizar”, escreveu Esperança. 

Ela, provavelmente, aprendeu a ler e escrever com os jesuítas que passaram pelo Piauí no século 18. Daí supõe-se que venham também suas noções de direito, pois, mesmo ciente de sua condição precária como escrava, ela demonstrou saber que a submissão à coroa portuguesa e à Igreja Católica implicava certas prerrogativas mínimas, como a necessidade de se confessar e de batizar os filhos.

“Ciente do seu mundo e dos limites que sua condição de escrava podia propiciar, Esperança Garcia utilizou a estratégia dos conquistadores para defender os seus direitos, angariar vantagens e, com isso, (re)planejar seu destino perto dos seus filhos e do seu marido”, diz o Dossiê Esperança Garcia, produzido entre os anos de 2016 e 2018 por uma comissão de juristas e historiadores. 

Aliado a outros registros da época, de pessoas que intercederam na causa pleiteada por Esperança, o documento foi reconhecido pela Seccional da OAB do Piauí como uma petição jurídica, por trazer todos os elementos necessários: endereçamento, identificação, narrativa dos fatos, fundamento no direito e pedido. Isso levou a escrava a receber o título de primeira advogada do estado, em 2017. 

Foram cinco anos de campanha até que o Conselho Federal da OAB aprovasse o reconhecimento do documento escrito em 1770 como uma petição, e de Esperança Garcia como primeira advogada do Brasil, em dezembro do ano passado. Antes, o posto era ocupado por Myrthe Gomes, que ingressou na advocacia mais de 100 anos depois, em 1899. 

Primeiro edital do Programa Mata Atlântica tem inscrições até dia 27

O Programa Mata Atlântica, iniciativa do Fundo Casa Socioambiental, está com inscrições abertas até o dia 27 deste mês. O primeiro edital destinará  R$ 1,8 milhão para projetos de base comunitária na região abrangida pelo bioma. As inscrições podem ser feitas no link. Este é o segundo maior edital da história do Fundo Casa Socioambiental em valor de doação.

Serão apoiados até 45 projetos que receberão cerca de R$ 40 mil cada. O edital prioriza projetos inscritos e desenvolvidos por associações comunitárias, organizações de base e comunidades locais, como quilombolas, por exemplo, que atuam com enfoque socioambiental em territórios localizados na região Sudeste, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro; e nos três estados da Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), “que têm o maior contínuo de Mata Atlântica ainda preservada”.

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De acordo com a gestora de Programas do Fundo Casa Socioambiental, Claudia Gibeli, até o final de julho serão divulgados os projetos selecionados, que passarão em seguida por um processo de contratação. Na assinatura dos contratos, os contemplados receberão 90% dos recursos.

Os grupos selecionados passarão por uma sequência de oficinas de construção de capacidade e terão dois encontros também de gestão administrativa e financeira e de gestão institucional. Ao final do projeto, eles terão de entregar um relatório de atividades e prestação de contas. Nesse momento, será feito o repasse dos restantes 10% do apoio. Os projetos têm execução de um ano.

Linhas básicas

O edital Fortalecendo Comunidades para Conservação e Revitalização da Mata Atlântica e Resiliência Climática tem três linhas básicas de apoio. A primeira visa o fortalecimento dos conhecimentos tradicionais, das cadeias produtivas e da geração de renda. “Isso fortalece bastante os coletivos. Podem ser artesanato e produção de alimentos”, disse Claudia.

A segunda linha é baseada na comunicação. “A gente quer incentivar bastante a comunicação popular e comunitária porque percebe-se, ao longo dos nossos apoios, mesmo em outras regiões, que há muitos coletivos que trabalham com comunicação, mas não têm recurso nenhum para fazer isso”, acentuou.

A terceira linha visa a recuperação da Mata Atlântica, envolvendo ações para restauro e recuperação, com foco principal na produção de água. “Porque, na Mata Atlântica, a gente tem essa competência do bioma que é a produção de água para milhões de pessoas”, frisou.

Os recursos foram doados pela bilionária norte-americana MacKenzie Scott, que contemplou, no Brasil, 16 organizações não governamentais (ONGs) em 2022, entre elas, o Fundo Casa. Claudia destacou a importância do edital porque destinará apoio para um bioma no qual a fundação enfrenta dificuldade de mobilizar recursos, pois muitos dos seus financiadores têm foco exclusivo na Amazônia.

Ela deixou claro que, do mesmo modo que ocorre com a Amazônia, a Mata Atlântica é muito importante para a preservação da biodiversidade, para a produção de água e alimentos e, também, para as comunidades tradicionais que vivem nesse bioma e reúnem grande número de pessoas.

No ano passado, cerca de 65% dos apoios do Fundo Casa foram destinados aos biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga, contra 25% para a Mata Atlântica. Com a criação do Programa Mata Atlântica, a expectativa é que os apoios possam ser melhor distribuídos.

Recursos Hídricos

A Mata Atlântica constitui um dos biomas mais diversos do território nacional. Ali vivem mais de duas mil espécies de fauna e 20 mil espécies vegetais. Além disso, 72% da população brasileira estão concentrados nessa região, o que garante o abastecimento de água para mais de 100 milhões de pessoas.

O bioma é considerado um dos 36 hotspots, áreas naturais do planeta que têm grande diversidade ecológica e que estão em risco de extinção.

A área foi decretada Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Patrimônio Nacional, na Constituição de 1988. Apesar disso, restam apenas pouco mais de 12% da mata original, sendo a floresta mais devastada do país.

Nesse bioma, moram comunidades tradicionais quilombolas, indígenas e caiçaras, reunindo associações e cooperativas que buscam fortalecer os trabalhos desenvolvidos de forma integrada ao ambiente.

Claudia lembrou que incentivar a recuperação e restauração da Mata Atlântica é uma oportunidade para combater as mudanças climáticas, contribuindo para que o Brasil cumpra o compromisso de redução da emissão de gases do efeito estufa, com efeitos positivos também para diminuir a pobreza, produzindo alimentos e geração de renda.

Sustentabilidade

O Fundo Casa Socioambiental busca promover a conservação e a sustentabilidade ambiental, a democracia, o respeito aos direitos socioambientais e a justiça social por meio de apoio financeiro e fortalecimento de capacidades de iniciativas da sociedade civil na América do Sul.

No período de 2018 a 2022, o fundo apoiou 508 projetos de 316 organizações indígenas, representando 177 diferentes etnias entre as 305 reconhecidas no Brasil. Mais de 60 mil pessoas foram beneficiadas por meio desse apoio, que somou R$ 20 milhões.

Repressão a manifestações ganhou força após 2013

Desde o primeiro dia em que os manifestantes foram às ruas de São Paulo para protestar contra o reajuste das tarifas do transporte público, em 2013, houve repressão por parte da Polícia Militar. A partir dali, as ações policiais para conter e até impedir as manifestações de rua ganharam força e diversos níveis de sofisticação.

“A gente não pode deixar de entender junho de 2013 como um marco no processo de criminalização das lutas sociais”, defende Raísa Cetra, coordenadora da organização não governamental Artigo 19, com foco na liberdade de expressão. Para ela, falta no país o entendimento das manifestações como parte importante da democracia. “As ruas sempre foram vistas, para vários setores políticos, como ameaça. Inclusive para setores progressistas”, diz.

ONGs veem os protestos de junho de 2013 como um marco no processo de criminalização das lutas sociais – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Assim, os protestos por direitos acabaram, segundo ela, sendo entendidos como uma ação de desestabilização política. “Ali, não houve a leitura de quem era o inimigo de fato e se entendeu que era a população que estava reivindicando por direitos. Naquele momento as pessoas estavam na rua por educação, por um transporte seguro, por saúde pública.”

Naquele momento as forças de segurança em diferentes níveis, em todo o país, se preparavam para a realização dos megaeventos esportivos – a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “Você já estava em um processo de mudança da atuação das tropas de choque, isso é fato”, enfatiza Acácio Augusto, que coordena o Laboratório de Análise em Segurança Internacional e Tecnologias de Monitoramento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Protesto reprimido pela PM de São Paulo em junho de 2013 – Raphael Tsavkko Garcia/ Flickr

A grande violência usada contra os manifestantes foi, segundo Augusto, um dos fatores que mobilizaram a solidariedade de diversos setores da sociedade, proporcionando o crescimento dos protestos.

“O estopim propriamente dito foi muito mais a violência policial do que o transporte”, enfatiza o coordenador.

Apesar da rejeição às formas de repressão empregadas, com a prisão de centenas de pessoas e o uso indiscriminado de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, o especialista avalia que os modelos de ação continuaram a ser aprimorados nos meses e anos seguintes. Após a jornada de protestos contra o aumento, vieram manifestações contra os gastos excessivos nas obras de preparação para a Copa do Mundo. “O primeiro ato contra a Copa eles vão aplicar o Caldeirão de Hamburgo, que é o isolamento de uma parte dos manifestantes com cordão policial. Acho que tem uma questão forte ligada à mudança de como a polícia passa enfrentar esses protestos”, diz.

Esse mesmo tipo de tática seria empregado, de acordo com Augusto, para manifestações semelhantes nos anos seguintes, como os protestos dos secundaristas contra a reorganização escolar, em São Paulo, em 2016. “Você tinha no máximo 200 estudantes secundaristas caminhando na [Avenida] Paulista, cercados pela polícia por todos os lados. A ideia de envelopar a manifestação vem daí. Com a tática muda, uma das características da manifestação autônoma é não ter carro de som, sem liderança explícita. Você tem as faixas e todo mundo no mesmo nível na rua. A resposta da polícia para essas manifestações era envelopar”, conta.

As vítimas

As ações violentas da polícia marcaram de forma definitiva a vida de algumas pessoas, como o fotógrafo Sérgio Silva. Na repressão ao ato de 13 de junho de 2013, na Rua da Consolação, ele perdeu a visão do olho esquerdo ao ser atingido por uma bala de borracha. As cenas daquele dia foram um ponto de virada na opinião pública e para vários meios de comunicação, que passaram a se pronunciar abertamente a favor das manifestações.

“É um dia que, com toda a certeza, jamais esquecerei”, conta Silva. O fotógrafo diz que parte dos manifestantes realmente fazia depredações no calor do momento, mas não consegue acreditar que essas ações justifiquem a forma como as forças policias agiam. “O que tinha ali eram jovens revoltados, alguns focados na pauta do aumento da tarifa, outros por outros motivos também. E a polícia agia de maneira desproporcional”, avalia.

Fotógrafo Sérgio Silva perdeu o olho esquerdo após ser atingido por uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar, em junho de 2013 – Rovena Rosa/Agência Brasil

Essas ações chegavam, segundo Silva, a afetar o trabalho da imprensa. “Nós tivemos muitos e muitos colegas que passavam por revistas que ultrapassavam o limite da abordagem policial e impedia que esses policiais trabalhassem”, relata.

O fotógrafo tenta uma reparação na Justiça pelo ferimento sofrido durante a repressão. Após ter o pedido negado em duas instâncias na Justiça de São Paulo, uma apelação ao Supremo Tribunal Federal determinou que a solicitação seja reconsiderada pelo tribunal estadual. “Eu estou a todo instante tendo que provar para o estado de São Paulo que eu tomei um tiro disparado pela polícia e perdi a visão”, reclama a respeito da forma como os magistrados têm tratado o seu caso.

Segundo ele, as alegações do governo estadual é que não há provas de que ele foi efetivamente atingido por uma bala de borracha. “Podem ter sido muitos outros objetos, como, por exemplo uma bola de futebol, a cabeça de um manifestante. Essas foram as palavras que eu ouvi nessa última audiência”, diz sobre a situação que classifica como absurda.

No mês seguinte, em 14 de julho, no Rio de Janeiro, a violência policial se tornaria um tema de mobilização social depois do desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza. Ele nunca mais foi visto após ser levado por policiais militares para a base da Unidade de Polícia Pacificadora na favela da Rocinha. 

Em agosto de 2022, a  Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a condenação do estado do Rio de Janeiro ao pagamento de pensão e de indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil para a companheira e cada um dos filhos do pedreiro.

“É uma resposta importante do Judiciário, para mostrar para o Estado que ele tem que saber recrutar os seus agentes, se não ele é responsabilizado”, disse o advogado que defende os interesses da esposa e filhos de Amarildo, João Tancredo.

Segundo ele, apesar da concessão da indenização, os trâmites para que o dinheiro chegue efetivamente à família devem demorar pelo menos três anos. Na próxima terça-feira (6), o STJ deve ainda julgar um recurso para que a mãe de criação e a sobrinha do pedreiro também sejam contempladas.

O advogado criticou o tempo para que houvesse reparação à família. “Lamentável o tempo que esse processo demorou. É um processo simples, onde uma pessoa é retirada da sua casa, torturada e desaparecem com ela, por agentes do Estado que foram condenados. O tempo que ficou no STJ, foram três anos. Isso é muito ruim. Justiça que tarda, é justiça que falha.”

Militante do Movimento Passe Livre de Brasília, Paique Duques Santarém diz ainda que, além da repressão policial, os ativistas sofreram diversas calúnias, como as de que receberiam financiamento de agentes estrangeiros

“Essa repressão aos movimentos sociais de rua enfraqueceu não só nós, mas outros movimentos sociais de rua. Esse enfraquecimento foi um enfraquecimento da luta popular e da participação social na política”, diz.

Anos Bolsonaro

Com a chegada da extrema-direita ao poder, Raísa Cetra avalia que o cenário e retrocessos no direito à manifestação foram ainda maiores. “O que a gente viu nos anos de bolsonarismo é uma série de novas ferramentas de repressão e criminalização da luta popular, sobretudo passando por estratégias de silenciamento, desmobilização e tentativa de que as pessoas não fossem para as ruas”, analisa sobre os impactos da chegada de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018.

“O uso de crimes contra a honra para criminalizar manifestantes foi uma ferramenta usada durante o bolsonarismo que a gente não via de maneira tão sistemática antes. Então, a gente teve muita gente presa por escrever ‘fora Bolsonaro’ em cartazes ou falar preposições contrárias ao governo em manifestações”, exemplifica.

Para a especialista, esse é “um outro formato de repressão que está mais próximo à censura do que aquela mobilização de um aparato repressivo enorme contra manifestantes”. Nesse sentido, Raísa acredita que as ações de repressão aos protestos dos últimos anos se aproximaram do período da ditadura militar (1964-1985), provocando medo na população, que deixa de se manifestar por temer represálias.

Transporte teve menos reajustes, mas gargalos continuam após 2013

Apesar das disputas sobre os significados e desdobramentos das jornadas de protestos de junho de 2013, é impossível contestar que as manifestações de rua foram bem-sucedidas em evitar o aumento das tarifas do transporte público. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, estavam previstos reajustes de R$ 0,20 que foram cancelados à época como forma de responder às reivindicações dos atos.

Na capital paulista, dez anos depois, foi rompido um ciclo de reajustes acima da inflação. Entre 1994 e 2013, a tarifa do transporte coletivo na cidade passou de R$ 0,50 para R$ 3. Se tivesse simplesmente acompanhado o ritmo da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a tarifa teria chegado a 2013 custando R$ 2,17.

No entanto, as passagens de ônibus, metrô e trem, que, atualmente custam R$ 4,40, seriam de R$ 5,31 se os reajustes tivessem acompanhado o índice ao longo da última década. No Rio de Janeiro, a tarifa, que hoje é de R$ 4,30, seria de R$ 4,83 se tivesse sido reajustada pelo IPCA do período.

Para o urbanista e militante do Movimento Passe Livre de Brasília, Paique Duques Santarém, os protestos de 2013 “mudaram radicalmente o debate sobre transporte público no país”. Ele destaca, por exemplo, o “custo político” dos aumentos. “Quando um prefeito aumenta a tarifa, já está no cálculo dele que pode ter manifestação, que os parlamentares vão se mobilizar contra, que a mídia vai bater nele”, diz.

Tarifa zero

Após protestos de junho de 2013 em várias cidades brasileiras, como a capital federal, aumentou o número de municípios que oferecem gratuidade universal no transporte coletivo – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Há ainda, avanços na pauta que dá nome ao movimento que desencadeou os protestos das jornadas de junho. O pesquisador destaca que, há dez anos, apenas 14 cidades no país ofereciam gratuidade universal no transporte coletivo. Atualmente são 72 municípios. “Nós temos hoje sete capitais com grupos de estudo discutindo tarifa zero”, acrescenta em referência a São Paulo, Cuiabá, Florianópolis, Palmas, São Luís, Porto Alegre e Brasília.

“O sistema de transporte, pela falência do modelo atual dele, tende a tarifa zero como mecanismo incontornável”, enfatiza Santarém. Na avaliação dele, há uma retração da lucratividade do transporte público nas cidades médias e grandes, o que ajuda a impulsionar o debate sobre a gratuidade universal. “São cidades que estão buscando mecanismos e considerando a possibilidade da tarifa zero, não se ela é viável ou não, porque já sabemos que é, mas métodos de implementação dela”, acrescenta.

Apesar dos avanços na discussão sobre a tarifa zero, o coordenador do Instituto Pólis, Rodrigo Iacovini, acredita que pouco mudou desde 2013.

“Na época, existiam alguns grandes gargalos relacionados à mobilidade urbana no Brasil. [Há] alguns desses motivadores do disparo das manifestações em 2013 que permanecem até hoje em alguma medida. Um deles é uma matriz de mobilidade brasileira centrada na prevalência do carro, no transporte individual motorizado”, analisa.

Para ele, as jornadas de protestos fizeram emergir demandas mais profundas do que somente o preço dos transportes. “Reivindicação do direito à cidade, que é muito mais complexo do que o acesso ao transporte público”, diz.

História de precariedade e protestos

“Eu encaixo junho de 2013 relacionado ao problema histórico da mobilidade precária na cidade de São Paulo. Os 20 centavos foram o estopim diante a um iceberg que está relacionado a esse problema histórico que a classe trabalhadora sempre enfrentou”, diz o professor do Campus Leste da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do grupo Rede Mobilidade e Periferia, Ricardo Barbosa da Silva.

A cidade de São Paulo tem, de acordo com o pesquisador, um longo histórico de mobilizações contra aumentos das tarifas de transportes. “Com a criação da CMTC em 1947 teve o primeiro quebra-quebra em manifestação porque houve um aumento da passagem”, acrescenta sobre a extinta Companhia Municipal de Transportes Coletivos.

No entanto, os atos, antes de 2013, costumavam ter, segundo Barbosa, adesão apenas de trabalhadores e estudantes. “De um lado você tem historicamente a classe trabalhadora e os estudantes que sempre lutaram contra o aumento e pela melhoria da mobilidade. Você tem, agora, uma juventude que está se interessando, inclusive, da classe média, por assuntos da pauta ambiental e pelo ativismo da mobilidade”, avalia o especialista.

Concentração da manifestação do Movimento Passe Livre contra o aumento da tarifa do transporte público na capital paulista, em janeiro de 2016 – Rovena Rosa/Agência Brasil

Como legado das jornadas, o pesquisador também aponta que a pauta da mobilidade passou a ocupar um lugar central no debate público. “A mobilidade é uma pauta política. Até então, a pauta da mobilidade era um tema jocoso até. Não era levado a sério. Até nas campanhas políticas, com o Levy Fidelix [candidato à Presidência que tinha como proposta o ‘aerotrem’]”, compara.

Lotação e falta de investimentos

Mesmo assim, a qualidade do transporte melhorou pouco na Grande São Paulo, na opinião de Barbosa.

“O problema da lotação que é histórico, que a classe trabalhadora enfrenta no cotidiano, nem com a pandemia foi resolvido. Pelo contrário, principalmente as linhas mais periféricas, em que as pessoas não permaneceram no home office, permaneceram mais lotadas”, diz.

Entre outros problemas, o pesquisador destaca a falta de corredores de ônibus na zona leste paulistana e de ciclovias nas periferias da cidade. “Até hoje o monotrilho não chegou à Cidade Tiradentes”, acrescenta sobre uma das obras de infraestrutura previstas para a Copa do Mundo de 2014.

O processo de privatização, que tem concedido linhas de metro e trens a empresas privadas, tende, na avaliação de Barbosa, a agravar os problemas enfrentados pela população. “A privatização vai ampliar um problema, que é histórico, que é pensar o transporte simplesmente como um negócio, uma forma de as empresas ganharem dinheiro. Quando deveria ser pensado como um serviço público fundamental e de garantia de acesso a outros direitos da população”, defende.

Cenário de revolta e insatisfação social ajudou a compor junho de 2013

Era início da noite, quando o Movimento Passe Livre (MPL) queimou uma catraca de papelão, interrompendo o tráfego na Avenida 23 de Maio, na altura do Vale do Anhangabaú, centro da cidade de São Paulo. Naquele 6 de junho de 2013, os manifestantes lutavam contra o aumento das tarifas do transporte público, que haviam subido de R$ 3 para R$ 3,20 no início do mês. Atos semelhantes haviam acontecido nos anos anteriores pelo mesmo motivo. Da mesma maneira, a polícia reprimiu o protesto como tinha feito de outras vezes. Porém, em menos de duas semanas, o Brasil todo perceberia que aquilo tinha sido o começo de uma mobilização muito maior.

No dia 17 de junho, as ruas da capital paulista seriam tomadas por dezenas de milhares de pessoas, paralisando o trânsito em parte das avenidas mais importantes da cidade. Naquela noite, os protestos já haviam chegado a outras cidades, como Belo Horizonte e o Rio de Janeiro.

Manifestantes ocupam a rampa do Congresso Nacional e uma das cúpulas no prédio, no dia 17 de junho de 2013  – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em Brasília, os manifestantes ocuparam a marquise do Congresso Nacional. No dia 20, os participantes dos atos chegariam a depredar o prédio do Palácio Itamaraty.

Protestos de junho de 2013 em Brasília – Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ações do tipo seriam vistas durante toda a onda de protestos, desde o primeiro dia, quando, após ser reprimida no centro paulistano, a multidão foi em direção à Avenida Paulista, onde quebrou vidraças de agências bancárias. A adesão de parte dos manifestantes à chamada tática black block, em que, com o rosto coberto, participantes dos protestos promoviam a depredações, barricadas e respondiam às bombas da polícia com rojões e pedras, também foi um elemento novo da onda de atos.

A repressão policial, com centenas de prisões, e manifestantes feridos, alguns com sequelas permanentes, pelo uso da munição menos letal foi outra marca do momento. A reação da sociedade a essa violência foi determinante para aumentar a adesão aos protestos.

Protestos de junho de 2013 foram marcados por forte repressão policial – Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Mas, dez anos depois, pesquisadores e ativistas ainda têm dificuldades em determinar porque os atos de rua daquele ano evoluíram daquela forma. Parece ser consenso, entretanto, que junho de 2013 é um marco na história política brasileira e que a interpretação do momento segue em disputa.

Uma das questões difíceis de responder, mesmo em perspectiva, é por que os atos contra o aumento das passagens cresceram e se tornaram grandes manifestações com diversas pautas ligadas às condições de vida da população – saúde, educação, habitação e transportes.

Cenário de insatisfação

“Você já tinha uma disputa aberta pelos territórios. Por exemplo, a retomada indígena é em 2013 [série de ocupações de terras por indígenas em Mato Grosso do Sul]. No Rio de Janeiro você já tinha uma intensificação das mobilizações, primeiro, por causa das pessoas desalojadas para a construção da Cidade Olímpica. Já tinha uma disputa pela terra urbana. O movimento indígena do que se chama de campo, o não urbano”, relaciona o professor do curso de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Acácio Augusto, ao lembrar que já havia um contexto de mobilizações naquele momento.

Além disso, ele destaca o “crescimento gigantesco das greves no ano anterior”. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, em 2011, foram realizadas no Brasil, 554 greves. Em 2012, foram 877 movimentos de paralisação, e, em 2013, 2.050.

O cenário de insatisfação popular foi alimentado, na avaliação do pesquisador, pela forte repressão policial aos atos.

“Isso destravou uma série de demandas, entre elas, a própria questão do transporte. Cabe-se dizer, não se resumia à questão do transporte propriamente dito, dizia respeito à circulação na cidade, a possibilidade de acesso que as pessoas tinham à cidade. Foi isso que fez também a pauta escalar tão rápido, essa combinação com disputas territoriais que já estavam acontecendo e a combinação com a violência policial”, analisa.

Piora das condições de vida

Essas demandas estavam relacionadas a uma “degradação geral das condições de vida nas grandes cidades”, de acordo com o professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Erick Omena. Ao analisar diversos dados, ele aponta que em 2013 as populações dos centros urbanos enfrentavam uma acentuada piora das condições de mobilidade, acesso à saúde e habitação, associada a um crescente descrédito na política institucional.

Jornada de protestos de junho de 2013 na capital paulista – Raphael Tsavkko Garcia/ Flickr

A partir de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Omena mostra que, entre 2004 e 2012, há um aumento na proporção de trabalhadores que levam mais de uma hora no percurso entre a residência e o emprego. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o percentual sobe de 18% para 24,7% no período, e, na Grande São Paulo, de 20% para 23,5%.

O preço dos aluguéis, entre janeiro de 2008 e junho de 2013, subiu, segundo o pesquisador, 131%, no Rio de Janeiro, e 88%, em São Paulo.

“Na medida em que você aumenta o preço da habitação, você vai forçar as pessoas a irem para as regiões mais periféricas, que são mais distantes dos centros, que [é] onde estão a maior parte dos empregos. Portanto, o deslocamento casa-trabalho também vai aumentar”, explica o pesquisador sobre como a soma dos fatores afeta a vida da população.

Há ainda indicativos, segundo Omena, de uma crescente insatisfação com o sistema público de saúde. “Mais ou menos nesse período, você tem uma adesão bastante expressiva e relativamente rápida de um grande número de pessoas à assistência médica privada”, acrescenta.

Esse cenário de “precariedade da vida” contrastava, na avaliação da professora de história contemporânea da Fundação Cásper Líbero Joana Salém, com os preparativos do Brasil para receber os grandes eventos esportivos. “Se tinha uma percepção que se estava gastando muito dinheiro com aquelas obras em vez de gastar com saúde e educação para o povo”, diz em referência aos estádios e outros investimentos feitos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Protesto organizado pelo Movimento Passe Livre feito em 20 de junho de 2013 na capital paulista – Gianluca Ramalho Misiti/Flickr

Os avanços em algumas áreas também ajudaram a impulsionar, segundo a professora, parte da população a buscar mais direitos. “Um marco de dez anos de governos do PT, que tinham ampliado determinados direitos, sobretudo para essa juventude trabalhadora, como, por exemplo, o direito à universidade. E parte dessas pessoas que entra na universidade, existe uma expectativa, uma certa pressa de que aqueles direitos se concretizem mais rapidamente”, acrescenta.

Junho de 2013 em imagens:

Revoltas no Brasil e no mundo

O MPL de São Paulo tinha como inspiração jornadas de luta contra o aumento das tarifas de transporte em outros lugares do país, como a chamada Revolta do Buzu, ocorrida em Salvador, em 2005. “Em 2011 teve uma luta muito grande contra o aumento em São Paulo, que durou dois, três meses, toda a quinta-feira tinha atos. E foi bem intenso para a época”, contextualiza Frederico Ravioli, que em 2013 fazia parte do Passe Livre.

Houve ainda, na opinião do militante que deixou o movimento em 2016, influência do cenário internacional. “[O ano de] 2013 captura também um pouco dessas ondas de protestos que estão acontecendo no mundo inteiro, em 2008, no Chile; na Primavera Árabe, no Oriente Médio; no Norte da África. Talvez seja um pouco do momento que essa ideia do consenso – de que a gente vai avançar devagar para todo mundo crescer – vai por água abaixo”, diz.

Uma semelhança entre as revoltas que atingiram, entre 2010 e 2012, diversos países, como o Egito, a Líbia, a Síria, o Iêmen, o Barein e o Marrocos, e as jornadas de junho foi o papel da internet e das redes sociais. “Toda essa insatisfação crescente vai achar um veículo excepcionalmente novo e muito mais capilarizado de expressão, que é a internet”, enfatiza Erick Omena. O pesquisador destaca que, de 2003 a 2013, o acesso à rede se expandiu de 13% da população para 51%. 

“Junho de 2013 não poderia ter acontecido sem esse rápido acesso da população a esse novo meio de comunicação, em especial as redes sociais”, acredita.

Disputa e legado

A mobilização de dezenas de milhares de pessoas nas ruas começou a ser disputada por grupos de direita e extrema direita antes mesmo de junho acabar, diz Acácio Augusto. “Reagindo a essa radicalização que junho traz, você vai ter não só uma intensificação da atuação institucional das forças de segurança, como também uma tentativa de disputar isso por forças mais à direita – de liberais a neomonarquistas”, pontua.

“Tem o Vem pra Rua, tem o MBL [Movimento Brasil Livre], que rouba a nossa sigla”, cita Frederico Ravioli sobre os movimentos de direita que se inspiram diretamente no sucesso das mobilizações do MPL. “É interessante para pensar como a direita se apropriou das táticas de esquerda, da forma de organização da esquerda radical, enquanto a esquerda tradicional ficou defendendo a democracia, a ordem e a estabilidade”, reflete o ex-militante.

Para ele, esses movimentos entenderam “as potencialidades de junho” e partiram para uma luta “disruptiva”.

O descontentamento foi canalizado por esses grupos, na avaliação de Joana Salém, em insatisfação com os governos do PT, partido que estava há dez anos à frente do governo federal e, na ocasião, recém-eleito para a prefeitura de São Paulo. “Muitas pessoas não se identificavam como direita e passaram a se identificar a partir de 2014, 2015, com uma ocupação das ruas pelo impeachment da [então presidente] Dilma Rousseff”, diz ela sobre a aproximação com a parcela da população que não tinha convicções políticas bem definidas.

“A direita soube aproveitar essa subjetividade política difusa para fazer uma campanha muito bem-sucedida de ganhar espaço contra o petismo. Até o limite do ódio que se chegou nos anos Bolsonaro [Jair Bolsonaro foi presidente, de 2018 a 2022]”, acrescenta Joana.

Ao mesmo tempo, as jornadas de junho foram inspiração para diversos movimentos de lutas por direitos nos anos seguintes. “Se você pensar nas características dos jovens que se juntaram na ocupação das escolas, você não estava só na questão da escola, a questão de gênero estava colocada, modos de vida, modos de educar, de aprender. Essa dimensão, que é bem difícil de captar do ponto de vista objetivo, era muito marcante em junho”, relaciona Augusto sobre o movimento dos estudantes secundaristas contra a reforma escolar no estado de São Paulo, em 2015 e 2016.

Para o pesquisador, os protestos contra a tarifa marcaram ainda a “retomada da rua como espaço de sociabilidade”. Como exemplo, ele cita outras mobilizações ocorridas nos anos seguintes na capital paulista. “A mobilização que tentava impedir a construção de mais um condomínio ali no centro, e acabou criando o que hoje se chama de Parque Augusta, tem a ver com junho também. Isso não tem a ver especificamente com a criação de um parque ou não, mas com a questão ecológica, de como se vive na cidade, como se vive no centro”, ressalta. “A mobilização de vários coletivos em torno dos abusos que são cometidos pelas forças na repressão à Cracolândia, na Favela do Moinho, tudo isso está conectado a junho de 2013”, acrescenta.

Hoje é Dia: Museu Nacional faz 205 anos ainda em reconstrução

Mais antigo museu do país, instalado em um palácio construído com dinheiro da escravidão, o Museu Nacional já foi a residência do imperador, e abrigou o maior acervo da América Latina, com 20 milhões de peças.

Em 2018, o prédio foi quase inteiramente destruído em um incêndio, que mostrou ao Brasil como o patrimônio histórico nacional precisa ser protegido, financiado e valorizado. O Museu Nacional completa 205 anos nesta terça-feira (6).

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Ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi fundado por D. João VI em 1818. O acervo de 20 milhões de itens abrigava de esqueletos de animais pré-históricos a múmias do Egito Antigo, passando por coleções de rochas, plantas, livros raros e utensílios de diversas sociedades.

Os eventos relacionados à instituição sempre foram acompanhados pelos veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Dois programas da TV Brasil transportam os telespectadores a conhecer um acervo que já não existe mais do jeito que foi retratado, desde o dia 2 de setembro de 2018, quando o fogo destruiu a maioria de seu acervo.

Um deles é do programa Expedições:

O outro, é um episódio da série Conhecendo Museus, que levou à TV mais de 50 instituições brasileiras dos mais variados tamanhos e temas:

No ano do incêndio o clima era de festa: o Museu Nacional comemorava 200 anos de existência. A instituição foi homenageada pela Imperatriz Leopoldinense – e a Rádio Nacional conversou com o carnavalesco Cahê Rodrigues:

E no mês anterior à tragédia, a Agência Brasil divulgava a reabertura de uma sala. Até que, no dia 2 de setembro, o incêndio atinge o Museu.

Das ruínas à recuperação

A cobertura dos veículos da EBC foi intensa em todas as etapas que se sucederam ao fogo. Representantes de entidades científicas foram ouvidos para analisar o caso. A vice-diretora do Museu Nacional de então, Cristiana Serejo, detalhou, ao programa Arte Clube, como o sistema contra incêndio da instituição era precário:

O radiojornalismo ampliou a discussão para o estado frágil de outros museus do país. E o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, fez uma retrospectiva do incêndio e mergulhou na história da instituição e de seu acervo:

A equipe do Museu Nacional trabalhou para desenterrar o que antes já tinham descoberto em suas regiões de origem. A escavação, agora, era nos escombros da instituição. E o trabalho deu resultado. A EBC acompanhou a recuperação de parte do acervo. O programa Natureza Viva, da Rádio Nacional da Amazônia, comemorou o resgate do crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigos das Américas:

O trabalho de recuperação rendeu um livro lançado em 2021. E quatro anos depois do incêndio, em uma fase de reinvenção, a equipe, acostumada a escavar em busca da história, enterrou fragmentos da memória do nosso tempo para futuros estudiosos.

Neste ano a EBC segue acompanhando o processo de recuperação do Museu Nacional. Apesar de peças restauradas já estarem em exposição e a fachada, por exemplo, já ter sido entregue, a previsão para reabertura do espaço é para 2026. Ainda é preciso captar R$ 400 milhões para finalizar o trabalho, como mostra a TV Brasil:

Datas ambientais

Nesta semana, também, celebram-se duas datas instituídas para promover discussões e mobilizar países para temas como preservação de ecossistemas e mudanças climáticas.

No dia 5 de junho de 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente. A entidade sempre promove temas que gerem debate na data. O Viva Maria já ouviu uma representante da ONU para falar de biodiversidade:

Em 8 de junho é a vez do Dia Mundial dos Oceanos, comemoração estabelecida em 1992 durante a Eco-92, ou Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro. O História Hoje, distribuído pela Radioagência Nacional, conta essa história:

O programa Viva Maria também destacou a data em várias oportunidades, como aqui e aqui.

E a TV Brasil, no programa Ciência é Tudo, mergulha na ciência dos oceanos para que os telespectadores aprendam mais sobre a riqueza dos mares:

Nesta semana há ainda o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, celebrado neste domingo (4), e o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, na próxima quarta-feira (7).

Símbolo do Cangaço

Há 125 anos, no dia 4 de junho, o registro de batismo indica que nascia o mais famosos dos cangaceiros: o pernambucano Virgulino Ferreira da Silva, ou Lampião.

O programa Na Trilha da História, da Rádio Nacional, tem dois episódios em que aborda o universo do Cangaço e Lampião. Em um deles, o jornalista e escritor Wagner Barreira, autor de Lampião e Maria Bonita – Uma história de amor e balas, conta como Virgulino entrou para o imaginário brasileiro como herói:

Na outra edição, o foco da entrevista com Adriana Negreiros é a companheira de Lampião, Maria Bonita, e a história das mulheres do Cangaço, dos cangaceiros com os quais se relacionavam e, claro, do ilustre pernambucano que faz aniversário neste dia 4:

A TV Brasil já registrou, também, memórias da filha dos dois, Expedita, e como ela foi entregue para que outra família a criasse.

Outros nascimentos e mortes

Nesta semana nasceram, ainda, o poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca ( há 125 anos); o general José Doroteo Arango, o Pancho Villa (há 145 anos), um comandante da Revolução Mexicana; e o economista britânico John Maynard Keynes (há 140 anos) – todos no dia 5 de junho.

Já sobre mortes de pessoas ilustres nesta semana, temos Robert Kennedy, senador assassinado nos Estados Unidos no dia 6 de junho; e o imperador Nero, acusado de incendiar Roma.

Corpus Christi

Uma celebração religiosa que em 2023 cai nesta semana, no dia 8 de junho, é Corpus Christi. A data também representa descanso para muita gente, já que o dia é considerado ponto facultativo.

Confira a lista semanal* do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

4 a 10 de Junho de 2023
4

Nascimento do compositor fluminense Arlindo Marques Junior (55 anos)

Nascimento do empresário paulista Antônio Ermírio de Moraes (95 anos) – presidente do grupo Votorantim

Morte do escritor e aventureiro veneziano Giacomo Casanova (225 anos)

Nascimento do líder cangaceiro pernambucano Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (125 anos)

Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão – comemoração instituída pela ONU na sua Resolução E-08/07 de 19 de agosto de 1982, que conta com o apoio da UNICEF

5

Nascimento do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (125 anos)

Nascimento do economista britânico John Maynard Keynes (140 anos) – suas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, bem como as políticas econômicas instituídas pelos governos

Nascimento do general mexicano José Doroteo Arango, o Pancho Villa (145 anos) – foi um dos mais conhecidos generais e comandantes da Revolução Mexicana

Nascimento do cantor, compositor e ator mineiro Ivo José Curi, o Ivon Curi (95 anos)

Dia Mundial do Meio Ambiente – comemoração internacional, que foi instituída pela 27ª sessão da Assembleia Geral da ONU na Resolução Nº 2994 de 15 de dezembro de 1972

6

Morte do político estadunidense Robert Francis Kennedy, o Bobby Kennedy (55 anos) – o senador foi assassinado em um hotel em Los Angeles

Fundação do Museu Nacional (205 anos) – mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina; foi criado por Dom João VI e, inicialmente, foi sediado no Campo de Sant’Anna com o nome de Museu Real; foi incorporado à Universidade do Brasil em 1946 e integra atualmente a estrutura acadêmica da Universidade Federal do Rio de Janeiro

7

Nascimento do cantor estadunidense Prince Rogers Nelson, o Prince (65 anos)

Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

8

Dia Mundial dos Oceanos – comemoração estabelecida em 1992 durante a “Eco92” ou “Cimeira da Terra” ou “Conferência do Rio” sobre Meio Ambiente, com o fim de enfatizar a importância de todos os produtos fornecidos pelo Oceano Atlântico, Oceano Pacífico, Oceano Antártico, Oceano Índico e Oceano Ártico

9

Morte do imperador romano Nero Cláudio César Augusto Germânico, o Nero (1955 anos)

Dia Nacional de Anchieta – comemorado por brasileiros, conforme decreto Nº 55.588 de 18 de janeiro de 1965 e Lei Nº 5.196 de 24 de dezembro de 1966, que deverá ser celebrado nas escolas primárias e médias do Brasil com palestras alusivas à vida e à obra de Anchieta

Dia Internacional dos Arquivos – comemorado para marcar a data da criação do Conselho Internacional dos Arquivos, que foi instituído pela UNESCO em 9 de junho de 1948, quando se aproveita a data da celebração para se promover o valor das instituições de arquivos no serviço da pesquisa, da cultura, da memória, e da transparência

10

Ocorre o lançamento à Marte do robô geológico Spirit (20 anos)

Inicia-se a Copa do Mundo FIFA, na França (25 anos)

Dia Mundial dos Alcoólicos Anônimos – comemorado para marcar aquela que é tradicionalmente tida como a data da fundação do grupo de Auto-ajuda de homens e mulheres que partilham entre si sua dependência das bebidas alcoólicas, ocorrida na cidade estadunidense de Akron OH-EUA em 10 de junho de 1935

 

*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.

Hulk marca de falta e Atlético-MG vence clássico com Cruzeiro

Com uma cobrança de falta do meio da rua, o atacante Hulk marcou o gol da vitória de 1 a 0 do Atlético-MG sobre o Cruzeiro, na noite deste sábado (3) no Parque do Sabiá, em Uberlândia, pela 9ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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Este resultado levou o Galo à vice-liderança da competição, com 17 pontos, enquanto a Raposa é a 10ª colocada com 13 pontos.

Apesar de o Cruzeiro iniciar o confronto com uma forte pressão, foi o Atlético-MG que foi mais eficiente para abrir o marcador antes do intervalo. Aos 26 minutos o juiz marcou falta na intermediária da Raposa. Hulk se posicionou para cobrar e o goleiro Rafael Cabral pediu para seus companheiros não montarem barreira. O camisa 7 do Galo cobrou com muita força, rasteiro, e marcou um bonito gol.

Já aos 46 Hyoran cobrou falta para a área, a bola quicou e acabou entrando após enganar o goleiro do Santos. Porém, o lance acabou sendo anulado pelo juiz com auxílio do VAR (árbitro de vídeo), que indicou impedimento. Seis minutos depois foi a vez de o Cruzeiro ter um tento anulado com auxílio da tecnologia, de Luciano Castán de cabeça por causa de posição irregular.

Na etapa final o goleiro Everson mostrou muita segurança para garantir a vantagem do Atlético-MG até o apito final.

Derrota do líder

A liderança do Brasileiro permanece nas mãos do Botafogo, que, jogando na Arena da Baixada, em Curitiba, perdeu de 1 a 0 para o Athletico-PR. Mesmo com o revés o Glorioso manteve a ponta da classificação, com 21 pontos. Já o Furacão passou à 4ª colocação, com 15 pontos. A Rádio Nacional transmitiu a partida ao vivo.

O único gol do confronto saiu aos 41 minutos do primeiro tempo, com um chute de fora da área do volante Alex Santana.

Outros resultados:

Fortaleza 0 x 0 Bahia
América-MG 2 x 0 Corinthians
Santos 1 x 1 Internacional

Basquete 3×3: seleção masculina garante vaga na semi da Copa do Mundo

A seleção brasileira masculina de basquete 3×3 fez história neste sábado (3) ao se classificar para as semifinais da Copa do Mundo da modalidade, que está sendo disputada em Viena (Áustria). A vaga veio após vitória de 12 a 11 sobre a Polônia, com arremesso certeiro de Léo Branquinho a 4 segundos do fim do confronto. Esta já é melhor campanha do Brasil na história da competição.

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Porém, antes do emocionante triunfo sobre os poloneses, os brasileiros bateram o Japão por 20 a 17 em grande jogo de Jonatas Mello e Ruan Miranda.

“Nossa comissão técnica está planejando cada passo que está sendo dado desde fevereiro. Quando pisamos na Áustria sabíamos tudo o que poderia acontecer, e estamos todos seguindo o plano com excelência. Ainda há mais um dia de trabalho e continuamos focados”, declarou o técnico Luca Carvalho.

O próximo desafio do Brasil na competição será contra os Estados Unidos, em partida com início marcado para as 11h05 (horário de Brasília) do próximo domingo (4). A disputa pelo terceiro lugar e a grande decisão da competição serão disputadas no mesmo dia.

Tênis: Bia Haddad alcança oitavas de final de Roland Garros

A brasileira Beatriz Haddad Maia derrotou a russa Ekaterina Alexandrova por 2 sets a 1 (parciais de 5/7, 6/4 e 7/5) para seguir, neste sábado (3), para as oitavas de final do torneio de Roland Garros, em Paris (França). Na próxima fase do Grand Slam a paulista medirá forças com a espanhola Sara Sorribes Tormo, que bateu Elena Rybakina, do Cazaquistão.

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Também neste sábado, mas nas duplas mistas, Rafael Matos e Luisa Stefani superaram o croata Ivan Dodig e a chinesa Zhang Shuai por 2 sets a 0 (duplo 6/2) para avançarem para as quartas de final no saibro de Paris.

Quem não teve uma boa jornada foi Thiago Wild. Pela terceira rodada das duplas masculinas o brasileiro caiu diante do japonês Yoshihito Nishioka por 3 sets a 2 (parciais de 3/6, 7/6, 2/6, 6/4 e 6/0).

Wild dá adeus a Roland Garros após duas grandes vitórias em sua primeira participação na chave principal. O brasileiro venceu o russo Daniil Medvedev, número 2 do mundo, na primeira rodada e passou pelo argentino Guido Pella, ex-top 20, na sequência.

Erdogan toma posse para novo mandato e promete buscar união na Turquia

O presidente turco, Tayyip Erdogan, foi empossado para um novo mandato presidencial neste sábado (3), após vencer a reeleição no último fim de semana, estendendo seu governo para uma terceira década.

“Eu, como presidente, juro pela minha honra e integridade, diante da grande nação e história turcas, que protegerei a existência e independência do nosso Estado”, disse Erdogan, durante uma cerimônia no Parlamento em Ancara, transmitida ao vivo.

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Líder mais longevo da Turquia, Erdogan levou 52,2% dos votos no segundo turno realizado em 28 de maio. A sua vitória eleitoral desafiou a maioria das pesquisas de opinião e aconteceu apesar de uma crise de custo de vida que parecia ter prejudicado suas perspectivas.

O novo mandato de cinco anos permite que Erdogan prossiga com políticas cada vez mais autoritárias que polarizaram o país – membro da Organização do Tratado do Atlêntico Norte (Otan) –, mas fortaleceram sua posição como potência militar regional.

Mais tarde, no palácio presidencial, Erdogan adotou um tom conciliatório. “Vamos abraçar todos os 85 milhões de pessoas, independentemente de suas opiniões políticas. Vamos deixar de lado o ressentimento do período eleitoral. Vamos procurar maneiras de reconciliar”, afirmou.

Erdogan nomeará seu novo ministério ainda neste sábado e deve sinalizar uma mudança em sua abordagem pouco ortodoxa à política econômica.

Ele deve incluir o ex-ministro das Finanças, Mehmet Simsek, segundo a Reuters publicou mais cedo nesta semana, o que indicaria um potencial retorno a uma ortodoxia econômica maior, incluindo possíveis aumentos da taxa de juros.

Simsek era bem cotado pelos investidores quando foi ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro entre 2009 e 2018. Um papel chave para ele poderia marcar um afastamento de anos de manutenção de baixas taxas de juro, apesar da alta inflação, e controle forte do Estado aos mercados.